A farsa de desenvolvimento capitalista bem-sucedido

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Luiz Inácio e o monopólio da comunicação vêm se esforçando tanto para maquiar a miséria do povo brasileiro, fazendo mágicas com estatísticas e malabarismos com indicadores de trabalho, saúde e educação, que só falta mesmo chamarem o povo de ingrato quando as classes populares se erguem enfurecidas contra as políticas de exploração e opressão. Toda a lenga-lenga do "país justo" e do "capitalismo bem sucedido" brandida pela gerência oportunista não resiste sequer aos relatórios das Nações Unidas, ideologicamente viciados e metodologicamente suspeitos, mas pelos quais o povo trabalhador pode conhecer desmentidos relevantes.

Entre os 182 países ranqueados no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU divulgado no início de outubro, o Brasil aparece na sétima colocação, de baixo para cima, no quesito desigualdade. Isso significa que nosso país só fica à frente de Panamá, Haiti, Colômbia, Comores, Bolívia e Namíbia. Os 10% mais ricos têm renda 40,6 vezes maior do que os 10% mais pobres. O Brasil chega ser mais desigual do que países como Níger e Serra Leoa, que segundo a ONU estão entre as nações mais miseráveis do mundo.

É significativo que na parte de baixo da lista estejam uma nação ocupada por tropas imperialistas (Haiti) — com a prestimosa contribuição do exército brasileiro — , um país transformado em protetorado ianque na América do Sul (Colômbia), outro vilipendiado pelo oportunismo de matriz indigenista (Bolívia), uma semicolônia miserável que vem sendo apresentada pelos hipócritas mundo afora como exemplo de "capitalismo bem-sucedido" (Brasil) e outros países historicamente castigados pela rapinagem sem limites dos empreendimentos coloniais levados a cabo ontem e hoje pelas potências do hemisfério norte.

É a própria ONU reconhecendo por vias tortas, e como se não tivesse nada com isso, a tragédia estrutural de gigantescas proporções que sua dobradinha com as potências imperialistas e com as elites locais perpetua nas semicolônias, catástrofe permanente e generalizada à qual os demagogos das Nações Unidas tentam impingir o caráter esporádico e pontual das chamadas "crises humanitárias".

Outra face dessa mesma tragédia é a mortalidade infantil. Entre as famílias brasileiras 20% mais pobres, 99 crianças em cada mil morrem antes completar cinco anos de idade, 99% de todos os óbitos do mundo de crianças nesta faixa etária acontecem em países dominados pelo imperialismo. No Brasil "emergente" de Luiz Inácio, a precariedade cada vez mais acentuada das condições de vida mata precocemente os filhos dos trabalhadores, mas também leva os adultos à morte precoce: dos quatro itens considerados pela ONU para elaborar o seu IDH, o pior indicador do Brasil foi quanto à longevidade do seu povo (os outros três são: pessoas alfabetizadas, matrículas escolares e nível de renda). Na América Latina, a "potência regional" tem a 14º maior expectativa de vida entre os 20 países do continente: 72,3 anos. E neste ponto o Estado brasileiro volta a contribuir para a situação dramática do Haiti, onde as pessoas, em média, não vivem mais do que 61 anos.

A contagem da mortalidade infantil no Brasil aumenta para 119 óbitos em cada mil crianças quando elas têm a mãe analfabeta. São "índices africanos", no linguajar da ONU. E o analfabetismo é outra tragédia que, a despeito da falácia de Luiz Inácio de que o capitalismo está fazendo bem ao povo brasileiro como "nunca antes na história deste país", continua assolando as classes populares, como sempre na história deste país gerenciado pelos sucessivos cabeças do velho Estado, que anda cada vez mais corrupto, entreguista e antipovo.

Em 2008, dez por cento dos brasileiros com mais de 15 anos de idade não sabiam ler e escrever, o que significa 14 milhões de castigados por esta chaga. Eram 10,1% em 2007, e a redução de 0,1% no índice no período de 12 meses, ou seja, a estagnação do analfabetismo,   demonstra de forma cabal a total incapacidade do velho Estado para combater o problema. A taxa é de 13,6% entre os negros. Na região Nordeste, 20% das pessoas são analfabetas.

Tudo isso são dados sem dúvida alguma vindos das fábricas de estatísticas dos inimigos das massas, e se eles parecem graves e desmontam a falácia da prosperidade do povo, o companheiro trabalhador pode acreditar: a situação é muito pior. Contra tanta exploração, precariedade e morte, a profilaxia das reformas capitalistas é um engodo inaceitável. Reverter esta tragédia é algo que só se vislumbra mediante uma perspectiva revolucionária, que só é possível deitando por terra o capitalismo burocrático e o Estado semifeudal e semicolonial que lhe dá sustentação, ainda que os demagogos como Luiz Inácio jurem de pé junto que é tudo para a felicidade geral da nação.

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