Ianques instalam descaradamente bases militares ianques na Colômbia

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No decorrer dos anos, as políticas repressivas e de controle político ianque na América do Sul, utilizando a Colômbia como base de apoio, foram se consolidando. Primeiro foi o Plano Colômbia, logo depois sua intensificação a nível interno com o Plano de Segurança Democrática e agora praticamente o aprofundamento da monitoração do hemisfério sul da América, através da instalação de bases militares na Colômbia. 

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Base de Palanquero, na Colômbia

As aproximações deste país e o USA se entrelaçam complexamente desde perspectivas econômicas e militares; pois para ninguém é segredo que o empenho da gerência estatal colombiana de Uribe por assinar com o USA um Tratado de Livre Comércio (TLC) vem intimamente atrelado a esta ofensiva militar ianque na região. 

Esta instalação de bases militares responde a uma série de movimentos políticos no contexto regional, que tinham obrigado a fechar a base militar ianque de Manta, bem como a impossibilidade manifesta de transladar, por enquanto, os efetivos militares ianques à Base de Pichari em Cuzco, Peru, devido à efervescência social pela qual passa este país, como produto de uma confrontação entre o Estado peruano e os camponeses e os povos indígenas do nordeste do Peru. 

A postura colombiana, que cede o exercício soberano do seu território a favor do imperialismo ianque, acontece no meio de uma série de atritos diplomáticos com os governos da Venezuela e Equador. Para isso, a Colômbia denunciou Chávez e Correa por facilitar armamentos à guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), além de ter rompido relações com o governo do Equador em razão da violação do território equatoriano para abater ao guerrilheiro das FARC Raúl Reyes, já em 2008. De fato, a ruptura diplomática com o governo equatoriano obrigou o governo colombiano a abdicar de assistir à reunião da chamada União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), realizada em Quito no dia 10 de agosto.

Dado que a reunião da UNASUL tratou do problema específico da instalação de bases militares ianques, o gerente semicolonial da Colômbia Álvaro Uribe viu-se obrigado a realizar uma viagem, tão intempestiva como informal, por 7 países sul-americanos, para se reunir com seus homólogos de Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil, no meio de um clima de profunda rejeição por parte de manifestantes e ativistas da Argentina e Chile, principalmente, que não vacilaram em catalogar Uribe de genocida e de agente ianque na região sul-americana. 

Amizade perigosa: USA e Colômbia 

Em território do USA, no mês de junho deste ano, uma comissão das gerências colombiana e ianque, conformada por agentes do Pentágono e do Departamento de Estado do USA, bem como funcionários civis e militares colombianos, revisou um novo acordo de cooperação militar entre o USA e a Colômbia, que permitirá realocar a área de ação de forças ianques que se realizavam na base militar de Manta, no Equador, para o território colombiano. 

Assim, Uribe pretende não deixar nenhuma dúvida para a assinatura do TLC entre Colômbia e o USA, sobrepujando certos congressistas ianques que têm obstaculizado a assinatura definitiva do referido tratado. Para isso a gerência colombiana efetuou um tratado com o USA para que a potência imperialista utilize bases aéreas e navais localizadas na Colômbia. Uma negociação absolutamente entreguista que aprofunda outros planos entreguistas e repressivos que já se tinham acordado com a administração ianque, como o Plano Colômbia e o Plano de Segurança Democrática, este último também executado por Álvaro Uribe. 

Instalação de bases militares ianques na Colômbia 

No final de 2008, o presidente Rafael Correa anunciou ao USA a decisão de não renovar o acordo que permitia a instalação de uma base militar ianque em território equatoriano, mais especificamente em Manta. Esta decisão foi assumida, ao descobrir que o ataque colombiano ao acampamento de Raúl Reyes em território equatoriano, contou com o apoio de um avião ianque que partiu da mesma base de Manta. 

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Manifestante é preso em protesto contra a visita de Alvaro Uribe ao Chile

Para tal efeito, Washington trabalhou a possibilidade de instalar-se na Colômbia, impondo certas condições, como a imunidade judicial aos militares ianques e empreiteiras que se instalem na Colômbia. Estas negociações tinham-se desenvolvido no maior segredo.

Os termos de tal acordo compreendem operações militares ianques na base Germán Olano de Palanquero e de outras, como a Base Aérea Alberto Pawells Rodríguez, em Malambo; o Forte Militar de Tolemaida; o Forte Militar Larandia, Florenci; a Base Aérea Capitão Luis Fernando Gómez, Apiay; a Base Naval ARC Bolívar, Cartagena, e a Base Naval de Málaga em Baía Málaga.

A base de Palanquero encontra-se na margem direita do rio Magdalena, em Puerto Salgar. Trata-se da principal unidade operativa da Força Aérea da Colômbia, base estratégica para as operações de aviões com equipes de inteligência e com capacidade para albergar transporte de tropa e material pesado; conta com dois hangares com capacidade para 60 aviões, apoio e manutenção que permitirão a decolagem e pouso simultâneo de até três aviões.

Base Alberto Pawells, sede do Comando Aéreo de Combate Nº 3, opera na área do aeroporto Ernesto Cortizos de Barranquilla; base habitual de operações de aviões A-37B, chamados "os dragões do Caribe", que são utilizados em missões contra-insurgentes, e de um esquadrão tático composto por mais de 300 helicópteros. Desde esta base, segundo o jornal colombiano Cambio, operaria parte da esquadrilha de aviões P-3 Orión, mais conhecidos como "aviões espiões".

Outra das bases é a de Apiay, onde atualmente se concentram as operações de uma frota de aviões AT-27 Tucanos e Supertucanos, e quando entrar em vigência o acordo militar colombiano-ianque, segundo a mesma fonte, será o centro de operações de aviões de reconhecimento e dos Awacs, espécie de radares volantes de grande alcance.

Também serão utilizadas pelos ianques a baía de Málaga e a base naval ARC Bolívar de Cartagena, que serão centros de operações de barcos de interceptação em coordenação com aviões P-3 Orión.

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O anúncio oficial desse acordo foi feito pelo Ministro da Defesa da Colômbia Freddy Padilla ao iniciar-se a Conferência de Segurança da América do Sul (SouthSec), organizada de forma conjunta pelas Forças Militares da Colômbia e o Comando Sul do USA, com a assistência de Comandantes Generais de dez países da região.

Atritos da Colômbia com a Venezuela e o Equador 

No passado 30 de julho, o governo venezuelano, através do Ministério do "Poder Popular" para as Relações Exteriores expressou, mediante um comunicado, sua rejeição a estas novas bases na Colômbia, assim como às imputações que Uribe lançou a Hugo Chávez, de que três lança-foguetes de propriedade do exército venezuelano teriam chegado às mãos das FARC. 

Por sua vez, Rafael Correa declarou que o Equador se prepara para a defesa de ataques como o realizado no dia 1 de março de 2008 por militares colombianos a uma base das FARC, para o qual vem municiando-se com armamento militar de fabricação russa, corrida na qual também ingressaram os governos da Venezuela e Bolívia, como reação ao acordo colombiano-ianque.

Por sua vez, a gerência colombiana considerou a possibilidade de denunciar ante os tribunais internacionais, Hugo Chávez e Rafael Correa, por seu suposto apoio à guerrilha das FARC.

A tensão entre Colômbia com Venezuela e Equador subiu de tom, mais ainda, quando presidente equatoriano Correa rompeu relações com a Colômbia desde 2008, enquanto as relações colombiano-venezuelanas se encontram congeladas. Além disso, o governo de Chávez tem suspendido o envio de combustível subsidiado a território colombiano. 

Por outro lado, a instalação de bases militares ianques na Colômbia provocou  reações de Luiz Inácio da Silva do Brasil e Michelle Bachelet do Chile, quem ensaiaram pedir explicações a seu homólogo colombiano ao respeito.

Turnê sul-americana de Álvaro Uribe a 7 países sul-americanos  

Como Álvaro Uribe não assistiu a reunião da UNASUL em Quito, Equador, devido à tensão nas relações diplomáticas com esse país, tomou a intempestiva decisão de dar explicações pessoais aos gerentes semicoloniais de sete países sul-americanos: Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil; para o que realizou uma turnê relâmpago que durou 3 dias.  

Na sua primeira visita ao Peru, recebeu o respaldo de Alan García, que destacou a atuação de Uribe, além de mencionar uma série de elogios ao seu homólogo. De fato, deve ser lembrado que García quis alojar militares ianques na Base de Pichari, em Cuzco, situação que por enquanto está difícil de se concretizar diante do revés que García sofreu ao ter sido derrotado politicamente pelo movimento indígena amazônico da região nordeste do Peru, que motivou a renúncia de uma boa parte do seu gabinete ministerial em julho. 

Os demais gerentes de turno expressaram sua indignação pela instalação das bases militares ianques em território da Colômbia, considerando como uma séria ingerência ianque na região sul-americana. Embora os matizes dos presidentes sejam diferentes, desde um errático Lugo, do Paraguai, cujas declarações estiveram cheias de ambiguidades – aliás, o governo paraguaio consente a presença de uma base militar ianque em Marechal Estigarribia, perto da fronteira paraguaia com Brasil e Argentina; até as declarações de Evo Morales, presidente da Bolívia, que fechou fileiras contra a Colômbia, manifestando sua clara tendência e afinidade com os governos de Hugo Chávez da Venezuela e Rafael Correa do Equador. 

As manifestações populares não deixaram a desejar. Especialmente na  Argentina e no Chile, manifestantes alfinetaram Uribe na sua condição de genocida e de agente do imperialismo ianque na América do Sul.

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