Transnacionais "brasileiras" fincam as garras na América Latina

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No início de julho, o braço nacional do monopólio internacional dos meios de comunicação noticiou com satisfação que pelo segundo ano consecutivo cinco empresas sediadas no Brasil figuravam na lista, divulgada anualmente pela revista ianque Fortune, das 500 maiores companhias do mundo. Entraram na tal lista – tradicional ranking de ostentação dos lucros astronômicos dos maiores monopólios do planeta – Petrobras, Vale, Itaúsa (holding que tem o controle acionário da empresa que se originou da fusão entre o Itaú e o Unibanco), Bradesco e Banco do Brasil. Por mais que os jornalões e as emissoras da grande burguesia brasileira se esmerem para transformar dados desta estirpe em motivo para inflar o ufanismo nacional, as massas não caem neste tipo de armadilha, pois entendem que não há motivo para o povo se orgulhar do capital que, além de oprimir aqui dentro, vangloria-se de sua atuação predatória na vizinhança, onde se vale de todo seu poder para crescer no sentido oposto ao dos interesses dos povos irmãos da América Latina.

O que é pior: seja o capital misto (caso da Petrobras), seja o capital privado (principalmente a Vale e as empresas corruptas do monopólio da construção civil), estes monopólios em expansão contam com a prestimosa ajuda do Estado semicolonial, ora sob a gerência de Luiz Inácio, para fincar suas garras em outros cantos do nosso continente. Esta gerência, mais uma utilizada pelo imperialismo, nutre pretensões de que o país se consolide como uma potência regional opressora, usa sobretudo o dito Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar com empenho cada vez maior as aventuras expansionistas de um pretenso "sub-imperialismo" brasileiro. Como bons oportunistas, Luiz Inácio e sua trupe tentam justificar o financiamento público das ofensivas das transnacionais "brasileiras" usando o argumento ardiloso de que o faz em nome da integração dos povos latino-americanos.

Os dados da edição de 2008 do ranking das transnacionais brasileiras editado pela Fundação Dom Cabral mostrou que o ano de 2007 marcou o início de um aprofundamento da expansão internacional subvencionada pelo Estado dos grandes monopólios baseados no Brasil, confirmando mais um reforço de uma tendência cujo grande salto foi dado em 2001, ainda sob a gerência de Fernando Henrique Cardoso. O novo salto de 2007, com aumento exponencial do "fluxo de investimentos" nos países vizinhos, refletiu a sanha de aquisições de empresas estrangeiras pelas transnacionais financiadas por Luiz Inácio, com um aumento de 66 operações deste tipo. Companhias como Gerdau, Friboi, Votorantim e as próprias Vale e Petrobras desataram sua sangria monopolista em países como México, Colômbia e Argentina. Os ativos externos das 20 maiores transnacionais brasileiras cresceram 30% em 2007 em relação ao ano anterior, sobretudo nos setores de mineração, aço, petróleo, gás e de construção civil. Entre as dez maiores, há três construturas: Camargo Corrêa, Odebrecht e Andrade Gutierrez e, além delas, a Votorantim Cimentos.

Mafiosos, como todo monopólio

São inúmeros os casos de transnacionais brasileiras fazendo a festa a custa do suor e do patrimônio dos povos latino-americanos. A atuação da ‘estatal’ Petrobras na Bolívia, a da construtora Queiroz Galvão no Peru, a infame presença da Coteminas (do vice-presidente José Alencar) no Haiti, e a expansão do império da Vale no Chile e na Guatemala são alguns deles.

Um exemplo recente do respaldo incondicional que o Estado brasileiro dá a estas transnacionais em suas ofensivas levadas a cabo no exterior foi o grotesco episódio envolvendo o Itamaraty, a empreiteira Odebrecht e a gerência de Rafael Corrêa no Equador. A empreiteira ganhou a concorrência para a construção de uma hidrelétrica no país vizinho, a de San Francisco, e depois realizou uma obra de araque, cheia de falhas grotescas e irresponsáveis, e tudo com dinheiro tomado emprestado pelo governo equatoriano junto ao BNDES e repassado à empreiteira mafiosa. Após investigações e uma auditoria na obra, evidenciaram-se as falcatruas e os desrespeitos da Odebrecht ao que havia sido contratado, e quando Rafael Corrêa (com a boa dose de demagogia que lhe é peculiar) expulsou a empresa do país e disse que não pagaria a dívida com o BNDES, a gerência de Luiz Inácio chamou o embaixador brasileiro em Quito de volta e deixou bem claro que a empreiteira mafiosa tinha todo o seu apoio.

O caso da usina hidrelétrica de Itaipu, construída na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, é típico deste domínio sobre territórios estrangeiros regionais que o Estado oligarca brasileiro quer perpetuar e acirrar. Acertado ainda sob as gerências militares nos dois lados da fronteira e sob a influência do general Golbery do Couto e Silva, o Tratado de Itaipu foi assinado em condições desfavoráveis para o Paraguai, o que viria a ser mascarado pelo nome-slogan que o projeto recebeu: "Itaipu Binacional".

As obras daquela que até hoje é a maior hidrelétrica do mundo foram entregues de bandeja à empreiteira brasileira Mendes Júnior, e hoje o excedente da cota de produção da usina que cabe ao Paraguai é vendida a preço de banana, irrisório, para a Eletrobrás. Como os paraguaios usam apenas 5% do gigantesco naco energético a que têm direito, os militares brasileiros e o tirano vendepátria Augusto Stroessner sabiam muito bem que um tratado nestes termos significaria simplesmente a usurpação das riquezas do Paraguai pelo subimperialismo verde e amarelo.

A atual gerência paraguaia chegou a pedir a revisão deste infame contrato, Luiz Inácio bateu o pé, e depois o bispo Fernando Lugo acabou aceitando mais um acordo proposto pela gerência brasileira, que prevê autorização para o Paraguai vender energia no mercado brasileiro e o pagamento de três vezes mais pela energia que vai para a Eletrobrás. Entre Stroessner e Lugo, salvaram-se todos os vendidos, mas o patrimônio do povo vizinho continuará sendo objeto da rapina do capital entocado no Brasil, ainda que sob condições aparentemente mais suaves.

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