Assassinos a serviço do Estado são absolvidos

Passada a farsa eleitoral o Estado fascista brasileiro aprofundou ainda mais a política de extermínio sobre as populações pobres do país. Paralelamente, demonstrou que notórios e confessos criminosos a seu serviço não poderão ser condenados por seus tribunais.

Primeiro, três dos onze militares presos por sequestrar, torturar e assassinar três jovens da Providência em junho do ano passado, foram libertados por ordem do juiz Marcello Ferreira Granado. São eles o soldado Eduardo Pereira de Oliveira, o cabo Samuel de Souza Oliveira e o sargento Bruno Eduardo de Fátima.

De acordo com o juiz "houve momentos em que os três agiram em respeito à hierarquia militar e não participaram, efetivamente, do desfecho do crime". Antes, outros cinco militares já haviam sido soltos por decisão judicial. Recordese que os soldados foram presos depois de intensa mobilização popular, que exigiu justiça e enfrentou a tropa de choque do Exército em frente ao Comando Militar do Leste.

No domingo, dia 7 de dezembro, pouco antes de um jogo de futebol no Estádio Bezerrão (DF), um torcedor do São Paulo foi perseguido e atingido por uma coronhada e um tiro disparado pelo policial que o perseguia. O tiro acertou a nuca de Nilton César de Jesus, que morreu na manhã de 11 de dezembro. Apesar de câmeras de TV terem flagrado o momento do crime, o sargento da Polícia Militar José Luiz Carvalho Barreto, autor do disparo, foi solto no dia seguinte e irá aguardar julgamento em liberdade.

Na manhã do dia 12 de dezembro o cabo da PM William de Paula — um dos policiais que assassinaram o menino de três anos João Roberto Soares e feriram seu irmão, em julho desse ano — foi absolvido da acusação de homicídio, por quatro votos a três. O júri foi presidido pelo juiz Paulo Baldez e foi marcado por uma série de irregularidades, entre elas a condução dos jurados junto com o réu e o exagerado aparato policial que compareceu ao 2º Tribunal do Júri da Capital para intimidar os jurados e a família do menino.

O Dr. Nilo Batista, que atuou como assistente da acusação, declarou que a partir desse julgamento foi legalizada a pena de morte no país.

— Eles [os jurados] estabeleceram que existe uma pena de morte para o roubo de carros e deve ser cumprida pelo PM que estiver mais próximo.

Já os pais de João Roberto eram os mais indignados.

— Quer dizer que a polícia mata e fica por isso mesmo? — dizia o pai de João, Paulo Roberto.

A mãe, indignada, dizia:

— Eu estou chocada, meu filho morreu à toa, ele [o PM] cumpriu o dever dele: matar o meu filho.

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