Moacyr da Laje, Moacyr do Trabalhador

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Moacyr Luz, compositor, intérprete, produtor musical e escritor, não mede esforços em valorizar a cultura carioca e o bom samba. Prestes a completar 50 anos, ele está lançando seu nono CD: "Batucando" neste mês de fevereiro, com show de estréia no teatro Rival.

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Moacyr Luz se despertou para a música ainda adolescente, após a morte de seu pai, numa tentativa de aliviar a dor da perda. Ainda garoto, acompanhava seu primo que estudava violão na casa da família onde morava o músico Hélio Delmiro.

Com 19 anos Moacyr grava sua primeira música com a cantora Lana Bittencourt: "Eu me descubro". Além de fazer parcerias com músicos iniciantes, em 1984, Moacyr conhece Aldir Blanc, com quem possui 90 músicas gravadas em parceria até hoje. Além de Aldir, Moacyr compôs e tocou com Paulo César Pinheiro, Luiz Carlos da Vila, Hermínio Bello de Carvalho, Nei Lopes, João Nogueira e Martinho da Vila e teve várias de suas composições interpretadas por artistas do quilate de Beth Carvalho, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Nana Caymmi, Ivan Lins, entre outros.

Discografia de respeito

Ao lançar seu primeiro CD, "Moacyr Luz", em 1988, suas aptidões musicais ainda não haviam encontrado o gênero característico de seu repertório atualmente: o samba. Bastou um ano após sua primeira gravação para Moacyr Luz ganhar o prêmio "Sharp" de melhor canção popular de 1989 com a composição "Coração do Agreste", gravada por Fafá de Belém.

Em 1995, nos festejos de dez anos de sua inquebrantável parceria com Aldir Blanc lança "Vitória da Ilusão" selo no qual possui participação decisiva de Beth Carvalho, amiga e intérprete do cantor. Além da faixa-título "Vitória da Ilusão" que dá nome ao CD cantada por Beth Carvalho, sambas como "Mico Preto", gravada por Gilberto Gil – que virou título de novela – ainda há "Saudades da Guanabara", principal samba da carreira de Moacyr onde presta homenagem ao Rio de Janeiro em parceria com Paulo César Pinheiro. O disco ainda reverencia Nelson Sargento em "Flores em Vida".

 Aos poucos Moacyr começou a participar de shows com Élton Medeiros e João Nogueira que percorriam o Brasil. Foi quando surgiu o terceiro selo "Mandingueiro" (1998), considerado por ele mesmo o disco divisor de águas de sua carreira. Nele brota um samba incrementado por cavaquinho, violão, bandolim, violão de sete cordas, pandeiro, surdo, cuíca e tamborim, clássico nas rodas de samba. O repertório traz homenagens a Zeca Pagodinho em "Anjo da Velha Guarda" e "Cachaça, árvore e Bandeira" ao mangueirense Carlos Cachaça, também gravado pela Velha Guarda da Mangueira.

No ínterim de 1998 a 2001 Moacyr Luz se torna produtor musical e desenvolve o CD "vida noturna", do seu eterno parceiro Aldir Blanc, e "Esquina Carioca - uma Raiz do Samba" no ano 2000. O disco "Esquina" consegue vender expressivas 30 mil cópias e ainda estoura a música "Pra que pedir perdão", um samba de Moacyr e Aldir bastante popular nas rodas de samba do Rio de Janeiro.

No seu quarto disco, "Na Galeria" (2001) Moacyr regrava músicas de Mário Lago, Pixinguinha, Cartola, Noel Rosa:

— Músicas que não fizeram tanto sucesso na sua época e foram engavetadas, mas de tanto valor para mim que decidi gravá-las — conta.

Mas a aliança definitiva com o samba veio em 2003 em "Samba da Cidade", onde Moacyr se apresenta com Matinho da Vila, Wilson Moreira, Nei Lopes, Wilson das Neves, Paulo César Pinheiro e Luis Carlos da Vila.

Samba do Trabalhador

Em 2005 o compositor ainda grava mais dois CD´s e inaugura o "Samba do Trabalhador" no Clube Renascença de Vila Isabel, em plena tarde das segundas-feiras. Apesar da hora e o dia da semana, a roda de samba chega a reunir 2.000 pessoas em datas especiais com pessoas do Brasil inteiro. O evento ganhou tamanha notoriedade que virou o CD "Renascença Samba Clube" gravado em show no Canecão. E para não desmerecer aqueles que não podem se desvencilhar do trabalho em plena segunda-feira, Moacyr Luz esquenta as noites das sextas-feiras no Clube Santa Luzia no concorridíssimo Samba da Laje.

Entre um trabalho e outro ainda surge outro trabalho: "A Sedução Carioca do Poeta Brasileiro", produzido por Moacyr com o intuito de distribuí-lo em escolas e bibliotecas, mas que acabou sendo comercializado para colecionadores e admiradores. Esse trabalho transforma em música obras de poetas como Ferreira Gullar, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e Mário de Andrade, acompanhado do sexteto de choro Água de Moringa.

Incansável Trabalhador do samba

Seu novo CD "Batucando", gravado pela "Biscoito Fino" foi lançado em janeiro. Moacyr luz pôde consolidar sua carreira, haja vista as participações especiais em quase todas as 12 faixas contidas no disco. "Batucando" foi a possibilidade de trabalhar com uma estrutura de melhor divulgação e distribuição. No selo, com show de estréia marcado para os dias 13 e 14 de fevereiro no Teatro Rival do Rio de Janeiro, ele teve participações especiais de Zeca Pagodinho, Alcione, Mart´nália, Paulo César Pinheiro, Wilson das Neves, Beth Carvalho, Martinho da Vila, Aldir Blanc, Hermínio Bello de Carvalho Ivan Lins, Luis Melodia. "Um trabalho que não tem preço pra minha carreira, algo pra posteridade. Aliás, quis mostrar minha disposição pra trabalhar ao gravar doze músicas inéditas. Eu podia estar recorrendo pelo fato de fazer 50 anos de idade ao inventário de carreira, mas quis mostrar vigor e juventude. As portas estão se abrindo, pois eu fiz essas músicas para serem ouvidas e não simplesmente por serem músicas inéditas. Eu sou um compositor popular", conclui. 

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