Agressões nos trens do Rio revoltam o Brasil

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No dia 13 de abril, trabalhadores ferroviários do Rio de Janeiro decretaram uma greve de 24 horas por melhores condições de trabalho e segurança para os passageiros que todos os dias utilizam o serviço em condições precárias. Imagens revoltantes exibidas em dezenas de meios de comunicação em todo o país mostraram trabalhadores tentando embarcar nos trens lotados sob uma saraivada de socos e chibatadas desferidas por agentes da Supervia. O povo foi tratado como gado de corte, e dessa mesma forma é confinado e abatido todos os dias a sangue frio.

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No Rio de Janeiro, a situação dos transportes públicos piora a cada dia, apenas nos quatro primeiros meses do ano os trabalhadores rodoviários deflagraram três greves. O povo se amontoa em filas e ônibus lotados pagando caras tarifas e sofrendo todo tipo de desrespeito. Os trabalhadores rodoviários amargam o caos do Trânsito, péssimas condições de trabalho e baixíssimos salários. Nas barcas que transportam milhares de trabalhadores entre o Rio e Niterói, mais uma grande revolta no início de abril. Após horas de atraso, milhares de pessoas invadiram as plataformas de embarque em um violento protesto contra as péssimas condições desse serviço.

No dia 13 de abril foi a vez dos ferroviários que cruzaram os braços decretando greve por tempo indeterminado. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Central do Brasil, a empresa Supervia demitiu nove trabalhadores que participaram da Assembléia que decidiu pela paralisação e não atendeu nenhuma das reivindicações da categoria.

O gerente estadual Sérgio Cabral tergiversou sobre o caos nos transportes e sobre as reivindicações dos trabalhadores buscando minimizar a repercussão do assunto no monopólio dos meios de comunicação, o que torna ainda mais esclarecedora a discrepância entre o defasado salário de trabalhadores ferroviários e rodoviários — que não ultrapassa 1 mil reais — e os vencimentos milionários de Eduardo Paes e Sérgio Cabral — 11,2 mil e 12,7 mil reais, respectivamente, e não estamos contando com as milionárias verbas de gabinete, "vale terno", "auxílios", entre outros recursos que somam quantias várias vezes superiores ao salário declarado. Não podemos nos esquecer dos secretários estaduais, que em março de 2007 tiveram um reajuste salarial de 50%, elevando os vencimentos de 6 mil para 9,5 mil reais.

Segundo carta publicada pelo Sindicato dos Ferroviários "o motivo da paralisação de advertência é a segurança dos trabalhadores ferroviários e dos próprios passageiros. Nós temos problemas como choques de trens, má sinalização e insuficiências de freios. Além disso, a empresa obriga os trabalhadores a seguirem viagem mesmo com as portas dos vagões abertas".

Caro e precário

Por diversas vezes, A Nova Democracia denunciou as péssimas condições de transporte oferecidas pela milionária empresa espanhola Supervia, que desde 2004 elevou em cerca de 120% o preço das tarifas. Uma média de 24% ao ano. E ao contrário dos preços, a qualidade do transporte caiu severamente, resultando em diversos acidentes com elevado número de mortos e feridos, além do arrocho no salário dos ferroviários, péssimas condições de sinalização, indisponibilidade de ferramentas de trabalho e a habitual superlotação.

Mesmo com toda essa precariedade, imagens flagradas por câmeras do monopólio The Globe, mostram seguranças da concessionária agredindo trabalhadores com socos, pauladas e chibatadas para que se espremam dentro dos vagões para o fechamento das portas. Em seguida a Superviaanunciou a demissão de quatro agentes flagrados pelas imagens, mas segundo dados da 14ª Vara Cível da Capital a segurança contratada pela Superviahá quase uma década pratica agressões e humilhações nas plataformas de embarque e dentro dos trens. Em 9 de março de 2006 a empresa foi condenada a pagar uma indenização de 20 mil reais ao passageiro Eliel Oliveira, espancado por bate-paus intitulados "seguranças" quando viajava em uma das composições em 2001.

Sim, vejam como a Supervia foi rápida em demitir os agressores! Então por que não mostraram a cara dos seus diretoresresponsáveis pela segurança das estações que todos os dias instruem os guardas a agirem de maneira selvagem?

E para minimizar a ação bestial dos agentes da Supervia, The Globe escalou Alexandre Garcia, que empoleirado há décadas no sujo galinheiro do planalto com suas crônicas, agora deu também para ciscar sobre tudo.

ário matinal do dia 14 de abril, Garcia formulou que:

Há regras contratuais e há regras da cultura. Por exemplo, no metrô de Tóquio, o mais eficiente do mundo, existe os empurradores, que usam luvas impecavelmente brancas para empurrar os passageiros para dentro dos vagões em momentos de lotação máxima. Na Nigéria agentes de polícia usam pequenas varas".. Na tradução esses agentes nigerianos são chamados de "Aqueles que empunham o porrete".E o comentarista porta-voz da Supervia continua:

— Para eles (povos japonês e nigeriano tratados como gado) é normal agentes com uma varinha, empurradores...

Alexandre Garcia disse que empurrar e bater no povo trabalhador usando "luvas impecavelmente brancas" e porretes é "cultura". As imagens prosseguem e mostram um policial assistindo e participando das agressões na estação. O "comentarista" aparentemente protesta contra a passividade do policial diante das agressões, como se a polícia do Rio ou de alguma região do país tivesse a tradição de proteger o povo. Basta ver o que anda ocorrendo com o "Choque de Ordem" e as matanças nas favelas. Então, se os agentes da Supervia usassem luvas ou porretes, para o senhor Garcia, tudo bem.

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