O "novo FMI", mais do mesmo

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Ocorreram no início de outubro na cidade turca de Istambul as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. O diretor do fundo, o francês Dominique Strauss-Kahn, não conteve a euforia diante da cumplicidade e da solicitude demonstrada pelos gerentes dos países sócios para financiar as políticas de miséria e arrocho que tornam o FMI a mais odiada instituição do capital financeiro internacional entre as massas populares de todo o mundo.


Manifestantes em violento confronto com a polícia turca em protesto contra o FMI

Acatando as determinações do USA e das outras potências imperialistas, os gerentes servis das semicolônias apresentaram proposta de aumentar em 5% a própria cota de recursos arrecadados por suas máquinas burocráticas e tributárias junto aos trabalhadores e que são entregues de bandeja para os manda-chuva do fundo – um dinheiro que será utilizado nos Novos Acordos para a Obtenção de Empréstimos (NAP), novo nome para a velha prática da agiotagem internacional institucionalizada, usada para financiar o arrocho salarial, as privatizações, a liberdade para demitir, a destruição de diretos e garantias do povo e a construção de toda uma estrutura de facilidades para as operações do capital monopolista.

Além disso, os chamados Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) se comprometeram a repassar 80 bilhões de dólares ao FMI, sendo que 50 bilhões sairão de Pequim, e 30 bilhões serão oferecidos por Brasília, Moscou e Nova Déli, divididos em partes iguais.

É disso tudo que Luiz Inácio e seu séquito de financistas vêm se vangloriando depois que sua gerência se comprometeu na Turquia a engordar o caixa do FMI com 10 bilhões de dólares em recursos nacionais, em uma operação infame maquiada pelo monopólio dos meios de comunicação como uma insossa e inofensiva "compra de títulos" do fundo. Serão US$ 10 bilhões em riquezas produzidas pelas massas trabalhadoras transferidos diretamente a uma instituição criminosa, velha algoz do povo brasileiro, repudiada pelas classes populares do nosso país, mas bajulada pelas elites partidárias oportunistas que se sucedem à frente do Estado burocrático e semi-feudal.

O ministro da Fazenda da gerência petista saiu corneteando aos quatro ventos: "Passamos da condição de devedores à de credores. É uma mudança radical". Como se a festejada nova condição não significasse simplesmente mais um ato – radical, é verdade – de rapinagem do patrimônio do povo. É o Brasil financiando o sofrimento de muitos povos irmãos, em países onde o FMI irá se instalar com suas políticas de miséria e precarização. Do que os trabalhadores brasileiros poderiam se orgulhar?

Foi também na reunião de outubro em Istambul que o ministro da Economia da Argentina acertou com os gerentes do FMI a volta do fundo ao país, menos de uma década após o ápice da grave situação na qual as massas argentinas foram colocadas por causa da rigorosa implementação da profilaxia antipovo ditada pelo fundo e acatada pelas classes dominantes ao sul do Rio da Prata. Vindo da Turquia, Amado Boudou desembarcou em Buenos Aires dizendo que uma "missão técnica" do FMI chegaria em breve para "avaliar a situação econômica do país", ou seja, para realizar uma auditoria.

Cintilar em Istabul

O povo turco se levantou contra esses arranjos espúrios e lesivos às massas trabalhadoras de todo o mundo, repudiando com veemência e combatividade os conluios que os "managers" do imperialismo foram fazer em sua terra. A juventude se rebelou e saiu às ruas empunhando faixas cartazes de protesto, apedrejando e lançando coquetéis molotov contra agências bancárias, símbolos da podre burguesia. Confrontaram-se com as forças de repressão enviadas ao seu encontro quando tentavam chegar ao local das assembléias do FMI e do Banco Mundial. Uma pessoa foi morta pela polícia e mais de 100 foram presas.

Na Romênia, em protesto contra a adoção das medidas antipovo do FMI, as massas organizaram a mais importante greve em muitos anos. Foram 800 mil funcionários públicos romenos fazendo ecoar, em uníssono, o grito que na verdade é o de muitos povos do mundo oprimidos pelos arrochos do fundo: "Abaixo o imperialismo, fora FMI!".

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