Peru: Guerra Popular dá novo salto

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Em meio a uma das maiores crises da história do Estado peruano e de um crescente protesto popular, ações contundentes do Exército Popular de Libertação dirigido pelo Partido Comunista do Peru – PCP estremecem toda a velha ordem, convocam e anunciam luminosas perspectivas para as massas populares.

Crise, corrupção e protesto popular

http://www.anovademocracia.com.br/50/18a1.jpgO velho Estado peruano está convulsionado pela profunda crise do capitalismo burocrático. Sua estrutura apodrecida é exposta para todos verem cada vez mais entre os mafiosos círculos de poder, os grampos feitos pelas Forças Armadas a fim de beneficiar contratos obscuros com empresas petrolíferas, lobby de ministros que envolvem desde Alan García ao duo Fujimori-Montesinos.

Escândalos de corrupção atingem os altos círculos de poder do velho Estado peruano e desmascaram um genocida e corrupto Alan García que conta com mais 81% de rejeição. Denúncias desmascaram os sucessivos crimes de guerra contra-revolucionária cometidos pelo gerenciamento de García e depois Fujimori contra o povo pobre peruano e o PCP (anos de 1980/1990).

A fome no país cresceu de 26 a 32% segundo últimas cifras do INEI (Instituto Nacional de Estatística e Informática). Cerca de 80% dos camponeses das serras peruanas vivem com pelo menos uma necessidade básica insatisfeita.

Uma onda de protestos de professores, estudantes, mineiros e camponeses abala o país. Protestos de moradores da Tacna (região Sul do país) contra a aprovação de uma nova lei que retiraria cerca de US$ 117,8 milhões em recursos ligados à mineração da região criaram no segundo semestre um vazio de poder do velho Estado na região.

Representantes do velho Estado peruano decretaram estado de emergência em toda a região alegando que as manifestações estariam infiltradas por radicais que querem atingir diretamente a "democracia" em todo país.

Impossível conter a Guerra Popular

http://www.anovademocracia.com.br/50/18a2.jpgDurante todo ano de 2008 foram dezenas de ações do Exército Popular de Libertação — EPL, entre ações de propaganda armada, com distribuição de panfletos e assembléias em aldeias camponesas, justiçamentos de inimigos do povo e ataques a helicópteros e comboios militares, sem notícias de baixas entre o EPL. O PCP rechaça campanhas de cerco e aniquilamento do imperialismo e convulsiona o velho Estado peruano e suas desmoralizadas Forças Armadas.

A imprensa reacionária, em seu frenesi anticomunista, saca rapidamente de suas cartilhas ianques de contra insurgência o rótulo de narcoguerrilheiros, de "surpreendentes relações de financiamento da guerrilha pelo narcotráfico". Chegam a afirmar que o "Sendero Luminoso (designação dada ao PCP pelos reacionários) teria perdido seu viés ideológico dos anos 80, para se tornar um bando narcoguerrilhero, ao estilo FARC". Mas os fatos revelam uma outra situação de organização crescente das massas lideradas pelo PCP.

PCP-EPL derrotam ofensiva contra-revolucionária

No dia 30 de agosto de 2008, sob as ordens diretas do comando Sul das F.F.A.A. dos Estados Unidos, as Forças Armadas peruanas iniciaram o denominado "Plano de Operação Excelência", reunindo tropas especiais de elite, contando com farto armamento e equipamentos vindos diretamente do USA. A operação reuniu cerca de 2.500 homens, em seis bases militares em uma campanha de cerco e aniquilamento com o objetivo de combater a Guerra Popular, na região designada como Vale dos rios Ene e Apurimac — VRAE.

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Localização: Vale dos Rios Apurímac e Ene (Vrae),
que abrange os departamentos de Ayacucho, Junín e parte da Amazônia.

Em outubro, apenas dois meses do início da mega operação, o tão falado "Plano Excelência" é encerrado com dezenas de baixas entre as forças reacionárias, e sem nenhuma baixa no EPL.

A fim de encobrir suas fragorosas derrotas para o EPL, o genocida Exército peruano, assassinou cerca de 11 pessoas em Mayobamba-irquis, Putis e Puriqyacu, apresentados como membros do EPL.

Após a derrota de suas já desmoralizadas Forças Armadas, Alan García, através do plano "Novos Horizontes", aprovou decretos que permitem um maior ingresso de tropas e equipamentos ianques no combate a Guerra Popular. Conforme afirmou o novo chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Peru, General Francisco Contreras, o principal objetivo das Forças Armadas de seu país é a "derrota definitiva" do "Sendero luminoso".

No princípio de janeiro passado, o governo prorrogou por 60 dias o estado de emergência em várias províncias de Ayacucho, Junin e Cuzco e criou oficialmente a região militar do VRAE que permite um maior aparato para as Forças Armadas. Durante a emergência ficam suspensos os direitos constitucionais de liberdade e segurança individual, a inviolabilidade de domicílio e a liberdade de reunião e de trânsito.

Inegável é o fato de que após os duros reveses sofridos e de quase 29 anos de Guerra Popular o PCP vem fazendo cacos os planos de capitulação e destruição da Guerra Popular e avança mais e mais em meio a um caudaloso protesto popular, do qual é a parte mais avançada, com contundentes ações armadas através do EPL.

Ações do EPL no segundo semestre de 2008

http://www.anovademocracia.com.br/50/18a3.jpg12/08 — um destacamento do EPL realiza uma ação de agitação e propaganda armada, fazendo evacuar as instituições da justiça oficiais e realizando pichações na cidade de Huancayo.

20/08 — Unidades do EPL atacam uma base militar em Huanta, Ayacucho.

23/08 — O EPL realiza pichações e distribui uma grande quantidade de panfletos nos povoados de Viracochán, Ayahuanco e Santillán, em Ayacucho. 

 8/09 — EPL realiza emboscada que resulta em quatro soldados feridos, na selva de Vizcatán, Ayacucho.

12/09 — Uma companhia do EPL embosca uma patrulha militar, do batalhão anti-subversivo, ferindo gravemente um soldado.

14/09 — Na desembocadura dos rios Vizcatán e Bidón, uma patrulha militar foi emboscada pelo EPL, um suboficial e dois sargentos ficam feridos.

15/09 — Em um bairro de San Martín de Pangoa, na província de Satipo, Junín, unidades do Exército reacionário são emboscadas pelo EPL. Seis agentes reacionários ficam feridos.

16 /09 — Emboscada do EPL em Mazángaro, San Martín de Pangoa, feriu uma suboficial do PNP.

17/09 — Em Torocoya um soldado foi ferido em uma batalha com o EPL.

19/09 — Na selva, em Vizcatán, uma batalha entre uma força de elite da reação e forças do EPL resultou em um capitão, um sargento e um soldado gravemente feridos.

21/09 — Dois agentes das Forças Especiais da FAP são atingidos por uma mina colocada pelo EPL, perto de Drum (Ayacucho).

26/09 — No distrito de Pillco Brand (Huanuco) o EPL realiza uma enorme distribuição de panfletos e colocação de bandeiras em comemoração ao aniversário do discurso do Presidente Gonzalo. Os panfletos denunciam o capitulador Artemio, e reafirmam a Guerra Popular.

5/10 — Um destacamento do EPL aniquila um elemento contra-revolucionário na cidade de Cerro Azul, no departamento de Huánuco.

8 /10 — Um destacamento do EPL ataca a base militar no desfiladeiro de Satipo Mazangaro, fronteira entre Junín e Ayacucho. Os guerrilheiros abriram fogo contra soldados de uma patrulha do Exército fascista peruano. Um soldado morreu e 17 ficaram feridos.

9 /10 — Uma companhia do EPL emboscou um comboio do Exército reacionário em uma estrada perto de Tinta y Punco, no departamento de Huancavelica, causando 19 mortos e vários feridos entre os reacionários. Foram conquistados também 20 fuzis Galil e munições.

14/10 — O EPL embosca uma patrulha do PNP, na província de Leoncio Prado, no departamento de Huanuco, um oficial de inteligência é morto é outro é gravemente ferido.

14/10 — Uma patrulha que pertence ao Comando Especial do VRAE foi emboscada pelo EPL, morrem dois sargentos do Exército reacionário, outros cinco militares, incluindo um oficial, ficaram feridos gravemente.

22/10 — Uma companhia do EPL invadiu o campo de exploração mineira de Puca Toro, projeto situado na fronteira entre o distrito de Cobriza Ayahuanco-Huanta, apreendendo uma grande quantidade de abastecimentos, incluindo dinamite. O EPL realizou uma reunião com os trabalhadores explicando a política do Partido.

30/10 — Um tenente e um sargento das Forças Especiais do Exército peruano foram gravemente feridos após pisarem em uma mina antipessoal quando vasculhavam a selva de Vizcatán. Nesta emboscada do EPL, um soldado em um dos helicópteros do Exército também foi ferido.

29/12 — Um soldado morreu e dois ficaram feridos em um confronto com o EPL, elevando para 25 as vítimas das forças contra-revolucionárias em 2008.

Fonte: Correo Vermello notícias, com informações da imprensa peruana

Um breve histórico da Guerra Popular

http://www.anovademocracia.com.br/50/18a4.jpgNenhum processo revolucionário na América Latina alcançou tamanha amplitude e profundidade entre as massas oprimidas como a Guerra Popular do Peru. O Partido Comunista do Peru – PCP foi fundado em 1928 (como Partido Socialista -PS) por José Carlos Mariátegui, grande marxista e dirigente comunista peruano e internacional. Após a morte de Mariátegui, o Partido é tomado por posições revisionistas. Somente nos anos 60, inicia-se uma grande luta contra o revisionismo vanguardeada pelo Dr. Abimael Guzmán que, retomando a Mariátegui, a partir dos aportes dados pelo presidente Mao Tsetung, reconstitui o Partido para iniciar a Guerra Popular, logo se assumindo enquanto Partido Comunista Marxista-leninista-maoísta.

A Guerra popular tem início em 1980 e seu marco inicial é o dia 17 de maio quando, através de ações armadas no departamento de Ayacucho, uma dos mais pobres do Peru e da América Latina, o Partido Comunista do Peru se declara reconstituído. A Guerra Popular se desenvolve rapidamente nas regiões da Sierra Centro-Sul sob a direção do Dr. Abimael Guzmán, conhecido por Presidente Gonzalo.

Em meados dos anos de 1980 a repressão passa a ser exercida diretamente pelas Forças Armadas, produzindo massacres contra massas populares, além dos grupos paramilitares como o "comando" Rodrigo Franco e as chamadas "rondas campesinas", grupos armados de camponeses a serviço das Forças Armadas pagos para combater o PCP e a Guerra Popular.

 No dia 19 de junho de 1986 são executados os massacres nas prisões de Lurigancho, El Frontón e Santa Bárbara, todas em Lima, onde o governo do então (e atual) presidente Alan García, ordena o bombardeio contra prisioneiros de guerra do Partido Comunista do Peru que resistiam desde as prisões, denominadas de Luminosas Trincheiras de Combate. Esse episódio terminou com a morte de mais de 250 presos políticos. A partir de então o PCP define o dia 19 de junho como Dia da Heroicidade para ser celebrado em todo o mundo em homenagem aos mártires caídos dentro dos presídios.

Nos fins dos anos de 1980 e início dos de 1990 a Guerra Popular se expande por todo país e se amplia na região metropolitana da capital Lima, onde se desenvolve em praticamente todos os bairros, categorias profissionais, escolas, fábricas, etc. Através da luta das massas e das ações do Exército Popular de Libertação, o PCP declara ter alcançado o equilíbrio estratégico.

Em 1992, num engendro da CIA, Alberto Fujimori lidera um "autogolpe", decretando estado de emergência em todo o país. A maior parte da direção do PCP é presa pela contra-revolução, sendo capturado em setembro o Presidente Gonzalo, bem como centenas de quadros dirigentes do Partido. Surge uma nova linha revisionista capitulacionista nas prisões, que propõe acordos de paz com o velho Estado, com a apresentação das chamadas "cartas de paz". Apesar dos duros golpes sofridos, o Partido reorganiza sua direção e segue dando lutas contra o revisionismo e prossegue a luta armada revolucionária desenvolvendo e retomando contundentes ações com a invencível Guerra Popular Prolongada.

Os mortos falam

Centenas de cadáveres revelam campo de torturas e extermínio no Peru

Sobreviventes do quartel Los Cabitos, no Peru, denunciam que lá foi um centro de torturas e extermínio das forças de repressão do Estado peruano. As denúncias se concretizam na medida em que são descobertos mais cadáveres enterrados clandestinamente nessa instalação militar de Huamanga, capital da região de Ayacucho.

Los Cabitos foi sede principal da Frente Político-Militar de Ayacucho durante a guerra interna (1980-2000). Ali, altos comandos do exército planejaram as operações para enfrentar o PCP, mas serviu também como prisão, lugar de tortura e assassinato de suspeitos de pertencer à insurgência.

Em janeiro último foram desenterrados 11 cadáveres, somando até o momento 97 corpos, porém ainda há muito que escavar. Em 25 de abril de 2008, peritos do Instituto de Medicina Legal (IML) encontraram quatro fornos crematórios com restos de ossos, confirmando a declaração das testemunhas.

Entre 1983 e 1985 o Comando Político-Militar de Ayacucho, estava sob o comando dos generais Clemente Noel, Wilfredo Mori e Adrian Huamán. Estes dois últimos enfrentam atualmente processos por outros casos de violações aos direitos humanos, e o primeiro já morreu.

Na cova recentemente descoberta, foram encontrados cartuchos de fuzis FAL junto com os corpos. Os crânios das vítimas apresentavam perfurações com projeteis dessa arma, que era de uso comum no exército na década de 1980. De acordo com os exames dos corpos, na maioria dos casos as pessoas foram executadas a curta distância.

Em 2004 o jornalista peruano Ricardo Uceda publicou em seu livro Morte no Pentagonito: Os cemitérios secretos do exército peruano o testemunho do ex-agente do Serviço de Inteligência do Exército, Jesús Sosa, sobre a ordem que recebeu para desenterrar os corpos e queimá-los diante da possibilidade de que autoridades investigassem o local.

No livro ele conta que, como havia participado das seções de tortura e extermínio, sabia onde os corpos estavam enterrados, e que o número de pessoas assassinadas passava de 500.

Outro denunciante das execuções em Los Cabritos é Edgar Noriga, que foi detido em sua casa por um grupo de militares em 1º de julho de 1983 e levado ao centro de torturas acusado de pertencer ao PCP. A esposa de Noriega, Olga Gutiérrez, grávida, também foi presa para que confessasse quem era o "cabeça" do PCP. Os militares espancaram sua esposa diante de seus olhos.

As autoridades peruanas começaram a recolher amostras de DNA das pessoas que afirmam que seus pais, irmãos e filhos foram detidos pelos militares e levados a Los Cabitos, de onde jamais saíram. O ex-chefe do IML, Luiz Bromley, calculou que em Los Cabitos havia milhares de cadáveres. Ou seja, não foram encontrados nem 10%.

Com dados de IPS

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