Lembrar 35 ainda faz tremer as classes dominantes

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Rebeldes do 3º RI a caminho do presídio de Ilha Grande, Rio de Janeiro

Com apenas treze anos de existência o Partido Comunista do Brasil - P.C.B . escreveu uma das páginas mais gloriosas de sua existência. Em correspondência com as orientações da Internacional Comunista, segundo as quais os partidos comunistas deveriam organizar frentes operárias antifascistas, o P.C.B. organiza a Aliança Nacional Libertadora - ANL.

Operários, intelectuais, artistas , profissionais liberais, militares e estudantes atenderam ao chamamento do partido e lotaram as praças e estádios de todo o Brasil para receber Luís Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, presidente de honra da ANL.

Em síntese, eram estes os pontos programáticos da ANL:

  • Suspensão em definitivo do pagamento das dividas externas, sob o fundamento de que já haviam sido pagas há muito;
  • Nacionalização imediata de todas as empresas imperialistas, 'arapucas' para as quais o povo trabalhava sob terrível exploração;
  • Proteção aos pequenos e médios lavradores; entrega da terra dos grandes proprietários aos camponeses e trabalhadores que as cultivavam, visto serem seus únicos e legítimos proprietários;
  • Gozo das mais amplas liberdades pelo povo, nele incluídos os estrangeiros; e
  • Constituição de um governo popular orientado somente pelos interesses do povo brasileiro.

O enfrentamento com o governo fascista de Getúlio Vargas e seu ministério germanófilo não tardou a acontecer. Sentindo-se ameaçado pela adesão em massa à ANL, Vargas baixa um decreto colocando-a na ilegalidade e, em seguida, desfecha uma tremenda repressão através do seu chefe de polícia, o carrasco Filinto Muller.

A perseguição e a proibição de atos públicos da ALN afastaram muitos de seus seguidores, estreitando bastante a frente, quase reduzindo-a ao contingente do Partido Comunista, que já vinha se preparando para o assalto ao poder, baseado na influência de Prestes, principalmente nos meios militares.

No dia 23 de novembro o Rio Grande do Norte é sacudido com o levante de soldados, cabos e sargentos que chamam o povo a tomar o palácio do governo, depondo-o e colocando em seu lugar um governo popular revolucionário. No dia seguinte é Recife que se levanta, mas, sem o fator surpresa o movimento é sufocado. De vários pontos do Nordeste são levados reforços para aplacar o levante que resistirá até o dia 27.

No Rio de Janeiro, mesmo sem a vantagem da surpresa, o partido resolve lançar-se, na madrugada do dia 27, ao combate contra os fascistas de Vargas que já haviam se antecipado e tomado as devidas medidas de repressão ao levante.

Em 1975, por ocasião dos 40 anos do Levante Popular de 35, na edição de número 102 de A Classe Operária, o dirigente comunista Pedro Pomar escreve o artigo   A Gloriosa Bandeira de 35 exaltando o feito e apontando as causas de sua derrota. Em relação ao Rio de Janeiro, relata Pedro Pomar: "Prenunciava-se, portanto, uma peleja duríssima. Ainda assim, na madrugada de 27 de novembro, efetivou-se o levantamento de numerosos contingentes de soldados e oficiais do 3º Regimento de Infantaria e do Regimento da Escola de Aviação, duas das mais importantes unidades militares do Rio. Os núcleos aliancistas e as células comunistas existentes nessas unidades executaram sem vacilações, com intrepidez, as diretivas do Partido e da ANL. Os combates, como se previa, foram violentíssimos. A reação concentrou rapidamente efetivos várias vezes superiores a fim de cercar e atacar os regimentos sublevados. O 3º RI, onde a refrega assumiu maiores proporções, ficou reduzido a escombros pelo bombardeio da artilharia e da aviação governistas. Após quase dez horas ininterruptas de luta, durante as quais procuraram romper valentemente o cerco inimigo, e sem receber o esperado apoio de outras unidades, os sublevados capitularam".

No mesmo artigo Pomar chama a atenção para o erro do partido de não buscar a aliança com os camponeses, principalmente do Nordeste, por sinal, recomendação feita pela própria direção da Internacional Comunista.

Já na prisão, Prestes faz um balanço completamente equivocado em que conclui ter sido grande erro o levante e que o governo Vargas era aliado da classe operária. Em 1945. Em 1945, Prestes sai da prisão e conduz o partido a se enfileirar pelas ilusões constitucionais, com a legalidade e a euforia pelo êxito dos comunistas nas eleições para a Assembléia constituinte.

As classes dominantes e os fascistas, encastelados nas forças armadas do país, serviram-se do evento para cunhar seu odioso dístico de "Intentona Comunista", com o qual na data do 27 de novembro, anualmente, com o mais asqueroso anticomunismo, destilam o seu veneno contra o povo, especialmente contra a possibilidade da tomada do poder pelos comunistas. Ainda hoje, as classes dominantes tremem só em recordar o heroísmo do glorioso levante de 35.

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