Notícias do movimento camponês (52)

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Bando armado do latifúndio ataca no Ceará

O latifúndio Limoeiro está localizado na cidade de Pentecoste, norte do Ceará, às margens do rio Caxitoré, um afluente do rio Curu. Terra boa, afirmam todos os camponeses. Terra muito boa. E às margens de um rio! Tudo o que os camponeses precisam para produzir. Terra parada há 20 anos nas mãos do latifúndio. Um Limoeiro seco. Só a luta camponesa fez o Limoeiro ter esperanças de florescer novamente. Terra lavrada, preparada para o plantio do inverno. Foi quando chegou o terror do latifúndio armado até os dentes.

No dia 22 de março último, 40 famílias de camponeses pobres tomaram as terras do latifúndio Limoeiro. Terras paradas durante um quinto de século. O pretenso dono daquela imensidão de terras não dava as caras há 8 anos. A única produção que existia naquelas terras era a dos poucos posseiros que plantavam à base da "terça", explorados pelo latifúndio semifeudal. Trabalhavam sem remuneração em um regime de semi-escravidão.

Com a tomada da Limoeiro, as famílias começaram a revolucionar aquelas terras, construíram barracos, preparavam para iniciar o plantio de inverno para cultivar uma parte daquela imensidão que estava tomada pelo mato que crescia a vontade há duas décadas.

Mas o latifúndio não pode conviver com a prosperidade do povo pobre e com a produção camponesa. No dia 27 de março, de acordo com a denúncia dos camponeses, a latifundiária Monalisa, esposa do "proprietário", juntamente com seu filho "Queirozinho" e mais três pistoleiros fortemente armados apresentados como policiais civis, ameaçaram e humilharam os camponeses e disseram que retornariam no dia 30 para expulsá-los. Os camponeses denunciaram ao Incra e registraram um boletim de ocorrência. Nada foi feito em seu favor.

No dia 31 de março, por volta das 12h30min, o acampamento foi invadido pela latifundiária Monalisa, seus pistoleiros e um sujeito engravatado a tiracolo dizendo-se advogado. Sem mandado judicial e de armas em punho agrediram e desrespeitaram os camponeses.

Em nota, a Liga dos Camponeses Pobres do Nordeste denunciou que o bando de pistoleiros comandados pela latifundiária tentou roubar o celular de uma senhora que não quis entregá-lo e por isso um dos capangas encostou a arma em seu peito enquanto a latifundiária Monalisa torcia seu braço, arrojando-a fora do acampamento com brutalidade.  Dezenas de barracos foram destruídos e a lona usada para a cobertura foi queimada, cestas básicas foram roubadas pelo bando armado. Os camponeses foram expulsos da terra debaixo de forte chuva.

Quatorze horas após as famílias denunciarem o banditismo do latifúndio, uma viatura policial apareceu na área. Os policiais assistiram passivamente as barbaridades, o bando armado e não se moveu do lugar. Ficou claro quem dava as ordens ali. Nenhum dos bandidos armados foi punido, sequer quando os camponeses denunciaram que, quando os PMs se distanciaram, "Queirozinho", o latifundiário mirim, perseguiu a motocicleta onde o camponês Vicente Lino de Souza estava na garupa e disparou três tiros de pistola.

Terça — uma das tantas relações de trabalho semifeudais em plena vigência no campo brasileiro, consiste em uma forma de "contrato" em que o camponês é obrigado a entregar dois terços da produção ao latifundiário "proprietário" das terras. Além desta existem outras como a "quarta" (onde o camponês é extorquido em três quartos de sua produção) e a "meia" onde é obrigado a entregar a metade da produção ao latifundiário.

Pistoleiros escoltados pela polícia aterrorizam pobres em Cujubim
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Pelé, líder camponês, foi baleado

A coordenação do acampamento João Batista, localizado em Cujubim — RO, denunciou que no dia 4 de março, 8 pistoleiros invadiram a área escoltados por policiais militares e ambientais, sem mandado, munidos da ata de uma reunião com um Juiz de Ariquemes.

O bando revistou bolsas, barracos e objetos pessoais, fez anotações, identificou pessoas, se apossou indevidamente de 10 foguetes, fotografou placas de motocicletas e ameaçou retornar para queimar os barracos dos camponeses.

Os acampados ainda denunciaram que depois da saída dos policiais, os pistoleiros atiraram contra o acampamento comandados pelo filho da latifundiária Maria da Penha Della Libera.

As ações criminosas do latifúndio em Cujubim já haviam sido denunciadas em carta à AND publicada em nossa última edição. Os desdobramentos do terror policial-latifundiário na região foi o despejo violento das famílias por policiais do Grupo de Operações Especiais da PM — GOE, o atentado contra a vida do líder camponês José Fonseca de Souza, o Pelé, baleado pelos pistoleiros sob comando da latifundiária e a tortura de um jovem camponês.

Um dossiê elaborado pela coordenação do Acampamento João Batista e publicado no dia 4 de abril na página resistenciacamponesa.com revela que, durante a ação de despejo, pistoleiros, policiais e latifundiários se deslocavam "em três viaturas da GOE, um gol preto da fazendeira e numa caminhonete Hilux preta de propriedade do madeireiro Chaule.

Os camponeses saíram das terras e montaram acampamento no outro lado da estrada. Depois do despejo os policiais fizeram uma pequena comemoração regada a refrigerante e pão com carne moída, contando piadas e dando muita risada com a fazendeira, seus filhos e pistoleiros. Camponeses viram policiais entregarem algumas munições aos pistoleiros.

Depois que os policiais foram embora os pistoleiros deram tiros e gritaram: "Agora o negócio vai ser na bala!". Derrubaram os barracos com moto-serra e meteram fogo em tudo, envenenaram os 4 poços construídos pelos camponeses com óleo diesel e veneno para mato.".

Os camponeses do João Batista deslocaram-se para uma área próxima ao antigo acampamento e permanecem organizados, denunciando a ação criminosa do latifúndio e mantêm-se firmes no propósito de conquistar a terra.

Mulheres exigem rede de água

No dia 10 de março, um grupo, formado em sua maioria por mulheres camponesas dirigidas pelo MST, ocupou a sede da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba — Codevasf de Petrolina, sertão de Pernambuco. As mulheres reivindicavam a construção da rede de fornecimento de água para as áreas camponesas da região. As mulheres cobraram solução imediata para o problema da água e entregaram uma lista com as reivindicações dos camponeses ao superintendente da companhia, Luís Frota.

Camponeses retomam a Peri-Peri

Na primeira quinzena de março, dezenas de famílias dirigidas pela Liga dos Camponeses Pobres — LCP retomaram o latifúndio Peri-Peri em Lagoa dos Gatos, no agreste pernambucano. As terras haviam sido tomadas pelos camponeses em agosto do ano passado, porém as famílias foram expulsas violentamente da área por uma operação policial que contou com um helicóptero, dois ônibus, cavalos, cachorros, Grupo de Ações Táticas Especiais — GATE e várias viaturas. Os policiais atearam fogo nos barracos e destruíram a roça recém-plantada. O despejo violento foi denunciado pela LCP em novembro de 2008, quando as famílias atribuíram o mando da ação policial ao latifundiário Eduardo da Fonte.

Essa foi a terceira retomada do latifúndio. Os camponeses já iniciaram a preparação para o plantio das roças.

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