Mulheres brasileiras saúdam Resistência Palestina com ataque ao consulado ianque

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Elas marchavam alegremente, generosamente, cheias de determinação. Elas iam a qualquer parte que fossem enviadas. Para a Guerra? Elas colocavam o quepe de soldado e tornavam-se combatentes no Exército Vermelho. Se elas portassem fitas vermelhas no braço, então corriam para as estações de primeiros-socorros para ajudar a Frente Vermelha contra Kerenski na Gatchina. Trabalhavam nas comunicações do exército. Trabalhavam felizes, convictas que alguma coisa significativa estava acontecendo, e que nós somos todos pequenas engrenagens na única classe revolucionária.
Nas aldeias, a mulher camponesa (os seus maridos tinham sido enviados para a Guerra) tomava a terra dos proprietários e arrancava a aristocracia dos postos onde ela se alojou por séculos".
Mulheres militantes nos dias da Grande Revolução de Outubro - Alexandra Kolonttai

http://www.anovademocracia.com.br/51/13a1.jpgNo dia 6 de março último o Movimento Feminino Popular — MFP celebrou, com uma manifestação vermelha nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, o 8 de março, Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. 300 pessoas, a maioria absoluta de mulheres, mas também com a presença de operários, professores, camponeses e estudantes, marcharam da Candelária até o consulado ianque com bandeiras vermelhas e faixas saudando a Heróica Resistência do Povo Palestino.

Preparativos

Nada de tons de púrpura ou distribuição gratuita de rosas. Nada de proclamações raivosas contra todos os homens ou pela libertação sexual. Militantes do MFP já expuseram em diversas ocasiões, algumas delas em  AND, a sua linha política, deixando claro que a luta das mulheres trabalhadoras é pela emancipação da mulher, uma luta contra o que caracterizam como "a quarta montanha de opressão" que pesa sobre todo o povo, além do capitalismo burocrático, do imperialismo e do latifúndio. AND foi convidado a acompanhar passo a passo a construção da manifestação, desde seus antecedentes, com a preparação e agitação nas vilas e favelas do Rio de Janeiro. Mulheres e homens, ombro a ombro, percorreram casas simples do povo, ruas movimentadas, comércios, escolas, esclarecendo dúvidas, convidando o povo do Rio de Janeiro a expressar nas ruas a solidariedade com o povo palestino, marcando com um protesto antiimperialista o dia de luta das mulheres trabalhadoras em todo o mundo.

Pavão-pavãozinho, Cantagalo, Providência, Santa Cruz, Itaboraí, São Gonçalo. Esses nomes sempre figurarão na imprensa burguesa em tom raivoso e pejorativo, acompanhados de expressões como "bandidos", "traficantes" e "criminosos". Mas para o MFP é justamente nesses lugares, junto ao povo pobre e trabalhador, que se concentra a massa fundamental que, nas cidades, assumirá o papel principal na luta pela derrubada do velho Estado, destruindo as cadeias de opressão e exploração do homem pelo homem, destruindo a velha sociedade semifeudal, semicolonial e machista.

35 mil jornais do MFP foram impressos. Fruto de encontros, debates e reuniões, com o apoio de sindicatos e organizações classistas do Rio e de todas as localidades onde se organiza o MFP pelo país afora. O jornal falava da Resistência dos homens e mulheres palestinas, dos crimes do velho Estado contra o povo trabalhador, das lutas do povo nas vilas e favelas e contra a criminalização da pobreza, com uma chamada para o protesto do dia 6 de março.

Em São Gonçalo, um vídeo contra a criminalização da pobreza foi exibido em uma concorrida reunião com a presença de vários moradores. De porta em porta, brigadas de mulheres distribuíam o jornal do MFP. Em Santa Cruz, em uma tomada de terreno, várias reuniões prepararam uma delegação que lotou dois ônibus para a manifestação. Nos morros Pavão-pavãozinho e Cantagalo, por onde passavam as brigadas de propaganda do movimento, os moradores exibiam satisfeitos os jornais recebidos e alguns faziam questão de participar das panfletagens. As duas rádios comunitárias em várias ocasiões anunciavam a manifestação. Uma grande faixa respondia aos insultos do governador Sérgio Cabral: "As mulheres da comunidade Cantagalo e Pavão-pavãozinho não são fábricas de produzir marginais. SOMOS LUTADORAS!"

Nas escolas estaduais do Rio e de Niterói, cartazes e jornais convocavam as jovens estudantes para participarem da manifestação.

Dois caminhos

http://www.anovademocracia.com.br/51/13a2.jpgNo dia da manifestação, os ônibus conquistados com o apoio do movimento sindical classista partiram das favelas e locais de moradia rumo à concentração. As delegações chegaram separadas e, no local combinado, concentrava-se, sem que a organização do MFP tivesse conhecimento prévio, uma outra passeata, munida de um "elefante violeta" cujo som demonstrava muito mais potência que as suas ocupantes, transbordando feminismo burguês sobre um aglomerado de legendas (PSTU, PT, Psol, CUT, Conlutas, entre outros) com máscaras carnavalescas, flores e papel crepom, tudo na cor roxa.

Tratava-se de um conglomerado de oportunistas com palavras de ordem de um "Dia da Mulher", de uma "paz" despropositada entre exploradores e explorados, de uma impossível união entre burguesas e trabalhadoras, opressoras, exploradoras e exploradas.

Os dois caminhos em uma só concentração tomariam o mesmo rumo? De forma alguma. Resolvidos os últimos problemas, bandeiras vermelhas para cá, desfile oportunista para lá. A manifestação do MFP partiu deixando perplexa a parada lilás para trás. Não poderia ser de outra forma.

O protesto seguiu pela Avenida Rio Branco, uma das principais do centro do Rio, agitando as bandeiras. Uma grande faixa abria o protesto saudando o povo palestino e sua heróica luta de libertação. Na retaguarda, um grupo interrompeu a marcha. Uma expressão das lutas e contradições no seio do povo, que de tempos em tempos revelam as posições em confronto até se deslindar o caminho revolucionário. Entre as 80 pessoas vindas de Santa Cruz, duas lideranças reconhecidas pelas famílias questionavam a cisão com os oportunistas. Chamavam todos de Santa Cruz para voltarem. Ou essas duas pessoas não compreendiam a necessidade da cisão com o oportunismo para concretizar o objetivo daquele protesto, ou não desejavam de fato romper com o velho caminho burocrático-institucional.

Um jovem estudante dirigiu-se ao pequeno grupo que se formava e impedia a marcha de prosseguir. Foram poucas, porém impactantes palavras:

— Começamos isso juntos ou não? Aquela outra coisa lá atrás não é aquilo pelo que lutamos. Vocês acham que aqueles oportunistas vão denunciar a repressão que sofremos? Acham que eles vão defender a Resistência do povo palestino? Estão vendo alguma bandeira de luta lá? Eles não são somente diferentes de nós, são contrários ao nosso movimento. E agora, vamos nos unir a eles e nos guiar pelo atraso? Não! Nosso lugar é aqui, viemos para manifestar e vamos manifestar. Vamos todos voltar para junto dos companheiros e demonstrar para que viemos aqui! Vamos companheiros!

Todos se entreolharam com aprovação e retornaram já gritando palavras de ordem.

Em frente à Câmara dos Vereadores, uma oradora do MFP se destacou e fez uma agitação sobre a importância daquele ato, que representava a união das brasileiras e palestinas, que a luta do povo é internacional e não conhece fronteiras. As bandeiras do USA e do Estado fascista-sionista de Israel foram queimadas sob os gritos de "Fora de Gaza, Israel Fascista!".

O protesto prosseguiu dessa vez rumo ao consulado ianque. A esta altura a polícia já havia percebido que não precisava se preocupar com a concentração oportunista, dedicando-se exclusivamente à repressão ao protesto do MFP. Cercaram o consulado ianque para proteger a representação do Estado mais reacionário e do exército mais genocida do mundo. Mais uma vez, as bandeiras do USA e de Israel foram queimadas com ódio. Na saída do consulado, uma saraivada de pedras e garrafas com tinta vermelha partiu da manifestação, despedaçando vidraças e marcando aquela representação do imperialismo. Os seguranças fugiram apavorados e a polícia tentou amedrontar os manifestantes com armas em punho, ameaçando disparar. Organizados, os manifestantes se retiraram em bloco. Cinco jovens foram detidos. Três rapazes e duas moças que mantiveram postura altiva durante a detenção. Foram presos, mas cumpriram seu papel de jovens combatentes da justa causa da libertação dos povos. Dois rapazes denunciaram agressões e queixaram-se do furto do conteúdo de suas mochilas pelos PMs. Nossa reportagem registrou imagens dos jovens com suas mochilas sendo vasculhadas pelos policiais, que ainda permitiram que seguranças do consulado fotografassem os jovens detidos. Todos foram soltos na madrugada do dia 8 de março, após a proposital demora do oficial de justiça em cumprir a ordem de soltura dada pelo juiz às 18 horas do dia anterior.

Os jovens denunciaram uma série de abusos sofridos pela ação de policiais e agentes penitenciários truculentos enquanto estavam presos. Um deles foi agredido e ameaçado por policiais e as duas jovens não puderam dormir depois que um policial, propositalmente alagou a cela quando uma delas disse estar com sede.

O valente protesto de 6 de março, que não teve sequer uma linha registrada pelo monopólio dos meios de comunicação, respondeu com bravura às agressões do imperialismo, manifestando desde o Brasil a irrestrita solidariedade internacional entre os povos do mundo.

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