O capitalismo também mata pela boca

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Atualmente no USA ir a qualquer lugar onde haja aglomeração de pessoas, especialmente shoppings, supermercados, estádios, cinemas, etc., é assistir a um espetáculo tragi-cômico de verdadeiras procissões de uma multidão balançando seus corpanzis, em geral comprimidas em roupas que não conseguem disfarçar aquilo que para eles já está se tornando "normal".

Mas para os serviços médicos do governo e da Organização Mundial da Saúde, a obesidade é classificada como doença epidêmica, tanto que os planos de seguro-saúde geralmente se negam a aprovar os contratos de assistência aos portadores de sobrepeso devido as várias e graves complicações geradas por consequência da obesidade, como diabetes, cardiopatias, doenças respiratórias, câncer, estresse, entre outras, atingindo não só os adultos como também as crianças desde a mais tenra idade.

Apoiadas por massiva propaganda, essas comidas que nadam em gordura saturada, açúcar e outros ingredientes nocivos, tornaram-se a base alimentar dos estadunidenses e causadoras de toda essa engorda patológica que assola o país. Segundo estatísticas governamentais, a partir do próximo ano cerca de metade da população adulta será obesa e passará a viver menos que seus pais.

A revista Time fez uma reportagem especial que aponta todo o drama vivido hoje quase um terço da população que sofre com o problema das doenças causadas pela indesejável carga de gordura que a pessoa se vê obrigada a carregar. O título da reportagem seria até cômico, se não fosse trágico: "Estados Unidos dos Obesos". A reportagem revela os múltiplos danos da epidemia de sobrepeso que atinge cerca de 70 milhões de pessoas (o equivalente às populações da Argentina, Paraguai e Uruguai juntas), mais ou menos 1/3 da população total do USA. O fato é que esse efeito colateral provocado pelo próprio imperialismo e sua máquina de propaganda consumista se tornou um dos muitos e dos maiores problemas que a sociedade capitalista ianque enfrenta nestes tempos de crise e decadência.

A questão da obesidade está atingindo a dimensão de calamidade pública pelas suas causas e consequências econômicas e sociais, mas está sendo incorporada à cultura do país a ponto de hoje em dia haver uma aceitação geral dessa legião de obesos na paisagem cotidiana, como se fosse uma coisa absolutamente normal. A obesidade é uma consequência natural do estilo de vida capitalista e os 70 milhões de portadores da enfermidade consomem 10% do orçamento total do governo com os gastos na saúde, o que vale dizer que somente no ano passado a conta da obesidade ficou em 147 bilhões de dólares.

Dois em cada três (64%) cidadãos estadunidenses estão acima do peso normal e o número de mortos por ano por consequências da obesidade chega a 400 mil.

Ainda segundo a reportagem da revista Time, cresce a oferta de alimentos e bebidas açucaradas nas máquinas com moeda e as porções aumentam exponencialmente de tamanho. A propaganda da comida "fast food" martela a cabeça do consumidor 24 horas por dia, e o americano engole suas rações até guiando seu carro nas viagens de ida e volta para o trabalho.   Adultos e crianças combinaram a formula exata para engordar: má alimentação e ausência de exercício físico. Nos momentos de folga a maior parte, em vez da atividade física, pega seu enorme "Big Mac"*, um refrigerante e passa horas na frente da TV e dos joguinhos eletrônicos.

O próprio governo se confessa impotente para conter a avalanche de publicidade da indústria do alimento "fast food", que inclusive gasta milhões de dólares subornando os deputados e representantes do governo através de "lobbies" para impedir algumas débeis tentativas de transformar em leis algumas regulamentações básicas para conter a ganância da indústria da obesidade. Tudo em nome da "liberdade de escolha" da "democracia americana"...

Enfim, o problema do sobrepeso nos Estados Unidos é um símbolo bem visível da decadência do império capitalista, no qual não se repeita nem a integridade física das pessoas, seja com as bombas despejadas nas guerras de agressão, seja com as toneladas de gordura e açúcar, despejadas por suas máquinas e redes fast food.

Dessa forma a podre sociedade ianque continua afundando, valendo-se da gula e da desinformação para sustentar um negócio cuja lucratividade se baseia em vender a comida e envenenar o povo.

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*Até mesmo a etimologia dessa palavra é o culto do consumismo ianque: Big – grande Mac – vêm de MC Donalds, monopólio de restaurantes fast food ianque.

Rosnel Bond é jornalista e vive no USA.

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