Resistência camponesa de norte a sul

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Rondônia

Latifúndio sequestra, tortura e atira contra camponeses em Buritis

A Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental denunciou, no final do mês de junho, o sequestro de dois jovens camponeses em Buritis — RO no dia 27/6 após uma emboscada atribuída ao latifundiário Edilson Caldato e outros sete pistoleiros.

Os camponeses foram torturados com golpes de facão nas costas, chutes e cortes de canivete nos braços.’ Os camponeses relataram que durante as sessões de espancamentos, o latifundiário fez ameaças de morte às famílias e disse que iria expulsá-las das terras do Rio Alto para não perder a madeira cortada, pois já a teria vendido ao irmão do vice-prefeito da cidade de Buritis pelo valor de um milhão e duzentos mil reais.

Dez dias depois, foi veiculada nova denúncia da LCP acusando cinco pistoleiros que teriam agido sob o comando do latifundiário Edilson Caldato e fizeram outros três camponeses reféns nas proximidades do acampamento Rio Alto. Os camponeses ficaram presos na mata durante mais de seis horas, tiveram suas mãos amarradas com cordas e sofreram espancamentos. Mesmo tendo sido violentamente agredidos e humilhados, os camponeses não forneceram informações sobre as lideranças do acampamento. No dia seguinte, policiais civis e militares de Buritis invadiram o acampamento com três viaturas, sem qualquer mandato, e deram uma busca, segundo eles à procura de armas.

A LCP denuncia essa incursão policial como um método utilizado constantemente por esses criminosos para certificarem-se de que as famílias estarão totalmente indefesas nos futuros ataques dos pistoleiros.

Já em 12 de julho, um novo ataque de 25 pistoleiros, segundo nota divulgada pela LCP, novamente comandado por Edilson Caldato, contra o acampamento Rio Alto, com armas de grosso calibre. Um camponês de 17 anos foi atingido com um tiro nas costas e outros foram agredidos. As 120 famílias que ocupavam a área foram para uma estrada próxima enquanto o bando de pistoleiros ateou fogo no acampamento, roubando objetos pessoais, motos, enxadas, foices, utensílios domésticos e outros pertences dos camponeses.

Os acampados ligaram para a PM, que só chegou duas horas depois à área. A nota da Liga dos Camponeses Pobres denunciou que, além de não prenderem os pistoleiros, os policiais atiraram contra os camponeses e atropelaram um camponês de 16 anos e o espancaram com chutes na cabeça.

Os camponeses permanecem próximos à área na beira de uma estrada e continuam sob ameaças dos pistoleiros.

Ibama e Exército são repelidos em Rio Pardo

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Soldados da Força Nacional impõem controle econômico na Flona Bom Futuro

Nota veiculada recentemente na página resistenciacamponesa.com noticiou o ato destemido de um camponês na área da Floresta Nacional Bom Futuro.

De acordo com a nota, "três barreiras montadas pelo Exército brasileiro controlam os acessos a Rio Pardo - RO e impedem a saída de madeira e a entrada de gado, assim como alimentos, combustíveis, remédios, etc" e com isso a "política ambiental criminosa a serviço do imperialismo na Amazônia seguiu sendo aplicada a risca pelos agentes do Ibama, sob a proteção do Exército brasileiro, continuaram a multar camponeses, continuaram as barreiras e a ocupação da área com tropas e helicópteros, e ameaçam retirar o gado da região. O plano do Ibama e das Ongs é obrigar os camponeses que permanecerem na área a sobreviver colhendo castanha da mata e produzindo cesto de palha como fez o "governo da floresta" do PT com os camponeses nas reservas do Acre".

Revoltado com essa situação, o camponês Carmelino Lino da Silva repeliu soldados do Exército e da Força Nacional armados de fuzis usando tição de brasa (pedaço de madeira incandescente).

Segundo a nota, Carmelino chegou a dizer que "estava decidido a matar ou morrer para defender suas terras, depois que sua mãe, uma camponesa analfabeta de 77 anos, foi ameaçada por agentes do Ibama a assinar uma absurda multa de 392 mil reais, por 12 alqueires desmatados".

Na sequência dos fatos, no dia 3 de julho, uma viatura do Ibama foi incendiada dentro da área e uma carta anônima com ameaças aos agentes do Ibama desmascarando a propaganda do governo que propala objetivos pacíficos com sua operação militar.

Os camponeses denunciam multas abusivas que somam mais de R$ 40 milhões sobre áreas desmatadas há mais de 14 anos, quando ainda não havia sido criada a reserva florestal.

Pernambuco

Camponeses retomam a Jabuticaba

Os camponeses de São Joaquim do Monte, agreste pernambucano, decidiram não aguardar mais nenhuma promessa do Incra e retomaram o latifúndio Jabuticaba.

As terras do Jabuticaba são palcos de conflitos agrários desde abril de 2000, quando foram ocupadas pela primeira vez. O último enfrentamento, em fevereiro desse ano, resultou na morte de quatro pistoleiros.

Após o conflito, as famílias se retiraram da área para que o Incra fizesse a medição do imóvel. O superintendente do Incra, Abelardo Siqueira, assim como o promotor agrário, doutor Edson Guerra, prometeram que dentro de um mês o laudo estaria pronto e a fazenda seria desapropriada e não cumpriram sua palavra.

Os camponeses sim, cumpriram sua determinação e reocuparam as terras.

Santa Catarina

Camponeses tomam latifúndio em São José do Cerrito

No dia 13 de julho cerca de 300 famílias camponesas ligadas ao MST ocuparam um latifúndio em São José do Cerrito, Santa Catarina.

As terras já haviam sido vistoriadas duas vezes pelo Incra e foram tomadas pela terceira vez. Após a tomada, as famílias deram início imediato ao plantio.

Paraná

Famílias da Mitacoré retomam seus lotes!

Com informações do Comitê de Apoio à Luta dos Camponeses de Mitacoré

Por Democracia e Paz no Assentamento Antônio Tavares (Fazenda Mitacoré), os camponeses comemoram o retorno das famílias expulsas pela coordenação do MST. Inicia-se um novo tempo!

Na tarde do dia 05 de julho, dois anos após serem arbitrariamente expulsas do assentamento onde moravam e produziam há mais de 10 anos, as seis famílias retomam três dos seus lotes de forma pacífica na Fazenda Mitacoré.

As famílias foram injustamente expulsas por cerca de 70 pistoleiros armados. Os lotes foram invadidos, seus familiares humilhados e alguns tiveram parte de seus pertences destruídos. O argumento utilizado pela coordenação do MST para a injusta expulsão foi de que estas seriam supostamente traficantes de drogas, mas a única verdade é que a expulsão se deu por perseguição política, pois essas famílias fazem parte de um grupo de 33 famílias que denunciaram há mais de um ano no Ministério Público Federal o desvio de dinheiro destinado à construção de casas para os assentados.

Após o retorno das famílias, toda a propaganda mentirosa produzida pelo MST e Incra (que está sob seu controle), de que se as famílias retomassem seus lotes ocorreriam mortes no assentamento, foi por água abaixo. O que se viu foi o apoio e a solidariedade imediata dos camponeses da Mitacoré e de todo o povo da região.

Alguns camponeses doaram alimentos, outros roupas e cobertores para suportar o frio, e muitos foram se solidarizar com a luta, todos queriam saudar a volta das famílias. A Associação de Produtores de São Miguel do Iguaçu, com associados no assentamento, tem dado um grande apoio. Várias famílias têm participado de mutirões, há muito que se fazer. O primeiro mutirão foi organizado para ajudar na limpeza e na reforma da casa de uma família que foi totalmente destruída. Perspectivas de democracia se abrem na área e todos almejam o fim da tirania da coordenação do MST.

Direção MST intensifica ameaças às Famílias da Mitacoré

A coordenação do MST agiu de imediato e intensificou a campanha mentirosa, e já tantas vezes desmentida, de que "a sociedade e as mães do assentamento temiam a volta das famílias" e "que os traficantes invadiram o acampamento". Diante do apoio prestado pelos camponeses do assentamento às famílias injustamente expulsas, o MST trouxe mais de 100 pessoas de outros locais que acamparam em volta da área retomada, e vem realizando bloqueios na estrada com facões e armas, intimidando o apoio das famílias do assentamento.

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