... mas palestinos resistem

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Segundo definições da ONU, está na linha de pobreza quem ganha até dois dólares diários, ou menos. Na Cisjordânia, 55% da população está nessa situação. Na Faixa de Gaza é ainda pior: são 70%. A situação econômica na Palestina é dramática. O endurecimento do regime de fechamento das fronteiras, aplicado por Israel, é a causa imediata mais importante desta situação de crise. Por que os sionistas estão interessados em manter uma indústria palestina atrasada e pouco produtiva? Uma das estratégias de Israel, desde o começo da ocupação, é a de integrar a economia palestina segundo seus próprios interesses econômicos, de território e água. Sua política tem impedido qualquer crescimento econômico independente. As duas regiões tornaram-se um mercado suplementar para produtos e serviços israelenses e fonte de mão-de-obra barata. Esta situação tem forçado milhares de palestinos a emigrar à procura de empregos no mundo árabe ou além. A governo sionista ameaça com a criação de duas economias separadas, em Gaza e na Cisjordânia. 

Desemprego

No segundo semestre de 2002, o desemprego, que estava em 36% da população, saltou para 50%. Estima-se que a atividade econômica, paralisada pela perda de empregos de palestinos que antes trabalhavam em Israel, e também pela falta de produção doméstica, esteja a perder um total de 7,6 a 10 milhões de dólares diários desde o começo da segunda Intifada, em fins de setembro de 2000. A perda total em todos os setores da economia palestina chegou a 4,25 bilhões de dólares (setembro de 2000 a setembro de 2001)

Com o fechamento do aeroporto internacional de Gaza, no setor de turismo, que respondia por 11% do PIB, e representava uma das mais importantes fontes de divisas, a paralisação foi total; o número de visitas guiadas palestinas em Jerusalém, por exemplo, caiu de 159 (1967) a 47 (1995). Agricultura, comércio e indústria também foram severamente atingidos. A informalidade é a característica atual da indústria palestina.

Segundo o Conselho Econômico Palestino para Desenvolvimento e Reconstrução (Pecdar), o prejuízo na infra-estrutura foi, no período de setembro 2000 a 2001, de 165 milhões de dólares e, na área de transporte, de cinco milhões de dólares. Mais recentemente os israelenses destruíram, além do aeroporto, o ministério da educação e a câmara de comércio. Não foram apenas lojas e fábricas que o exército de Israel destruiu, mas também redes de eletricidade e de tratamento de água. A Palestina está submetida economicamente a Israel, tanto que 85% do seu comércio são feitos pelo seu intermédio, e os palestinos têm que comprar água, eletricidade e telecomunicações de companhias israelenses. As importações palestinas procedem exclusivamente de Israel, tendo a Cisjordânia superado os Estados Unidos como principal cliente das exportações israelenses. Depois que Israel lançou a operação “muro de defesa” (primeiro semestre de 2002), mais de 56% das famílias palestinas ficaram sem a metade de suas rendas, e 20% perderam tudo. São as conseqüências dessa dominação que obriga cerca de 70.000 palestinos da Cisjordânia e 50.000 da Faixa de Gaza a trabalharem diariamente em Israel, onde ocupam postos de trabalho desprezados pelos israelenses, e recebem metade do salário de um profissional judeu, segundo fontes sindicais palestinas. Agora, que se instala a maior recessão da economia israelense dos últimos cinqüenta anos, a situação —agravada pela crise internacional — levará certamente a taxa de desemprego palestina a níveis insuportáveis.

Com essa política de fechamento do território, num total de 190 bloqueios militares, e de reiterados toques de recolher, quase que permanentes em certas regiões (cidade de Nablus, por exemplo), o exército israelense impediu a movimentação de trabalhadores e mercadorias. Com a reocupação por parte de Israel de cidades palestinas, e as medidas de segurança impostas à população, o nível de vida reduziu-se drasticamente, o direito à liberdade de trabalho não existe mais, como não mais existem os direitos humanos básicos dos palestinos.

Fome

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já declarava, há um ano, estar “vivamente preocupada pelas destruições em grande escala da infra-estrutura palestina, de granjas agrícolas, de silos para cereais, de sistemas de irrigação, de campos cultivados, bem como do desaparecimento de uns oito mil hectares de terras cultiváveis”.

A fome e a desnutrição têm alcançado níveis alarmantes: a quantidade de crianças abaixo do peso normal, quando de seu nascimento, cresceu 10,4%. O percentual de crianças que já nascem mortas, na Faixa de Gaza, é de 52%.

É grande a disparidade do consumo de água da população palestina e israelense: enquanto a primeira tem recursos disponíveis de 112 metros cúbicos por pessoa/ano, a segunda dispõe de 377 metros cúbicos.

A grave situação sócio-econômica em Gaza e na Cisjordânia é o resultado do bloqueio que Israel vem impondo ao desenvolvimento palestino desde 1967. Segundo a ONU, centenas de milhares de trabalhadores palestinos têm sido expulsos dos Estados petrolíferos do Golfo, o que ocasionou perda de 450 milhões de dólares à Autoridade Nacional Palestina. Com a eclosão da guerra do Golfo, a simpatia pró-Iraque do povo palestino privaram a OLP do suporte financeiro, 750 milhões de dólares, ajuda estimada feita pelas petromonarquias e que serviam para fornecer subsídios a noventa mil famílias palestinas de presos e mártires, agora relegadas à indigência, com suas casas destruídas pelas sucessivas represálias israelenses.

Ajuda internacional

Enquanto os palestinos enfrentarem problemas econômicos crescentes, com conseqüências humanitárias cada vez mais graves, continuada e maior ajuda econômica se faz necessária.

Entretanto, a comunidade internacional não tem feito esforços substanciais de investimentos econômicos para o desenvolvimento da Palestina, apesar das previsões otimistas do Banco Mundial, da União Européia e dos Estados Unidos, que prometeram mundos e fundos nos vários processos de negociações, exceção feita para Israel que tem sido a grande beneficiária dos investimentos estrangeiros, especialmente norte-americanos. A segurança de Israel, sua integração econômica regional, aponta para uma centralização econômica em torno de Israel, com a manutenção de seu poder econômico e de dominação. Todos os pontos de entrada e saídas da Cisjordânia e da Faixa de Gaza — mesmo caminhos na montanha e estradas de difícil acesso — foram fechados. Os bloqueios não garantem a segurança de Israel, mas revoltam palestinos moderados, cujos negócios ficaram paralisados.

Os números do desemprego na Palestina

Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), a força total de trabalho palestina era, em 1990, de 308.000 (200 mil na Cisjordânia e 108 mil na Faixa de Gaza). Desses trabalhadores, em torno de 110, 120 mil, trabalhavam em Israel antes da Guerra do Golfo. A Faixa de Gaza é particularmente dominada por Israel: aproximadamente 70% de sua força de trabalho estava empregada em Israel (30% na Cisjordânia) e mais da metade do PNB de Gaza vinha do trabalho em Israel. Enquanto que o total de trabalhadores diários palestinos em Israel era de 116 mil em 1992, em 1993 esse total caiu para 84 mil, declinando rapidamente depois: 53 mil em 1994, 29 mil e 500 em 1995. A autorização de trabalho para palestinos foi de 35 mil em 1996, contudo muitos palestinos detentores da permissão não puderam encontrar trabalho em Israel devido à política de substituição israelita da força de trabalho que importou mais de 100 mil trabalhadores da Romênia e Tailândia. Mas muitos empregadores judeus estão relutando em dar trabalho a palestinos em conseqüência de sua presença irregular causada pelos fechamentos de fronteiras.

Habitação

A carência habitacional é um dos principais problemas a que palestinos têm que fazer frente. A demanda é crescente, não somente devida ao crescimento natural da população (6%/ano), mas ainda pelo retorno esperado de milhares de refugiados ou devido à inadequação de unidades residenciais existentes, particularmente nos superpovoados campos de refugiados.

Demanda Habitacional 1994-2000 (em unidades)
Crescimento da população
40.000
Substituição de habitações inadequadas
30.000
Retorno de refugiados
85.000
Campos de refugiados
30.000
Total
185.000
Fonte: Programa de Desenvolvimento Palestino, 1994-2000. Tunísia, OLP, julho de 1993
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