Governo e latifúndio torturam e assassinam camponeses em Rondônia

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Reproduzimos abaixo texto da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia — LCP, enviado à nossa redação por membros desta organização. Sob o título de "Governo Bianco/FHC e latifúndio torturam e matam camponeses em Nova Mamoré, Buritis e Campo Novo". Este documento relata e denuncia as perseguições a que o movimento camponês daquele estado tem sido vítima, bem como o crescimento das lutas pela terra nesta região.

Há mais de três, anos a região de Nova Mamoré tem sido palco de uma nova página na história da luta pela terra em Rondônia.O município, que fica a 60 Km de Buritis, é cortado pela BR-421, que dá acesso à cidade de Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia.

Nos últimos meses tem vivenciado a violência dos bandos armados que atuam impunemente a serviço de grandes latifundiários. Numa área de grandes extensões de terras devolutas, destinadas pelo INCRA a projetos de assentamento, centenas de famílias camponesas deram início a estradas, roçados, plantio, etc. Mas, devido a existência de mata virgem, rica em madeira de lei como o mogno, vários latifundiários passaram a usar de violência para expulsar as famílias. Passaram a bloquear estradas com formação de pastos, cercas, porteiras, deixando várias famílias no isolamento, sem poder utilizar as estradas, constantemente ameaçadas por jagunços. Os que resistiram foram assassinados.

É o caso de uma área, hoje conhecida por Fazenda Condor. Ali, há três anos, moravam num pequeno vilarejo 40 famílias que, por se negarem a deixar suas terras, foram surpreendidas por um exército de homens armados, que chegaram atirando em qualquer coisa que se movesse. Quase todos morreram. Os sobreviventes ficaram com seqüelas e não gostam de falar sobre o assunto.

Os principais latifundiários da região, são Carlos Schumann e GeraIdo da "Condor". Carlos tem propriedades em Vilhena e Chupinguaia (sul do estado), além de serrarias ilegais que atuam na região de Nova Marmoré. A Fazenda Schumann tem cerca de 7.000 alqueires. GeraIdo é dono de uma das maiores distribuidoras de produtos alimentícios do estado, que fica na cidade de Ji-Paraná. Suas duas área na região (uma delas é a Fazenda Condor) têm cerca de 52.000 alqueires.

Também são conhecidos na região de Buritis, os latifundiários Nené da laminadora e Toninho Samaritano. Todos os citados têm uma rica experiência em assassinato de trabalhadores e contam com os serviços de uma dezena de facínoras atrelados à estrutura do Estado. Como é o caso do Dr. Eliseu, candidato a deputado pelo PT, delegado na cidade de Ariquemes, conhecido por contratar pistoleiros para expulsar camponeses de suas terras. Com ele, atuam os pistoleiros Diamantino e Donizete Moage. Da mesma forma atua o Sargento Alves, da PM de Ji-Paraná, que já grilou mais de 300 alqueires expulsando camponeses. Atuam com ele o soldado Silvio, da PM, o agente da polícia civil Rubão e os pistoleiros Bigode e Dionísio, todos moradores da cidade de Buritis. Os métodos utilizados por este grupo são: a tortura com espancamentos e o afogamento, onde amarram as pessoas nas mãos e pernas. Recentemente, assassinaram um jovem da região, conhecido como Edmilson e sumiram com seu corpo. Além destes, são conhecidos por atuarem na região, os pistoleiros Gileno e "Sorriso", de Ji-Paraná e Geraldo "Boca Rica", de Campo Novo.

O INCRA tem atuado em conluio com latifundiários, vendendo áreas da União destinadas à reforma agrária. Caso de oito áreas vendidas pelo representante da superintendência estadual em Porto Velho, Paulo Brandão (conhecido pelos camponeses da região por sua capacidade de enrolar nas negociações), que cobrou 80 mil reais para liberar algumas propriedades.

Hoje, mais de 150 famílias resistem aos ataques constantes dos jagunços e temem pela segurança. Todas as denúncias que fizeram não surtiram efeito. Isso só fez crescer o número de assassinatos e torturas sofridos nos últimos tempos, como aconteceu com um camponês de idade, conhecido por Maninho, que foi abordado por um grupo de homens armados quando estava na beira do rio Jaci. Ali mesmo, foi espancado a golpe de coronhadas. Teve o pé e braço decepados, foi castrado e, em seguida, afogado no rio.

Outros três companheiros desapareceram recentemente. Suspeita-se que foram assassinados e tiveram seus corpos queimados. Foram torturados e humilhados por bandos de companheiros, conhecidos como "Gaúcho da Pedra" e Benedito, além de outros doze moradores da região que se recusaram a abandonar suas terras. No dia 27 de novembro, dia do 2º turno das eleições, quatro companheiros foram cercados por jagunços, numa emboscada montada por Antônio Corrêa, a mando de Carlos Schumann. Três companheiros conseguiram escapar. Mas, o companheiro Ozelas Martins de Souza foi feito refém e conduzido até uma estrada próxima, onde foi alvejado por dezenas de tiros à queima roupa. Ainda tentaram queimar o corpo junto com sua moto. Os companheiros que escaparam não sabendo de sua morte, ao chegarem à cidade, exigiram que a polícia fosse resgatá-lo. Com a recusa da polícia, reuniram cerca de 50 Homens para resgatá-lo. Quando chegaram à estrada, encontraram o corpo.

Há cerca de um mês, os operativos da COI (Comando de Operações Especiais -PM) estiveram na região par apurar a ligação dos camponeses com o assassinato do gerente da Fazenda Schumann. Utilizaram helicópteros e toda parafernália numa ação de guerra. Espalharam o terror entre os moradores das cidades e povoados vizinhos, assim como fizeram, quando do massacre da Fazenda Santa Elina, em Corumbiara. Existem várias testemunhas que dizem ter conhecimento da existência de uma refinaria de cocaína na área da Fazenda Condor. A refinaria localiza-se numa serra, conhecida como serra do Tracoá, onde um avião bimotor pousa duas vezes por semana. A área próxima a refinaria é protegida por um forte esquema de segurança, que conta com um exército de jagunços que andam armados à luz do dia e se apresentam em suas ações como sendo da polícia

A fazenda Schumann tem sido cenário de vários enfrentamentos entre camponeses e latifúndio. Desde que romperam com a direção oportunista da associação de Buritis, que fazia negociações com fazendeiros da região, os companheiros decidiram resistir na área e lutar por seus direitos. Há vários meses estas atrocidades vêm ocorrendo sem que nenhuma providência tenha sido tomada para resolver o problema. Os companheiros da fazenda Schumann, a exemplo de tantos outros que lutam pela terra no Brasil, estão sendo perseguidos e ameaçados de morte.

No entanto, o governador do estado de Rondônia, José de Abreu Bianco, já em fim de mandato, não quer sujar ainda mais suas mãos. Assim como o governo de FHC, que tenta a todo custo sair limpo de toda esta lama de crimes contra os trabalhadores, que foi seu mandato. É este o "Avança Brasil"?

Exigimos punição aos envolvidos nos assassinatos dos camponeses da região de Nova Marmoré, Campo Novo e Buritis! Exigimos liberação imediata de todas áreas tomadas aos camponeses da região! Exigimos punição aos funcionários do INCRA e latifundiários envolvidos na venda de terras da região! Pelo fim das perseguições do governo Bianco/FHC aos camponeses pobres!

TODA A TERRA AOS CAMPONESES POBRES! TODA TERRA PARA QUEM NELA TRABALHA!

VIVA A REVOLUÇÃO AGRÁRIA! MORTE! MORTE AO LATIFÚNDIO!

ABAIXO FHC/BIANCO E SEUS SUCESSORES!

ABAIXO O GOVERNO DE GRANDES BURGUESES E LATIFUNDIÁRIOS!

VIVA A ALIANÇA DE OPERÁRIOS E CAMPONESES!

Liga de Camponeses Pobres de Rondônia

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