Eleições em Israel só interessam ao sionismo

A- A A+
 

Enquanto prossegue a agressão sanguinária de Israel contra o povo palestino sob o silêncio lúgubre de todo o monopólio das comunicações, desenrolou-se mais um processo farsante onde os grupos de poder em Israel decidiram os postos da gerência pró-ianque que seguirão sorvendo o sangue das massas populares da palestina. A Resistência Palestina impede com heroísmo que o Estado sionista-fascista de Israel massacre e expulse seu povo e, em meio aos combates, toma iniciativas para reconstruir seu país.

http://www.anovademocracia.com.br/51/15a.JPG

A OLP1, quase que composta exclusivamente pela Al Fatah2, aliás vem de décadas de colaboração com Israel3. Seu líder, Mahmoud Abbas, gosta de dizer que "A OLP é o único representante legítimo do povo palestino", mas sua legitimidade termina no exato instante em que a OLP reconhece a existência e aceita a presença dos invasores nas terras que pertencem ao povo que diz representar, comprometendo-lhe assim um outro direito, o de continuar resistindo ao colonialismo estrangeiro.

Pois os palestinos têm sim o direito de resistir à truculência sionista com todas as forças e recursos de que dispõem. É preciso inclusive apoiá-los na recusa a aceitar esta paz de mentira que tentam lhes impor, a esta bandeira branca manchada de sangue que tentam lhes empurrar goela abaixo, à mentira de que Israel tem o "direito de existir" enquanto força estrangeira que transformou os legítimos habitantes da Palestina em refugiados sem direitos, para depois chaciná-los com tiros, mísseis ou armas químicas.

A última farsa eleitoral organizada pelos grupos de poder israelenses foi tão picareta que sequer foi conclusiva. Ninguém abocanhou os 61 lugares no Parlamento que garantem a maioria absoluta para a formação do governo, e novamente as políticas sionistas de morte serão gerenciadas mediante os conchavos acertados entre os senhores — e senhoras — da guerra dos partidos Likud e Kadima. O resultado inconclusivo das urnas já foi usado por Barack Obama como pretexto para avalizar a impunidade. O novo comandante do imperialismo ianque já disse, chegando ao limite da hipocrisia, que a provável formação de um governo de direita representará um passo atrás para o que chama de "processo de paz".

Acordo no Egito

Reunidos no Cairo e tendo como mediador uma comissão egípcia, a Al Fatah, o Hamas4 e outras organizações da resistência Palestina anunciaram em 26 de fevereiro uma acordo para um governo de unidade até o fim de março e para a reconstrução da Faixa de Gaza. O acordo prevê a criação de comissões encarregadas de preparar e planejar a realização de novas eleições, discutir o futuro da OLP, a reconciliação nacional, entre outras tarefas.

A Frente Popular para a Libertação da Palestina — FPLP5, que há décadas compõe a Resistência Palestina, também celebrou o acordo, mas manifestou ceticismo. Marwan Fahoum, membro do birô político da FPLP explicou que "a FPLP vê o conflito árabe-sionista como um que não pode ser concluído, ou terminado com a criação do Estado palestino, mas apenas com o estabelecimento de uma democracia secular sobre todas as terras da Palestina histórica, com igualdade para todos os seus povos".

Por sua vez, a Frente Democrática para a Libertação da Palestina — FDLP6 manifestou grande satisfação pelo acordo. Seu secretário geral, Nayef Hawatmeh, declarou: "A divisão que deteriorou a situação palestina constituiu um perigo direto ao projeto nacional. Por isso tivemos uma iniciativa clara e franca contra a divisão e em defesa da unidade interna e do programa nacional palestino e da OLP".

Glossário da Resistência Palestina

1OLP — Organização para a Libertação da Palestina — congregava diversas organizações da Resistência. Posteriormente foi hegemonizada pela Al Fatah, dirigida por Yasser Arafat, e hoje, em colaboração com Israel e o imperialismo ianque, dirige a Cisjordânia apesar da vitória do Hamas nas eleições de 2006.

2 Al Fatah — Movimento de Libertação Nacional da Palestina — foi fundado em 1964 por Yasser Arafat e rapidamente passou a ser a corrente palestina majoritária, controlando a OLP, ainda com um programa de destruição do Estado de Israel e criação de um Estado laico que reunisse árabes e judeus. Posteriormente, Arafat capitulou, aceitando as exigências do imperialismo, reconhecendo a existência do Estado de Israel e instituindo a Autoridade Nacional Palestina sob as ordens do USA e Israel.

3Os Acordos de Oslo são o símbolo da capitulação do Fatah e de Arafat. Nesses acordos foi selada a colaboração com os sionistas, sendo o governo da Autoridade Palestina responsável pela repressão dos grupos que persistiram na resistência. A partir de então, o Fatah reconhece oficialmente a existência do Estado de Israel e abandona o programa de um Estado único binacional.

4Hamas — Movimento de Resistência Islâmica — foi fundado em 1987 e atacou várias vezes as forças sionistas, se utilizando inclusive de homens-bomba. Desenvolve também grandes programas sociais, como escolas, hospitais, bibliotecas, distribuição de alimentos e outros serviços que granjearam a simpatia da população da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Em 2006, visando desmoralizar o Fatah e a corrupção que dominava a Autoridade Palestina, participa das eleições parlamentares e conquista a maioria das cadeiras, mas é impedido de assumir o governo pelo Fatah, apoiado pelos sionistas e ianques. De fato, apenas a Faixa de Gaza ficou sob o controle do Hamas, que aumentou sua popularidade pela posição firme quanto à resistência. Sobretudo depois dos ataques genocidas de Israel contra a Faixa de Gaza em dezembro/janeiro, o Hamas se firmou na direção inconteste da Resistência Palestina.

5http://www.anovademocracia.com.br/51/15abox1.jpgFPLP — Frente Popular para a Libertação da Palestina — Fundada em 1967 por Jore Habache, declarou se guiar pelo marxismo-leninismo, mas já nasceu sob influência do revisionismo russo. Não reconhece o Estado de Israel. Promoveu várias ações armadas, inclusive o sequestro de aviões, procurando chamar a atenção sobre o problema palestino. Integrou a OLP, chegando a ser a segunda maior força da Resistência. Com a derrocada do social-imperialismo russo, a FPLP vê decair sua influência, mas volta a crescer no período da 1ª Intifada (2001). Participou das eleições legislativas em 2006, recebendo 4,3 % dos votos. Integrou a resistência durante os ataques israelenses de dezembro/janeiro.

6http://www.anovademocracia.com.br/51/15abox2.jpgFDLP — Frente Democrática para a Libertação da Palestina — fundada em 1969 por Nayef Hawatmeh, é uma dissidência da FPLP. Em 1974 a FDLP tornou-se partidária, junto com a OLP, da criação da Autoridade Palestina. Participou da 1ª e 2ª intifadas e seu braço armado, Brigadas de Resistência Nacional, teve heróica participação na resistência aos ataques de dezembro/janeiro.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja