A história de Lei Feng - Servir ao povo de todo o coração

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http://www.anovademocracia.com.br/50/22b1.JPGQuem assiste ao filme revolucionário chinês Lei Feng fica com a nítida impressão de que seu propósito é interferir na luta ideológica que ocorria no momento de sua produção, meados da década de 1960. Na ocasião, o movimento comunista internacional vivia uma batalha de vida ou morte entre o caminho revolucionário, sustentado pelo Partido Comunista da China e o caminho da restauração capitalista, vanguardeado pelo Partido Comunista da União Soviética.

Apresentavam-se questões e problemas sobre a continuidade da luta de classes sob o socialismo e quem seriam os continuadores da revolução, dado seu caráter prolongado. A luta por seguir o caminho socialista e varrer o revisionismo necessita sempre de muitos quadros temperados no fogo da batalha. Esta tarefa havia tido um relativo êxito no período de construção do Partido Comunista, da guerra popular e até no período imediatamente após a libertação, quando Lei Feng era uma criança camponesa que sofria a opressão da velha sociedade. Filho de camponeses teve o pai morto pelos japoneses durante a guerra e a mãe se suicidou por não suportar o assédio do latifundiário. Sua aldeia foi libertada em 1949 e com isso sua vida mudou, assim como a de milhões como ele.

O Partido Comunista assumiu sua educação e o instruiu nos princípios enunciados pelo Presidente Mao de servir ao povo com abnegação, desprezar as facilidades, perseverar no estilo de vida simples e luta dura e uma série de outros ensinamentos de grande importância.

O problema central colocado no filme é a formação dos continuadores da revolução, uma vez que os jovens não enfrentaram na pele as amarguras da velha sociedade, mas o inimigo de classe continuava atuando, agora da forma mais sorrateira possível, infiltrando-se e ocupando postos chaves no Estado e mesmo no Partido Comunista.

O filme tenta através do exemplo de Lei Feng, influenciar a nova geração, formando novos sucessores. O roteiro tem como referência o texto Servir ao povo do Presidente Mao Tsetung, onde é citada a homenagem póstuma ao carvoeiro Tcham Se-te. O Presidente Mao chama a atenção para o fato de que a morte de quem serve ao povo com abnegação tem o peso de uma montanha, enquanto a morte de um reacionário pesa menos que uma pluma.

Lei Feng era então um jovem soldado do Exército Vermelho, servindo em uma unidade de transporte. Nunca havia participado de um combate, mas não se furtava em travar a mais dura luta ideológica contra o revisionismo, não no discurso, mas nos atos. Mal chegava de uma longa viagem de entrega e já ajustava o caminhão, porque no dia seguinte "teria de fazer outras coisas". Brincava com as crianças, contava-lhes histórias, ensinava-lhes o que sabia e era retribuído com sua simpatia e afeto. Tamanho era o seu exemplo para as novas gerações, que Lei Feng foi promovido a líder dos "pioneiros", servindo como instrutor na forja dos filhos da República Popular da China.

Certa vez, ao passar por uma construção, gripado, promoveu uma competição para ver quem carregava mais carriolas de tijolos e como era seu costume, saiu antes dos agradecimentos. Não esperava reconhecimento, muito menos agradecimentos. Queria apenas servir. Não era, no entanto, subserviente, era altivo e consciente de seu papel.

A história tem várias cenas emblemáticas da luta ideológica. Quando o exército de Chiang Kai Check tentou novamente invadir a China, a primeira reação de Lei Feng, que nunca havia disparado sua arma em um combate, é procurar o comandante para saber se sua unidade irá lutar. Sua frustração é evidente quando recebe a negativa e então se dá um debate sobre servir o povo. Seu instrutor explica a importância do trabalho que realiza, mostrando-lhe que, quer na trincheira quer na mina de carvão, todos os que lutam pela revolução são indispensáveis. Lei Feng faz uma autocrítica e se dedica mais ainda ao trabalho.

As meias monumentais

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Suas meias esfarrapadas eram motivo de intermináveis brincadeiras por parte de seus camaradas mais próximos, haviam "milhares" de remendos sobre remendos e ele se recusava obstinadamente a trocá-las. Um amigo chegou a dar-lhe meias novas e ele as recusou. Guardava praticamente todo o dinheiro que recebia de soldo, não para nutrir sonhos individuais, mas para ajudar quem necessitasse. Afirmava que a vida no quartel era boa o suficiente e não precisava de mais nada.

Quando levavam ajuda a uma localidade atingida por uma enchente, Lei Feng ouviu uma conversa do diretor sobre as dificuldades e necessidades pelas quais passavam naquele lugar. Lei Feng então pega todas as suas economias e deixa em um envelope sobre a mesa, indo embora em seguida. A secretária vê o dinheiro, as meias de Lei Feng esquecidas ali por seu amigo e mostra ao diretor. Os dois saem e alcançam o caminhão para devolver o dinheiro à Lei Feng. Como ele se recusa, perguntam se quer que os envie para sua casa, se ele tinha um lar, ao que ele responde:

— Claro que tenho um lar. O Partido e o Presidente Mao são como meus pais. Os povoados são meu lar. Tenho lares por todo o país. Agora, um de meus lares sofreu uma inundação. Tenho o dever, a obrigação, de ajudá-los no que puder.

O diretor, veterano do Exército Popular de Libertação, aceita o dinheiro e pede para ficar também com suas meias remendadas, como um símbolo de sua conduta, dizendo:

— Camarada Lei Feng, como soldado veterano, estou orgulhoso de que gente como você me suceda.

Wang Dali, companheiro de Lei Feng, ao chegar à sua aldeia de licença, resolve seguir o exemplo de Lei Feng, e parte para o trabalho de reconstrução de um dique destruído pela enchente, desprezando o cansaço e trabalhando denodadamente. No caminho de volta à unidade, no trem, fica sabendo a morte de Lei Feng, atingido por um poste telefônico quando estava na carroceria de um caminhão. Todos comentavam suas atitudes tratando-o como o herói que era, não o herói da guerra de libertação, mas o herói da construção do socialismo, da abnegação e da consigna de servir ao povo de todo o coração.

Um exemplo de validade universal

Lei Feng não é só um exemplo para a China, mas para todos os países, não só para a construção do socialismo, mas para todas as épocas. Sua abnegação, seu senso de justiça são um patrimônio a ser cultivado em todos, não se tratava de solidariedade cristã nem de caridade, mas de algo muito mais profundo, o objetivo de chegar ao comunismo forjando o homem novo em si mesmo e na sociedade. Logicamente a educação socialista e o fato de se poder sobreviver praticamente sem salário, dão uma dimensão maior que a educação individualista e um salário que mal dá para sobreviver. Mas "Lei Fengs" não faltam em todos os recantos do mundo, no seio das classes oprimidas.


Nota:
Em breve, AND disponibilizará o filme em seu site www.anovademocracia.com.br

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