1º de maio - Trabalhadores tomam as ruas e exigem o que é seu

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Os oportunistas, como sempre, fizeram plantão. Os pelegos de todos os cacifes, estes nunca deixam de dar as caras. As direções vendidas tentaram mais uma vez armar o circo da despolitização. As classes reacionárias torceram o nariz e suaram frio ao mesmo tempo. As forças de repressão rosnaram, latiram e avançaram contras as massas. O monopólio internacional dos meios de comunicação ficou histérico e não tardou em fazer rodar a máquina das mentiras, dizendo que o 1° de maio no mundo foi marcado por vandalismo e por reivindicações meramente salariais.

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França
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Inglaterra

Não. O Dia do Internacionalismo Proletário, data internacional dos trabalhadores, foi marcado em todo o mundo por protestos populares radicalizados, combatividade, pelo choque das massas trabalhadoras contra os aparatos de repressão dos velhos Estados, por suas recusas em aceitar a exploração, contra a fome e a miséria impostas pelo imperialismo, e por uma demonstração de força muito clara: os processos revolucionários protagonizados pelos povos avançam, apesar das negativas da reação, do espanto da burguesia e da resposta virulenta dos fascistas de todos os cantos contra o agigantamento das massas.

O 1° de maio foi marcado por um aviso perturbador dirigido à burguesia: os dias dos inimigos dos trabalhadores no poder estão contados.

Como deve ser, predominaram as afirmações em torno da urgência da Revolução. As bandeiras da luta econômica, por salário e direitos também foram erguidas, mas dessa vez, em vários países, teve destaque a palavra de ordem da derrubada do imperialismo e da necessidade de o proletariado se organizar para tomar o poder.

Na Ásia, massivos protestos

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Rússia
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Turquia

Na Turquia, onde o desemprego bate nos 15% (um em cada três jovens está sem trabalho) as manifestações do Dia do Internacionalismo Proletário estavam proibidas desde 1977, quando aconteceu o episódio que ficou conhecido como o "1º de Maio Sangrento". Na ocasião, 36 pessoas foram assassinadas pelas forças de repressão na Praça Taksim, a principal de Istambul. A partir de então, os trabalhadores ficaram oficialmente desautorizados a saírem organizados às ruas nesta data, como se a culpa da truculência estatal fosse dos próprios mortos.

Neste ano, porém, a crescente mobilização popular no país obrigou o governo turco a abolir a proibição, e o 1° de Maio voltou a ser feriado reconhecido. As massas tomaram Istambul e mostraram quem manda. Foram direto ocupar o único lugar da cidade onde não poderia haver protestos: a própria Praça Taksim, onde há 32 anos seus companheiros haviam tombado em luta. A polícia reagiu com gás lacrimogênio, spray de pimenta e jatos d'água. O povo respondeu com pedras e coquetéis molotov. Foram presos 70 trabalhadores, mas desta vez não se atreveram a matar ninguém.

Na China e nas Filipinas as massas tomaram as ruas contra a carestia de vida.

Na Rússia, em Moscou e São Petersburgo, o povo marchou nas ruas levando consigo bandeiras vermelhas com a foice e o martelo e imagens de Lênin e Stálin.

Na América Latina, mais enfrentamentos

No Chile, mais de 10 mil manifestantes foram às ruas e enfrentaram a polícia. Mais de 10% dos trabalhadores chilenos encontram-se desempregados e durante os protestos foram agitadas bandeiras pela construção de uma greve geral. No Peru também ocorreram protestos de camponeses, estudantes e professores na capital Lima e no interior do país. Também ocorreram grandes mobilizações na Colômbia em Bogotá, Medellín, e outras cidades. Protestos e enfrentamentos no Haiti, mesmo com a ameaça de proibição da celebração do dia Internacional dos Trabalhadores, os haitianos foram às ruas aos milhares. Operários, estudantes e desempregados se chocaram com as forças repressivas. Em Caracas, na Venezuela, enfrentamentos entre as massas e a polícia. O dito governo "democrático e progressista" reprimiu duramente os protestos com gases lacrimogêneos e carros lança-água. No Equador, Bolívia e Uruguai houve concentrações operárias, marchas e manifestações.

A Europa das massas contra o imperialismo

Em muitos países do continente, os trabalhadores reafirmaram no 1° de Maio a força dos seus movimentos recentes, reivindicatórios e revolucionários, que a cada dia inspiram e multiplicam novos exemplos de combatividade antiimperialista.

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Grécia
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Suíça

Milhares de trabalhadores unidos tomaram as ruas de Atenas, Madrid, Paris, Lisboa, Londres e Roma. Na capital italiana, o povo acabou com uma passeata provocativa da direita e botou os fascistas para correr.

Na Alemanha, em Berlim e Hamburgo, os confrontos ferozes entre a juventude rebelde e os trabalhadores mais combativos, de um lado, e os agentes da velha ordem, do outro, eclodiu logo nas primeiras horas do dia. Mais de 500 mil pessoas foram às ruas em toda a Alemanha nesse que foi considerado um dos maiores protestos da última década.

O 1º de maio europeu confirmou uma tendência que começou a ganhar corpo ainda no segundo semestre de 2008: o reforço dos laços entre o movimento estudantil e a classe trabalhadora, uma tradição resgatada das mobilizações de maio de 1968, após décadas de cisões e lutas contra o revisionismo e todo tipo de oportunismo que transformou os "velhos" autênticos partidos comunistas da III Internacional de Lênin em partidos burgueses e social-chauvinistas.

Esteja onde estiver o proletariado é internacional

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Montes Claros
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Palestina

Outra tendência que se confirmou no 1º de maio: o incremento da luta dos imigrantes no USA e na Europa, e seu protagonismo cada vez maior nos levantes populares levados a cabo dos países poderosos dos dois lados do Atlântico. Na Europa e no Japão as massas trabalhadoras, rechaçaram as tentativas de suborno dos governos para que aceitem voltar para casa e padecerem quietos no desemprego em seus países de origem. Os imigrantes turcos, grande parte dos trabalhadores estrangeiros na Europa, realizaram grandes e combativas manifestações, principalmente na Alemanha, dirigidos pela Confederação dos Trabalhadores Turcos na Europa (ATIK).

A cobertura da imprensa reacionária

Em todo 1° de maio o monopólio dos meios de comunicação da burguesia insiste em falar de tudo, menos da classe operária. Os telejornais da manhã convidavam todos a conferir os serviços que funcionariam e os que teriam recesso no feriado; nos da tarde, abundaram os informes não sobre o desenrolar das mobilizações genuinamente organizadas pelo povo, mas sim a respeito de a quantas andavam os shows e sorteios de carros patrocinados pelas centrais do peleguismo, principalmente a CUT e a Força Sindical, que nunca estiveram tão atreladas ao Estado. Nos jornais da noite, acompanhamos trechos das apresentações de artistas pouco ou nada ligados aos objetivos das classes trabalhadoras, como a cantora de músicas piegas que ganhou fama no Big Brother Brasil, ou o rapper metido com projetos sociais balizados pela mais absoluta demagogia.

Às 20:30 do dia 1º de maio, o ministro do Trabalho de Luiz Inácio, o oportunista Carlos Lupi (PDT), apareceu em rede nacional a pretexto de saudar o povo trabalhador, mas na verdade debochou dele, arrotando vantagens inexistentes que teriam sido arranjadas pela gerência do PT "para o bem de todos os brasileiros": farta geração de empregos, salário mínimo acima da inflação, solidez do Fundo de Amparo ao Trabalhador e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e a perspectiva de construção de um milhão de casa populares.

Como se o desemprego nas capitais do país já não estivesse em 15%, como se o subemprego não fosse a regra em todo o Brasil, como se o salário mínimo não continuasse sendo de fome, como se o FAT e o FGTS, conquistas do povo, não estivessem sendo usados em operações de alto risco no mercado financeiro, e como se o programa "Minha Casa, Minha Vida" pudesse ser levado a sério por quem não seja um dos empreiteiros agraciados com este pacote de socorro aos mafiosos da construção civil.

É de embrulhar o estômago, e só não é pior do que os lambe-botas empoleirados nas centrais do patronato levantando como principal bandeira do Dia dos Trabalhadores a demanda por "menos impostos e mais crédito para os patrões".


No Brasil, a combativa Liga Operária e outras organizações classistas confirmaram a sua tradição em realizar o 1º de maio à "velha moda". Nesse ano não foi preparada manifestação em uma grande capital, mas várias manifestações em diversas regiões do país compuseram o 1º de Maio da Aliança Operário-camponesa.

A Liga Operária juntamente com a Liga dos Camponeses Pobres, compondo o alicerce fundamental da Aliança Operário-Camponesa, fortalecida com a presença de centenas de militantes de organizações de luta popular, sindicatos classistas, Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), Movimento Feminino Popular (MFP), Grêmios e Diretórios estudantis e a Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP), celebraram o 1º de Maio em cidades próximas às áreas de concentração da luta camponesa em nosso país.

Minas Gerais

Na manhã do dia 30 de abril, centenas de manifestantes, principalmente camponeses, marcharam pelas ruas de Montes Claros, norte de Minas Gerais, e Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Os manifestantes agitaram bandeiras pela construção da Greve Geral e da Revolução Agrária.

Rondônia

Dezenas de camponeses das áreas Terra Boa, João Batista e Lamarquinha, em Rio Crespo, e da área Sol Nascente, em Cujubim, celebraram o 1º de Maio. Uma grande faixa abriu a manifestação: "O povo quer terra, não repressão!".

Mototaxistas, caminhoneiros e carroceiros aprovaram e apoiaram a manifestação dos camponeses. Centenas de panfletos foram distribuídos para a toda a população concitando todos a lutar "Pelo direito do povo trabalhar". Os camponeses denunciaram latifundiários e bandos de pistoleiros que atuam na região e protestaram contra a criminalização do movimento camponês.

Durante o protesto, os camponeses ainda denunciaram as ameaças de despejo da área Sol Nascente onde as famílias foram ameaçadas pelo latifundiário Antônio Martins dos Santos, conhecido na região como "Galo Velho". Um representante do acampamento Terra Boa denunciou a ordem de despejo expedida pelo juiz de Ariquemes, Franklin Vieira dos Santos, favorável ao fazendeiro José Pierre Matias, que segundo os camponeses comandou um ataque de pistoleiros em abril de 2008 contra a área Lamarquinha.

Em resposta a essas ameaças, várias famílias das áreas Terra Boa, João Batista e Lamarquinha realizaram uma grande agitação em Ariquemes — RO onde, no dia 29 de abril, ocuparam a sede do Incra exigindo a suspensão da ordem de despejo, a punição para os latifundiários e seus pistoleiros responsáveis pelos ataques contra os camponeses e a regularização imediata das terras.

Além dessas, ocorreram mobilizações, atos públicos e panfletagens da Liga Operária e da LCP em Porto Velho — RO, nos estados do Pará, Pernambuco, Alagoas, Paraná e em Duque de Caxias - RJ.

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