Certidão do novo samba

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Casuarina é uma árvore imponente, de crescimento vertiginoso, introduzida em regiões litorâneas para a contenção dos fortes ventos marítimos e evitar o deslocamento de dunas. Casuarina é também o nome de uma rua no bairro Humaitá, no Rio de Janeiro, onde um grupo de jovens reunido em princípio para animar uma festa de reencontro dos tempos de colegial ensaiava seus primeiros sambas e choros, interpretando expoentes desses gêneros. O grupo musical Casuarina não se inspirou na árvore de origem australiana para batizar a banda. Tratou-se apenas de uma singela homenagem à sua origem, no ano de 2001. A nova geração da Lapa atende ao pedido final cantado por Alcione e não deixa o samba morrer ou acabar.

http://www.anovademocracia.com.br/52/23a.jpgCertidão é o título do segundo álbum do grupo Casuarina, que antes de se destacar nos palcos da Lapa e chamar a atenção dos ouvintes do bom samba ou dividir o palco com os grandes nomes do gênero, percorreu caminhos diversos. O grupo reuniu-se em princípio apenas com o objetivo de fazer uma apresentação na despedida da turma do colégio. A turma gostou, e o grupo mais ainda. Os ensaios na rua Casuarina foram apenas o começo, mas, para conseguirem uma primeira gravadora, o Casuarina caiu primeiro no gosto do público francês e holandês. Alguns amigos tomaram conhecimento de que naqueles países procuravam um grupo de música brasileira para apresentações e sugeriram o grupo. O convite foi prontamente aceito e abriu as portas para o reconhecimento.

O primeiro disco, Casuarina (2005), regravou sucessos do samba e, com ele, o grupo venceu o premio Rival 2006, um dos principais da música brasileira. O segundo disco, intitulado Certidão, foi gravado pela Biscoito Fino, com um conteúdo praticamente autoral. Das 14 faixas do selo, 10 foram compostas por seus integrantes.

 A despeito de serem um grupo com instrumentação de samba, os integrantes trazem na bagagem várias influências musicais e não têm pudores em misturar elementos de outros gêneros ao bom samba. Os integrantes têm histórias distintas, porém com a semelhança de serem impelidos, desde que se entendem por gente, a escutar música, sobretudo brasileira. Eles passaram a admirar, consumir e, consequentemente, fazer sambas convergindo com o ressurgimento da Lapa como reduto da música carioca.

João Cavalcanti, vocalista e percussionista do grupo, fala da sua preocupação em rechaçar a tese segundo a qual eles têm o papel de resgate do que estava imerso na música brasileira.

Acho que isso é prejudicial, porque se por um lado o samba teve períodos de menor notoriedade nas emissoras de TV e rádio, jamais deixou de ser cantado, tocado e mencionado. Percebo que o samba tem voltado a ocupar um espaço fundamental e atribuo isso, em grande parte, à visibilidade que essa geração de músicos, intérpretes e compositores da Lapa, da qual fazemos parte, vem conquistando com humildade e persistência comenta o músico.

Na opinião do grupo, a música Certidão, do disco de mesmo nome, corresponde ao grito de emancipação dos jovens músicos.

O grupo teve o privilégio de dividir o palco com grandes nomes da música brasileira. Apesar de não possuírem exatamente um padrinho, o Casuarina tem como mestre Wilson Moreira, um compositor cuja genialidade e generosidade com o Casuarina remonta desde que eles apenas eram um projeto de banda. A exemplo de Wilson, mestres como Nelson Sargento, Monarco, Dona Ivone Lara, Délcio Carvalho e Nei Lopes, já compartilharam apresentações com o grupo.

Além de atender a sua agenda de shows, o Casuarina participa do Samba em 4 tempos, com a participação dos grupos Galocantô, Batuque na Cozinha e Anjos da Lua, todos já entrevistados por AND. O evento resgata composições emblemáticas cantadas cronologicamente, contando a história do samba.

É uma delícia se deparar com sambas significativos, mas pouco conhecidos, e fazer com que cheguem à boca do nosso público, predominantemente jovem. Acho que essa é uma das missões mais importantes que temos aliada ao papel de renovação desse repertório. O Samba em 4 Tempos é um evento cuja força é maior do que as forças das quatro bandas somadas e isso cria atalhos para o samba chegar até o povo — afirma o músico.

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