Por trás da CPI da Petrobrás

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Primeiro pediram a CPI. Depois "descobriram" a existência de um certo Agaciel Maia, de atos secretos, contratos suspeitos e troca de favores entre a diretoria do Senado e senadores. Agora querem derrubar José Sarney. Uma das coisas por trás disso tudo — e principalmente da hipocrisia do monopólio da imprensa, que evidentemente não descobriu isso tudo agora — estão os interesses no pré-sal, com reservas na ordem de trilhões de dólares. Muitos estão de olho, inclusive os ianques.

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Em meados de maio, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) leu em Plenário o requerimento para a CPI da Petrobras, que já vem sendo chamada de CPI da Caixa de Pandora. A lista de suspeitas é extensa, desde controversas decisões administrativas, como a manobra contábil para deixar de recolher mais de R$ 4 bilhões em impostos, até suspeitas de irregularidades nos contratos milionários.

Na Polícia Federal, há inquéritos sobre fraude envolvendo dirigentes da estatal. Há, também, a proximidade suspeita com ONG's e prefeituras que fecham convênios milionários com a Petrobras. Os senadores também vão querer explicações sobre o empréstimo de R$ 2 bilhões tomados junto à Caixa Econômica Federal e sobre o preço do combustível vendido a termelétricas do Norte, a preços acima da média de mercado, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica.

Todos querem o pré-sal

A chamada camada pré-sal é uma faixa que se estende ao longo de 800 quilômetros entre os estados do Espírito Santo e Santa Catarina, abaixo do leito do mar, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos). O petróleo encontrado nesta área está a profundidades que superam os 7 mil metros, abaixo de uma extensa camada de sal que, segundo geólogos, conserva a qualidade do petróleo.

A descoberta da Petrobras, anunciada ano passado, é uma das maiores do mundo e pode colocar o Brasil entre os maiores produtores de gás e petróleo do planeta. Apenas um campo, o de Tupi, tem entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris, segundo os cálculos da empresa. Mas de acordo com a inglesa British Petroleum, sócia da Petrobras em Tupi, o volume total pode chegar a 30 bilhões de barris, o equivalente a duas vezes o PIB brasileiro. O primeiro campo de Tupi já está ativado e produz 15 mil barris por dia, o que comprova a competência técnica da Petrobras e cala a mídia e os lobistas que diziam o contrário.

Segundo Fernando Fortes, engenheiro aposentado da Petrobras, há toda sorte de interesses privados no pré-sal e teriam sido eles que terminaram por motivar o pedido de CPI da empresa e a atual crise no Senado. Fortes cita o empresário Eike Batista, que teria comprado técnicos da empresa para ser favorecido nos leilões, "40 funcionários com luvas de um milhão de reais". O empresário possui uma riqueza estimada em 1 bilhão de reais.

O engenheiro critica a gerência Cardoso por quebrar o monopólio da empresa, mas também acusa o governo Lula. "Os sindicalistas assaltaram a Petrobras", diz, citando o exemplo do atual diretor de benefícios da Petros (subsidiária responsável pelo fundo de pensão da empresa), que agora tem um salário total de 42 mil reais e que estaria defendendo os interesses das corporações que lucram com a desnacionalização do sistema previdenciário.

— Essa história começa com o gasoduto para a Bolívia, ainda no governo FHC, cujo objetivo era exportar para a Califórnia. A proposta inicial era construir 42 usinas. Hoje só seis ficaram prontas e não há gás nem para os testes de aceitação. Você sabia que ano passado todos os gasodutos da Petrobras foram privatizados? Ninguém noticiou.

Sobre a CPI da Petrobras, Fernando Fortes sustenta que as acusações procedem. "É tudo verdade, o que tem de sacanagem na área institucional é uma grandeza", mas acha que no fundo se trata de uma chantagem. "O que eles querem é a diretoria de exploração".

— A CPI é apenas uma arma para manter o governo Lula bem quietinho, porque se forem vasculhar esse negócio não há governo que resista. Eles querem a diretoria de exploração, que é a do pré-sal. Querem ver se o Lula abre mais as pernas. E quem está incentivando isso são os "amigos" do Norte.

Os ianques nos bastidores

O interesse dos ianques no petróleo brasileiro vem de longe, desde a época em que enviaram um técnico chamado Walter Link, que garantiu que no Brasil não existia petróleo. Isso mesmo, o governo do USA afirmava, há menos de um século, que esta riqueza natural inexistia no país.

Hoje as garras do imperialismo seguem presentes. Não com o propósito de negar o inegável — a existência de petróleo no país —, mas com a intenção de controlar os principais postos de comando nesta área. Recentemente, eles estiveram por trás do roubo de informações confidenciais contidas em notebooks. E a gerência Cardoso liberou acesso a técnicos estrangeiros dados estratégicos, que hoje seguramente estão sendo utilizados nos leilões do petróleo.

A criação da Agência Nacional de Petróleo (ANP) no governo FHC e sua manutenção no governo Lula, assim como a quebra do monopólio estatal do petróleo, representada pela Lei 9.478, de 1997, são instrumentos muito bem utilizados por aqueles que lucram com a desnacionalização dessa riqueza nacional.

A ANP, em si, vem se transformando num aparelho de controle estrangeiro. Além de estar incumbida de realizar os infames leilões, a agência tem em seu quadro de diretores o senhor Nelson Narciso, que trabalhou para a transnacional ianque Halliburton. Segundo denúncia da Associação de Engenheiros da Petrobras, a Halliburton estaria controlando o banco de dados da ANP através de uma subsidiária, a Landmark Digital and Consulting Solutions. Vale lembrar que a Halliburton é uma das empresas que mais faturou com o genocídio provocado pelo USA no Iraque e já foi presidida por Dick Cheney, ex-presidente estadunidense.

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