Opiniões - 49

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Muntazer al-Zaidi um jornalista patriota

Gostaríamos de enviar através deste jornal democrático um caloroso abraço ao jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi. Aclamado em todo o mundo, o jovem jornalista tornou-se um símbolo de resistência. Atirando a corajosa sapatada no invasor e chefe do exército mais assassino do mundo, George W. Bush, al-Zaidi agiu como um patriota, honrou a dignidade e luta do seu povo.

Muntazer não se calou ante a provocação do genocida Bush que, escoltado por agentes da CIA, petulantemente ousou retornar ao Iraque para deixar "um beijo de despedida".

— Esse é seu beijo de despedida, seu cachorro! — respondeu de pronto. Muntazer al-Zaidi não pestanejou, reagiu à altura como homem, como Iraquiano, que antes de ser jornalista, é filho de uma nação oprimida e ocupada pelo imperialismo.

No Brasil, "analistas políticos" engomados em seus ternos de grife chamaram o jovem patriota iraquiano de louco, defenderam sua detenção, em seu próprio país por agentes do serviço de inteligência estrangeiro, acusaram-no, especularam se estaria drogado, disseram que sua atitude "não condiz com a de um jornalista". Al-Zaidi foi preso, torturado, teve um braço quebrado por defender o seu país.

Os monopólios de comunicação, bajuladores dos grandes grupos econômicos, servis aos ditames do império norte-americano sustentam em sua linha editorial que pobres e moradores de favela são "bandidos", protestos populares são "arruaças", a juventude da Grécia em revolta contra o assassinato de um jovem não passa de "baderneiros destruidores". Esses porta-vozes de quem paga mais sim, não tem a atitude e a envergadura moral de um jornalista como Muntazer al-Zaidi.

Luciano Calixto,
estudante de Jornalismo
Presidente do Diretório Acadêmico de comunicação Integrada da PUC Minas


Balanço da greve dos bancários

Escrevo para questionar a avaliação d’A Nova Democracia de que a "Greve dos bancários obtém (obteve) vitória parcial". Não concordo. Como bancário, não posso deixar de concluir que saímos derrotados com um índice miserável de reajuste.

Após 23 dias de greve, que contou com a adesão de 60% da categoria (cerca de 220 mil dos 422.000 bancários em todo o país) os trabalhadores foram traídos pela direção sindical cutista-petista-governista e voltaram amargando um péssimo reajuste salarial de 10% para salários de até R$ 2.500 e 8,15% para salários além dessa faixa, diante de uma inflação anual de 12,31% (índice do IGP-M de outubro/2007 a setembro/2008), ou seja, reajuste negativo diante da inflação medida pela Fundação Getúlio Vargas. Todas as demais verbas (Auxílio-refeição, Cesta-alimentação, Auxílio-creche/babá) foram reajustadas apenas em 8,15%.Os bancários da Caixa Econômica Federal ainda tentaram melhorar o acordo e resolver suas questões específicas, como quadro de carreira, abono e isonomia, continuando heroicamente em greve por mais dois dias, mas foram traídos pela direção sindical petista que não encaminhou a continuidade da greve e nem mesmo tentou reabrir as negociações diretas com a direção da CEF, deixando o movimento dos trabalhadores sem direção, apostando no cansaço do movimento e mobilizando, com o auxílio da direção da Caixa, os gerentes e fura-greve para comparecer em massa à assembléia do dia 24 para votar o final da greve e a aceitação do acordo rebaixado.

Os pelegos da CUT alegam que houve ganho real; mas todos sabem que  existem índices e índices de medição da inflação e nem todos retratam a verdadeira perda no poder de compra dos salários. O ICV do DIEESE aponta uma inflação de 6,97% (geral), sendo que para os mais pobres a inflação foi de 8,84%. O DIEESE defende salário mínimo de R$ 1971,55; que seria o mínimo necessário para a sobrevivência de uma família. E o novo piso salarial do bancário (Escritório) é de R$ 1013,64 (praticamente metade).

Desde a posse de Lula na presidência que a máscara da CUT caiu e a direção sindical pelega assumiu de vez seu papel de agência do governo na categoria dos bancários, transformando os sindicatos dos trabalhadores em agência de promoção dos interesses do governo e dos banqueiros. Na verdade a direção sindical cutista está mais interessada em defender a política econômica do governo Lula, que adotou o mesmo expediente do regime militar de arrochar salários para evitar inflação, e neste papel acaba por se tornar um defensor dos lucros dos banqueiros e traidor dos trabalhadores.

Um dos problemas que prejudicou a luta foi a greve parcial, pois os pelegos de São Paulo, estado que conta com grande contingente de trabalhadores, se recusaram a entrar na greve, fazendo paralisação de 24 horas no dia 30 de setembro e entrando na greve apenas no dia 8 de outubro. Apesar dos bancários de São Paulo terem aprovado na assembléia do dia 29 de setembro entrar em greve por tempo indeterminado, assim como no restante do país, a direção sindical paulistana manobrou se recusando a contar os votos e declarando vencedora a proposta de greve de 24 horas. Os pelegos do PT estavam mais empenhados na disputa eleitoral, fazendo propaganda para sua candidata nas eleições municipais, e não queriam que a greve atrapalhasse as eleições.

Carlos Tavares
bancário da CEF - delegado sindical

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