Líder de ocupação é executado por pistoleiros no Rio de Janeiro

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Há quase 10 meses mais de 250 famílias ocupam uma área na Avenida Brasil, na altura de Santa Cruz, que recebeu o nome de Ocupação Serra do Sol. Trata-se de uma tomada de terreno muito bem organizada, que luta por moradia em um dos países com o pior déficit habi-tacional do mundo. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios — PNAD — que em 2008 apontou um total de 19,4 milhões de brasileiros sem ter onde morar, um percentual de 14,5% da população.

As famílias da Serra do Sol são um exemplo claro da combatividade das massas frente a situação miserável de nosso povo e a evidente necessidade de encaminhar uma luta por moradia organizada em nosso país. Mais de 200 famílias que ocupam a área receberam uma proposta irrisória da Secretaria de Habitação para receberem o "aluguel social", outro projeto assistencialista promovido pelas gerências estadual e federal. Todas as famílias recusaram a proposta.

Além disso, bandos de pistoleiros — muitos deles policiais — com frequência vão ao novo bairro extorquir os moradores em troca de suposta proteção, prática comum em áreas dominadas pelos grupos paramilitares no Rio. Mesmo não sendo reprimidos pelos proprietários dos terrenos, o oportunista secretário de habitação Jorge Bittar - PT fez questão de assumir esse papel, declarando: "é rigorosamente necessária a expulsão das famílias e caso os proprietários não solicitem a reintegração de posse, diante de uma medida judicial, serão multados em 3 mil reais por semana".

Depois de todos esses fatos e da persistência das famílias em permanecer na área, a repressão mostrou sua face na manhã do dia 4 de março, quando um dos líderes da Serra do Sol, o ferroviário apo-sentado de 67 anos, José Carlos de Moraes, mais conhecido como Pepe, foi assassinado na porta da Associação de Moradores do bairro. Testemunhas contam que o pistoleiro chegou em um carro preto e disparou três vezes contra José Carlos. Usando uma arma com silenciador o atirador atingiu-o na cabeça e duas vezes no peito. O crime despertou a revolta de moradores que protestaram no enterro da vítima e no dia 6 de março participaram da manifestação pelo Dia Internacional da Mulher Trabalhadora aproveitando para exigir justiça pela morte de Pepé.

Moradores acreditam que a motivação do crime foi política, já que José Carlos era responsável pela procura de outros terrenos próximos a região, que também poderiam abrigar famílias que lutam por moradia, como as da Ocupação Serra do Sol.

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