Lavagem de dinheiro não limpa sujeira do latifúndio

Complexo de latifúndios que englobam terras "adquiridas" em operações denunciadas como ilegais, reclamadas pela Agropecuária Santa Bárbara, ligada ao grupo Opportunity, pertencente ao banqueiro e latifundiário Daniel Dantas, foi tomado por centenas de famílias camponesas no sul do Pará. As massas camponesas querem terra. O monopólio da imprensa vendeu a versão da direção do MST, de que esta seria uma resposta às declarações arqui-reacionárias de Gilmar Mendes, do STF, contra a luta camponesa. O fato é que a luta das massas destampou um emaranhado de armações e novas válvulas de escape dos vastos recursos desviados pela corrupção e investigados pela operação Satiagraha.

Em 28 de fevereiro último mais de cem famílias camponesas tomaram uma parte da Fazenda Cedro, no município de Marabá, no sul do Pará. Este latifúndio faz parte das terras da Agropecuária Santa Bárbara, ligada ao banqueiro Daniel Dantas. As terras da Cedro já estavam ocupadas em outro ponto por outro grupo de famílias.

Na sequência,  outro latifúndio da Santa Bárbara, a Fazenda Espírito Santo, em Eldorado dos Carajás - PA foi tomada por centenas de camponeses. Um comunicado institucional desesperado do grupo, mesmo com o intuito de atiçar a repressão policial contra os camponeses, não pôde deixar de transparecer o pavor do latifúndio quando o grupo de famílias "pôs abaixo a portaria central da Fazenda Espírito Santo (Eldorado dos Carajás, PA) às 5 horas da manhã, gritando palavras de ordem e iniciaram a montagem de acampamentos e seguem em passo rápido em direção à sede da propriedade". E ainda "a Fazenda Espírito Santo, da Agropecuária Santa Bárbara, já estava invadida em dois outros pontos por cerca de 200 pessoas. Com esta nova invasão pela entrada principal da propriedade, o grupo assumiu o controle da guarita e ninguém entra e ninguém sai da fazenda".

O que o comunicado não tornou público foi o fato de que no dia 30 de janeiro último, a Justiça do estado do Pará havia bloqueado cerca de 10 mil hectares de duas fazendas da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, tornando-as indisponíveis para qualquer tipo de transação comercial. As terras, que pertencem ao estado, estavam sendo vendidas ilegalmente.

Uma declaração do procurador-geral do estado do Pará, Ibraim Rocha, dizia que "o que houve originalmente foi um aforamento, uma espécie de concessão para a exploração dos castanhais na região", e ainda: "o particular, além de alterar a destinação original, vendeu a terra, sem a anuência do Estado. Há várias ilegalidades nessa transação".

A Agropecuária Santa Bárbara ainda figura em relatórios da Polícia Federal a respeito da operação Satiagraha. A empresa englobaria um complexo de 15 latifúndios na região, que compreendem 510 mil hectares, além de 450 mil cabeças de gado. Fatos como esse levam a conclusão de que "já é possível dizer que existem fortes indícios de que os recursos estariam sendo lavados principalmente através da compra de fazendas e de gado",  conforme destacou em documento o delegado Ricardo Saadi, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da PF em São Paulo, que dirige os inquéritos da operação Satiagraha.

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