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Índia: Insurreição em Lalgarh

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Sede do revisionista PC da Índia — Marxista — incendiado pelas massas

As tropas do governo central, polícias e milícias do velho Estado indiano realizaram a chamada Operação Lalgarh, desencadeada em 19 de junho. Uma brutal agressão aos adivasi (a população tribal) e ao Partido Comunista da Índia (Maoísta) em Lalgarh e nas redondezas, na zona de Midnapore Ocidental, no estado de Bengala Ocidental. Intelectuais de Calcutá que foram à zona de Lalgarh confirmam que as forças armadas estão a espancar e a humilhar as massas em todos os sentidos imagináveis e a concentrá-las em campos de refugiados.

A agitação em Lalgarh vinha ocorrendo há vários meses, atingindo o ponto de ebulição em novembro de 2008 com as prisões, torturas e violações de mulheres e crianças depois de uma explosão que quase matou o Ministro Chefe de Bengala Ocidental. O Estado tem sido dominado por uma pretensa Frente de Esquerda reacionária liderada pelo Partido Comunista - Marxista. Há muitas décadas que este partido opressor abandonou qualquer pretensão de marxista e o pensamento comunista, e juntou forças com as classes dominantes indianas para reprimirem e explorarem o povo e roubarem as suas terras.

Depois de terem feito uma série de protestos, a população tribal da zona tomou a questão nas suas próprias mãos, expulsando os agentes governamentais e a polícia.

O PCI (Maoísta), que tem um vasto apoio na zona de Lalgarh devido à sua inflexível posição contra os proprietários ricos e os funcionários corruptos, recentemente declarou essa zona como a primeira zona libertada em Bengala Ocidental. O governo indiano descreve-o como a maior ameaça à segurança interna do país. Gour Chakraborty, apresentado como porta-voz do PCI (Maoísta), foi preso quando saía de um estúdio de rádio onde tinha sido entrevistado. Também foram presos muitos outros supostos apoiadores.

O que desencadeou a revolta foi o brutal reinado de terror comandado pela polícia na região de Lalgarh, cometendo atrocidades indescritíveis contra pessoas inocentes, no rescaldo da explosão. Conjugado com o terror do Estado, criminosos social-fascistas [socialistas no nome, fascistas nos atos] pertencentes ao PCI-Marxista têm atacado aldeias com armas de fogo, sequestrando e espancando pessoas suspeitas de serem simpatizantes dos maoístas. Em 3 de novembro, a polícia do Midnapore Ocidental invadiu aldeias isoladas de Lalgarh no extremo Belpahari de Jangalmahal e deteve 15 pessoas. Três delas eram crianças do ensino secundário que foram barbaramente torturadas e acusadas de sedição [incitamento à revolta] ou de fazer guerra contra o Estado, conspiração e uso de explosivos. Elas regressavam para suas casas à noite depois de terem assistido a um festival de aldeia, quando a polícia as apanhou com quatro outros "suspeitos". Estes incidentes desencadearam os protestos iniciais. Mas a polícia continuou com a sua campanha de terror.

O momento decisivo surgiu quando a polícia de Lalgarh torturou 11 mulheres adivasi durante a noite de 6 de novembro em Chhoto Pelia. A senhora Chitamoni Murmu, uma mulher pobre santhal, perdeu a vista após um policial lhe ter golpeado o olho esquerdo com uma coronha de espingarda. Algumas, como Panmani Hansda, sofreram fraturas. Esse brutal incidente desencadeou um fogo na pradaria que se propagou ao resto do Midnapore Ocidental e também aos vizinhos distritos de Bankura e Purulia.

Uma organização independente chamada Comitê Popular Contra as Atrocidades Policiais exige que o Superintendente da Polícia do Midnapore Ocidental, Rajesh Singh, e os responsáveis pela afronta às mulheres, levantassem as orelhas e rastejassem com o nariz no chão ao longo de todo o caminho entre Dalilpur Chowk e Chhotopelia Chowk, pedindo desculpa pelas detenções policiais desde a explosão das minas a 2 de novembro.

http://www.anovademocracia.com.br/56/13a-2.jpgA partir de Lalgarh, a agitação rapidamente se propagou às zonas de Goaltore, Garbeta, Salboni, Gopiballavpur e Nayagram. As tentativas do governo e dos criminosos do PCI-Marxista para isolarem os adivasi dos maoístas fracassaram miseravelmente. Um trecho de 65 quilômetros da estrada de Banspahari para Lalgarh foi bloqueado pelos habitantes durante a agitação.

A 27 de novembro, submetendo-se à pressão do Comitê Popular Contra as Atrocidades Policiais, o governo de Bengala Ocidental retirou todos os treze acampamentos da polícia. O CPCAP exigiu que os acampamentos policiais fossem retirados em 24 horas ou eles confinariam os agentes policiais aos acampamentos e boicotariam a polícia e a administração civil. A colocação dos acampamentos policiais em edifícios escolares tinha impedido as crianças de continuarem os seus estudos e tinha despertado a fúria das massas. "A retirada dos acampamentos policiais foi uma virtual 'rendição' aos maoístas, uma vez que isso fazia parte das exigências em 12 pontos do CPCAP apoiado pelos maoístas", escarneceu um jornal.

Entretanto foram libertadas sete das pessoas presas pela polícia de Midnapore Ocidental que tinham sido levadas a tribunal e que continuaram sob custódia policial até 14 de novembro.

A 1º de dezembro, os adivasi bloquearam as novas estradas de Sankrail e Nayagram. Eles também exigiram a retirada do principal acampamento policial da cidade de Lalgarh. A fúria do povo também assumiu a forma de vários ataques às sedes e aos criminosos do PCI-Marxista. Quando os quadros do PCI-Marxista limparam à força os bloqueios das estradas instalados pela população tribal da zona, esta incendiou uma sede do PCI-Marxista na zona de Belatikri, em Binpur, no Midnapore Ocidental, no mesmo dia.

A agitação adivasi de um mês sob a bandeira do CPCAP, em Lalgarh, Jhargram, Belpahari, Binpur e nas zonas vizinhas do Midnapore Ocidental foi cancelada na noite de 7 de dezembro. Foi obtido um acordo em dez questões, incluindo a libertação de três estudantes, a retirada de acusações contra outros detidos acusados de envolvimento na explosão de 2 de novembro, a retirada dos acampamentos policiais, o pagamento das despesas médicas dos aldeões feridos durante as ações policiais, e outras. Pressionada, a administração concordou em arquivar os processos judiciais iniciados desde 1998 contra os adivasi e outros povos indígenas pelos seus supostos vínculos com os maoístas, em particular os casos onde não houve formalmente acusações. O próprio Ministro Chefe de Bengala Ocidental, Buddhadev, desculpou-se pelas atrocidades policiais contra as mulheres adivasi.

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A insurreição de Lalgarh destaca-se como exemplo luminoso de como o povo pode defender as suas vidas e liberdade face ao, cada vez maior, terror do Estado e terror patrocinado por ele, organizando um movimento de resistência de massas resoluto, unido e militante. Mostra como as massas populares comuns se podem tornar parte do processo de decisão e como podem fazer história através da participação ativa nos movimentos populares. Hoje em dia, em que as classes dominantes reacionárias da Índia, conluiadas com os imperialistas, conspiram para fortalecer o aparelho de Estado para desencadearem o mais cruel dos terrores na repressão das massas em luta, em nome da "luta contra o terrorismo", Lalgarh mostra-nos um caminho para unirmos as massas numa resistência organizada.

Em 8 de agosto, um dia depois que o governo do estado de Bengala Ocidental reconheceu o fracasso da "operação Lalgarh" contra as bases de apoio da Guerra Popular na Índia, o EPL fez demonstrações de força em um grande comício realizado a apenas dois quilômetros da base policial de Dharampur, no distrito de Lalgarh.

Mais de mil camponeses se concentraram no comício, agitando consignas revolucionárias. Dirigentes do PCI (Maoísta) afirmaram durante o comício que não sofreram nem baixas nem tiveram feridos durante a operação repressiva.

O dirigente do PCI (Maoísta), Bikash, confirmou a execução de três membros do revisionista PCI-Marxista, que estavam desaparecidos desde meados de junho, acusados de crimes contra o povo e desmentiu outras ações divulgadas pela polícia com intuito provocativo para lançar as massas contra a Guerra Popular.

Os dirigentes do Partido Comunista da Índia (Maoísta) ainda reconheceram que na operação Lalgarh foram utilizados modernos métodos eletrônicos de localização por helicópteros e satélites, incluindo os do USA, e ressalta a importante vitória das forças do povo de Lalgarh que derrotaram todo o aparato de repressão.

[fonte: The Times of India e IANS]


Naxalitas seguem derrotando a reação

12 de Julho

26 policiais indianos morreram numa emboscada do Exército Popular de Libertação - EPL no leste da Índia, no distrito de Rajnandgaon.

O oficial da polícia do Estado de Chatisgarh, Pawan Dev, disse que um primeiro ataque matou 2 soldados, depois outros foram enviados como reforço com a missão de perseguir a coluna guerrilheira e foram novamente atacados.

16 de julho

Combatentes maoístas expropriaram uma grande carga de explosivos e capturaram um sub-inspetor da polícia em Champajharan.

Uma testemunha declarou aos jornalistas indianos que mais de 80 combatentes do EPL interceptaram o veículo carregado de explosivos para mineração no caminho de Rourkela para Koida e em seguida fizeram disparos contra uma van da polícia e capturaram Ajit Bardhan, sub-inspetor da polícia de Koida.

25 de julho

Combatentes do EPL emboscaram e incendiaram um veículo militar que transportava água para as tropas da reação na estrada de Pirakata. Os combatentes interrogaram os ocupantes do veículo e os puseram em liberdade.

26 de julho

Soldados da reação foram atacados em uma ação do EPL no distrito de Dantewada. O ataque ocorreu quando as forças da repressão voltavam de uma patrulha próxima a um mercado público.

4 de agosto

A agência IANS informou que combatentes do Exército Popular de Libertação executaram dois agentes da polícia. As execuções se somaram a outras quatro desde o início das operações de repressão à população, desencadeadas pelo governo contra as bases de apoio à guerrilha em Lalgarh, em Bengala Ocidental.

As informações da imprensa apontam que um dos executados era um conhecido membro de uma organização reacionária ligada ao PCI-Marxista, partido revisionista que integra o governo de Bengala Ocidental. O segundo executado era um camponês denunciado como agente informante da polícia infiltrado na zona para denunciar os deslocamentos do EPL.

Peru

Guerra Popular dá mostras de vitalidade

16 de julho

Periódicos peruanos noticiaram enfrentamentos entre combatentes do Partido Comunista do Peru e as forças de repressão do velho Estado na região do VRAE.

Durante uma tentativa de cerco feita pelo Exército reacionário, os combatentes do Exército Guerrilheiro Popular responderam ao fogo, matando três soldados da reação.

Também foi noticiado que uma coluna guerrilheira fortemente armada e comandada pela camarada Olga, membro do Comitê Regional Central do PCP, se deslocou pela zona de Rumichaca e Huanta realizando propaganda com trabalhadores nas estradas.

17 de julho

Ainda que o Comando Conjunto das Forças Armadas reacionárias do Peru tenha negado, o que foi qualificado como "acidente" foi divulgado pela imprensa como um ataque guerrilheiro com granadas contra um grupo de soldados das forças de repressão nas proximidades de Pichari, em Cusco.

A explosão provocou a morte de dois soldados e deixou outros seis feridos.

As forças de repressão não foram capazes de rastrear os atacantes.

27 de julho

A rádio CPN (de Lima) noticiou a tomada da localidade de Pampaycu, no distrito de Uchiza, durante várias horas por uma coluna do Exército Guerrilheiro Popular com cerca de 70 combatentes.

Durante a tomada de Pampaycu, os combatentes do EGP realizaram atividades de agitação e propaganda da Guerra popular. Bandeiras vermelhas, com a foice e o martelo, e abundante propaganda impressa tem aparecido em diversas localidades do Alto Huallaga.

2 de agosto


A própria imprensa burguesa e agências de notícias noticiaram um novo ataque da Guerra Popular em Ayacucho ao posto policial da Dinoes, em San José de Secce.

De acordo com os informes da imprensa, o ataque ocorreu pela madrugada, quando uma coluna guerrilheira, com cerca de 50 combatentes do EGP, dirigida pela camarada Olga, detonou explosivos contra o edifício principal do quartel policial, dando início a um cerrado combate que resultou na morte de três policiais e um número indeterminado de feridos.

O posto policial, que aquartelava 30 soldados, ficou praticamente destruído.

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