Por que é preciso destruir a burguesia e sua imprensa

A- A A+
Pin It

"Porque em nenhum lugar o espírito específico dos Estados manifesta-se mais claramente que nos debates sobre a imprensa"
Karl Marx, em Liberdade de Imprensa

Em virtude dos avanços das tecnologias da informação, os meios de comunicação de massa passaram a atingir praticamente todo o universo de cidadãos que convivem em sociedade. Seus suportes são muitos: outdoors, emissoras de rádio, emissoras de televisão, jornais, revistas, internet, telefones celulares, entre outros. Por outro lado, cada vez menos atores detêm o poder de produzir e divulgar palavras e imagens, conforme registra Dênis de Moraes em seu livro A batalha da mídia: "Hoje em dia, 20 conglomerados transnacionais de mídia controlam cerca de 3/4 de toda produção simbólica no planeta, o que traz problemas gravíssimos para a diversidade informativa e para a pluralidade cultural".

No Brasil também existe uma concentração significativa entre os meios de comunicação de massa. No veículo televisão, por exemplo, o mercado pertence a um grupo de apenas seis corporações, apontando para a formação do monopólio, informa Dênis de Moraes:

"Seis empresas de mídia controlam o mercado de TV no Brasil, um mercado que gira mais de US$ 3 bilhões por ano. A Rede Globo detém aproximadamente metade deste mercado, num total de US$ 1,59 bilhão. Estas seis principais empresas de mídia controlam, em conjunto com seus 138 grupos afiliados, um total de 668 veículos midiáticos (TVs, rádios e jornais) e 92% da audiência televisiva; a Globo, sozinha, detém 54% da audiência da TV".

A televisão tem uma importância central por suas características próprias, capazes de entreter pelas vias de áudio e vídeo — o que até sua invenção era uma conjugação inédita na história da comunicação mundial entre os veículos domésticos. Por outro lado, no Brasil a importância desta mídia assume contornos ainda maiores devido ao baixo índice de alfabetização do povo — segundo o Instituto Paulo Montenegro, em pesquisa divulgada pelo escritor Venício Lima, no livro Mídia: crise política e poder no Brasil, apenas 26% dos brasileiros entendem o que lêem.

Entendemos, ainda, que os meios de comunicação funcionam como uma instituição com imensa capacidade de produzir e reproduzir subjetividades, que se desdobram em atitudes e posicionamentos bastante objetivos, como demonstra Cecília Coimbra em seu livro Operação Rio: o mito das classes perigosas:

"A mídia é atualmente um dos mais importantes equipamentos sociais no sentido de produzir esquemas dominantes de significação e interpretação de mundo (...). Esse equipamento (...) nos orienta sobre o que pensar, sobre o que sentir".

Estrutura fortemente concentrada, poder de agendamento e capacidade de influir sobre as decisões de cidadãos, instituições, chefes de Estado e da própria sociedade são características que credenciam as corporações de mídia como atores extremamente relevantes nos dias de hoje.

Em A ideologia Alemã, Karl Marx resume em grande parte a centralidade da imprensa para que a burguesia mantenha o controle sobre a sociedade:

"Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes, ou seja, a classe que tem o poder material dominante numa sociedade é também a potência dominante espiritual. A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe igualmente dos meios de produção intelectual; de tal modo que o pensamento daqueles a quem é recusado os meios de produção intelectual está submetido igualmente à classe dominante."

O controle ferrenho dos aparelhos ideológicos pela burguesia tem uma série de consequências, entre elas a de não permitir que as massas enxerguem e sintam de maneira clara as condições brutais de exploração a que são submetidas pelo sistema capitalista, sobretudo em sua fase superior, o imperialismo.

Esta violência assume proporções ainda maiores quando observamos o papel dos meios de comunicação no tocante à eterna criminalização das classes populares, de suas lutas por se libertar da exploração, de seus hábitos e costumes, de suas formas de trabalho, de sua luta por sobrevivência.

Um bom exemplo disso foram as reportagens que se seguiram à operação policial no Complexo do Alemão, que deixou mais de 40 mortos em 2007 — uma comissão federal provou, posteriormente, que pelo menos duas pessoas foram executadas a sangue frio. A revista Veja considerou a matança "a guerra necessária para a reconstrução do Rio", O Globo dedicou 95% do espaço editorial nos dois dias seguintes para apoiar a ação da polícia e a revista Época exibiu em sua capa a fotografia de um policial caminhando sobre corpos sem vida, com o título: "Um ataque inovador". Emissoras de rádio e televisão seguiram o mesmo caminho. O massacre (des) informativo atinge a sociedade como um todo, e pauta toda a sociedade com a linha política das classes dominantes, inclusive os operadores do Direito que irão interferir diretamente no fato ocorrido: delegados, promotores e juízes.

Apenas para ilustrar a agressão da imprensa burguesa contra os trabalhadores, relembramos um caso ocorrido em 16 de abril de 2003. A operária Maria Dalva da Costa Correia da Silva, de 54 anos, perdeu um filho assassinado por policiais. No dia seguinte, Thiago da Costa Correia e Silva foi chamado de bandido pelo jornal Extra, das Organizações Globo. Título: "Tiroteio mata 4 em morro da Tijuca"; subtítulo: "Policiais são surpreendidos e trocam tiros com bandidos do Borel". O texto da matéria relacionava o estudante como traficante, a forma encontrada para legitimar o seu assassinato. "Sei que não houve troca de tiro. Foi execução e todos levaram tiro nas costas e na cabeça", enfatiza Maria Dalva. Thiago tinha 19 anos, cursava a oitava série do primeiro grau e trabalhava, com carteira assinada, fazendo manutenção de bombas de gasolina.

A estratégia de criminalização da classe trabalhadora é um dos pilares centrais do fascismo, cuja implementação tem sido acelerada, principalmente nas semicolônias. O Estado mantém as massas populares permanentemente aterrorizadas e sufocadas em suas reivindicações, visando diminuir sua  capacidade de mobilização e luta.

Enquanto isso, ofuscada pela cortina de fumaça de escândalos da política mundana com cobertura nacional, procede-se a uma escandalosa usurpação das riquezas nacionais. Sob os auspícios da imprensa monopolista, a atual crise do sistema capitalista drenou o quanto pôde. Só no setor automobilístico, conforme relatório do Banco Central de 2008, as montadoras enviaram nada menos que US$ 4,8 bilhões às matrizes no exterior. Somando os outros setores da economia, a sangria alcança absurdos US$ 20,143 bilhões/ano. O Globo deu matéria sobre isso sem nenhum destaque nas páginas internas. Não dá pra aceitar calado o envio de tantos bilhões pra fora enquanto existe gente passando fome aqui dentro.

Outro ponto central da estratégia das classes dominantes em que a imprensa é utilizada em larga escala são as guerras de rapina, assim como os momentos de ruptura institucional. No primeiro caso temos o exemplo do apoio irrestrito das corporações de mídia ao governo ianque para a invasão e genocídio no Iraque e Afeganistão. No segundo caso temos o exemplo candente do recente golpe ocorrido em Honduras, cujo movimento inicial contou com o suporte efetivo do monopólio internacional dos meios de comunicação.

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja