União Européia articula nova ofensiva sobre a América Latina

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Na América Latina, a União Européia escolheu como abre-alas para a estratégia "Europa Global: competir a nível mundial" justamente os governos do Peru e da Colômbia, formados pelos representantes da direita latino-americana mais torpe, que são comprometidos única e exclusivamente com o gerenciamento da corrida imperialista e a repressão genocida que praticam em nosso continente. Agora que a nova estratégia neocolonial européia está prestes a aportar aqui em meio à atual crise da economia capitalista, é preciso denunciar sua natureza criminosa, bem como estar alerta sobre os governantes que costumam apresentar como "desenvolvimento econômico" o que não passa de entreguismo, o velho e trágico entreguismo.

A Comissão Européia, instituição responsável por fazer valer as decisões do Parlamento Europeu e do Conselho da União Européia, está empenhada em avançar nas negociações para a assinatura de um tratado de livre comércio com a Colômbia e o Peru. Os imperialistas europeus solicitaram, e em meados de janeiro os dois países latino-americanos enviaram "comissões técnicas" para fazer o calendário dos acertos andar logo.

À primeira vista, trata-se de mais um em meio a tantos conchavos entre o poder econômico de lá e seus esmerados gerentes de cá, escolhidos por meio de arranjos partidários e farsas eleitoreiras organizadas pelas elites locais. Mas esta roubada na qual o peruano Alan García e o colombiano Álvaro Uribe tentam agora envolver seus países é particularmente grave, porque foi arquitetada em Bruxelas já no âmbito da estratégia "Europa Global: competir a nível mundial".

A gravidade reside no fato de que esta "estratégia" se trata de um ambicioso programa de refundação das bases do neocolonialismo europeu. Ela vem sendo considerada mesmo a constituição comercial da Europa — a Europa do capital — que visa promover a entrada imediata, e de forma truculenta, das grandes empresas do continente nas chamadas "economias emergentes", tendo por objetivo central o acesso quase irrestrito aos seus recursos naturais, sobretudo energéticos.

Esta mais nova ofensiva do imperialismo europeu inclui expressamente na lista de alvos alguns setores que só recentemente vêm sendo considerados estratégicos, como a propriedade intelectual, e busca de maneira agressiva a desregulamentação em favor das grandes corporações britânicas, francesas, espanholas e alemãs.

O documento "Europa Global: competir a nível mundial" destaca o seguinte quanto à política comercial comum da União Européia:

"A indústria européia deveria ter acesso a recursos cruciais como a energia, as matérias-primas, os metais e a sucata, e esse acesso não deveria sofrer restrições a não ser por motivos ambientais ou de segurança. Nesse sentido, e sendo o acesso à energia essencial para a UE, esta deveria ter uma política coerente para assegurar um aprovisionamento energético diversificado, competitivo, seguro e sustentável, quer a nível interno (mercado energético competitivo e promoção de uma paleta energética sustentável, eficiente e diversificada) quer a nível externo (condições de trânsito não discriminatórias e de acesso de países terceiros às infra-estruturas de exportação, assistência a estes países para reforço das respectivas capacidades e infra-estruturas). Neste âmbito, a relação entre comércio e ambiente deveria ser consolidada, tendo em conta as incidências que o comércio pode ter sobre o ambiente, designadamente sobre a biodiversidade e o clima. Há que incentivar a eficiência energética, as energias renováveis e a utilização racional das energias".

O trabalhador não pode se iludir com esta peça exemplar do liberalismo politicamente correto. O que está por trás de todo este discurso aparentemente irrepreensível, e atualmente tão em voga — o de "energia sustentável", da "relação entre comércio e ambiente" e da "utilização racional das energias" — são os objetivos específicos e particulares de grandes capitalistas europeus e ianques que apostaram em fazer grandes negócios no setor de energias renováveis. Não por acaso, Obama anunciou que as energias alternativas aos combustíveis fósseis são elementos centrais do seu plano para revigorar a combalida economia do USA.

A utilização racional das fontes de energia, renováveis ou não, deve ser uma preocupação da classe trabalhadora se for para atender os seus anseios de emancipação. Quando esta urgência é instrumentalizada para atender as necessidades de dar fôlego ao capitalismo ianque ou de abertura de mercados para grandes empresas européias, o discurso da "paleta energética sustentável" deve ser categoricamente rechaçado.

Até porque se trata de uma contradição insolúvel, tendo em vista que a natureza da empresa capitalista é irracional e predatória, sendo impossível para ela se empenhar em atividades racionais e conservacionistas. Mesmo assim, infelizmente, o ambientalismo burguês virou a maior bandeira de certa "esquerda" oportunista, que não se cansa de levantar por aí a bandeira fajuta do desenvolvimento capitalista sustentável.

A estratégia "Europa Global: competir a nível mundial" foi aprovada pela Comissão Européia em outubro de 2006. Em novembro de 2008, no entanto, recebeu o reforço de um plano para facilitar a extração dos recursos naturais de países pobres, chamado "Iniciativa em Matérias Primas". Este plano prevê o seguinte:

"As medidas tomadas por alguns de nossos principais sócios comerciais para restringir o acesso a suas fontes de fornecimento destes produtos [desde energia até couros e peles] estão provocando grandes problemas a algumas indústrias da UE. A não ser que estejam justificadas por motivos meio-ambientais ou de segurança, deveriam ser eliminadas as restrições ao acesso aos recursos".

O objetivo é solapar o direito dos povos de manejar seus recursos de acordo com seus próprios interesses, a fim de garantir o abastecimento da indústria européia.

Esta agenda comercial da Europa do capital — social e ambientalmente predatória — não está para ser implementada apenas aqui na América Latina, mas também em países da África e da Ásia, com a conivência dos lacaios que vendem tudo que está sob sua jurisdição e embolsam o troco. Contra os imperialistas e seus cúmpli ces, é cada vez mais urgente resistir tanto aos tratados de entreguismo quanto ao papo-furado que agora chega até nós pintado de verde.

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