Pentágono tem novo manual anti-resistência

A- A A+
Pin It

Chama-se "Táticas em contra-insurgência" um documento lançado em abril último sob o nome de código FM 3-24-2, elaborado pelo general da reserva, Dennis J. Reimer, e que constitui nada menos do que o novo manual do Pentágono para orientar os oficiais e soldados rasos do USA sobre como melhor enfrentar as insubjugáveis guerras de libertação nacional movidas pelos povos do mundo contra as ocupações ianques.

http://www.anovademocracia.com.br/56/15a.jpg
Quadro do novo manual do Pentágono - tradução de AND

Em mais um esforço fadado ao fracasso do imperialismo em crise, o novo manual foi editado para atualizar os preceitos, táticas e estratagemas anti-povo do exército ianque, em um esmero natimorto para superar as dificuldades que as guerras de libertação mundo afora lhes impõem, seguindo a orientação da nova administração do USA de inventar métodos "heterodoxos" para tentar fazer suas invasões e agressões darem certo, inclusive com a valorização de pontos que se identificam com a linha-mestra da Doutrina Obama, a de maquiar a natureza criminosa e truculenta das ofensivas econômico-militares do imperialismo.

Neste contexto, as novidades do documento não ficam por conta dos já conhecidos usos e abusos de raptos, torturas, execuções e bombardeamentos covardes com artilharia pesada dos quais as tropas ianques costumeiramente lançam mão, mas remetem a dois enfoques que também não são novos, mas aparecem especialmente reforçados: a perspectiva de intensificação de guerras urbanas e, como desdobramento disso, a orientação para o exército tentar comprar o apoio da população dos diferentes países, tendo em vista que as maiores dificuldades para o imperialismo no Iraque e no Afeganistão vêm exatamente do apoio que as massas dessas duas nações invadidas garantem à resistência surgida no seio do povo.

Sendo assim, o manual determina que os esforços de contra-insurgência devem se dar de maneira "completa", orientando para "todas as ações políticas, econômicas, paramilitares, psicológicas e cívicas que possam ser tomadas por um governo para alcançar seu objetivo".

Tremem ante a idéia do levante das massas

A referência a "um governo" diz respeito ao que o Pentágono chama de "Nações Anfitriãs", eufemismo político-militar usado nos documentos oficiais do USA para denominar as gerências títeres das semicolônias, sejam aquelas que aparelharam os Estados semifeudais por meio da permanente pugna e conluio das classes reacionárias locais, sejam aquelas diretamente estabelecidas pelos ianques como verdadeiros entrepostos que respondem diretamente e tão somente a Washington.

Por um lado, o Pentágono ressalta que as guerras populares e de libertação nacional — chamadas genericamente de "insurgências" — tendem a deixar de se limitar a regiões ou países específicos para se espalharem pelo mundo de maneira integrada, com apoio mais claro e efetivo entre as resistências, umas às outras, cada vez mais ganhando as ruas das cidades e mobilizando a população urbana. É o USA colocando no papel e reconhecendo, ainda que por vias tortas, que o enfrentamento popular às suas ofensivas de morte está ganhando corpo e se delineando na forma de um processo revolucionário de larga escala, com a perspectiva cada vez maior de um levante organizado das massas do mundo.

Por outro lado, o novo manual do Pentágono delineia uma estratégia contra-revolucionária urbana da qual sobressai a pregação do USA pela união de esforços com os governos títeres locais para realizar ações civis com objetivos contra-insurgentes (ver box).

Entre a enorme variedade de ações neste sentido, o documento cita, por exemplo, o anúncio de obras de saneamento ou uma missão médica de vacinação de crianças em áreas urbanas. Em ambos os casos o objetivo é buscar enganar a população, distraí-la, ludibriá-la, para que as missões de ocupação, sequestro e assassinato possam ser levadas a cabo. O manual diz claramente que a contra-insurgência pode mesmo estar por trás da mensagem de um locutor que informa sobre uma reunião comunitária.

As infames orientações de como tentar subornar os povos do mundo

O manual FM 3-24-2, vulgo "Táticas em Contra-Insurgência", traz uma parte especialmente dedicada a um passo-a-passo sobre como o exército ianque pode tentar comprar a simpatia e o apoio das pessoas oprimidas pelo próprio USA. Além de demonstrar o desespero dos agressores, que julgam poder subornar as massas, o texto explicita ainda o grau de sordidez dos seus métodos, como o incentivo à delação premiada de membros das resistências e ao "pagamento de condolências" às famílias das vítimas de seus bombardeios assassinos. Especial destaque para o ato falho do Pentágono ao enumerar as estruturas e instituições "caras" ao Estado de Direito: "prisões, tribunais e delegacias"...

"Use o dinheiro como arma

Experiências recentes têm mostrado a eficácia do uso de dinheiro para ganhar o apoio popular e promover os interesses e objetivos das unidades que conduzem operações de contra-insurgência. O dinheiro deve ser utilizado com cuidado. Na maioria dos casos, as autoridades superiores serão bastante rigorosas no controle dos fundos para garantir que o dinheiro seja bem utilizado. Quando usado de forma eficaz e com uma finalidade em mente, o dinheiro poder ser um meio eficaz para mobilizar o apoio público em prol da causa contra-insurgente e para afastar os insurgentes da população. Uma força contra-insurgente pode usar dinheiro para:

  • Financiar a limpeza urbana e outros projetos de saneamento, bem como os equipamentos para a realização desses projetos;
  • Financiar pequenos melhoramentos na infra-estrutura;
  • Financiar projetos agrícolas para melhorar as práticas na agricultura e a saúde do gado, ou ajudar a implementar programas de cooperativas agrícolas;
  • Reformar instalações públicas e culturais;
  • Reforma de instituições e infra-estruturas caras ao funcionamento do Estado de Direito, como prisões, tribunais e delegacias;
  • Compra de material educacional ou reforma da infra-estrutura necessária para educar a população local;
  • Pagar recompensas aos cidadãos que fornecerem informações sobre atividades e localização do inimigo;
  • Apoiar a criação, formação e funcionamento das forças de segurança da Nação Anfitriã;
  • Financiar eventos e atividades que possam construir relações com membros do governo da Nação Anfitriã e com seus cidadãos;
  • Reparação dos danos decorrentes das ações conjuntas e da coalizão;
  • Conceder pagamentos de condolências a civis por perdas de vidas em decorrência das ações conjuntas e da coalizão."

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja