A farsa de um "acordo" entre potências e semicolônias

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Os acordos entre quem manda e quem acata costumam observar uma cláusula única: a da obediência. Não será diferente um eventual "acordo" sobre o clima assinado entre os chefes das potências imperialistas e seus lacaios que gerenciam os velhos Estados semifeudais, os miseráveis ou aqueles ditos "em desenvolvimento", como a semicolônia Brasil.


Dia 12 de dezembro: mais de mil manifestantes foram presos

O caso do Brasil, aliás, ilustra bem qual a real natureza de todo o circo armado na capital da Dinamarca, Copenhague, em torno da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a tal COP-15. Luiz Inácio parece ter sido convocado às pressas para reforçar as posições da França, potência com a qual a gerência petista acertou "posições conjuntas" nos arranjos sobre o clima, o que significa que houve ali algum conchavo no sentido de fazer da representação brasileira joguete dos interesses dos industriais gauleses.

Apesar de escamotear o fato de que se trata de uma relação entre desiguais, a "dobradinha franco-brasileira" serve como síntese de como o circo de Copenhague se insere na atual corrida imperialista: instrumentalizando a questão climática (ou melhor, o catastrofismo climático) para que atenda aos interesses dos monopólios e para inseri-la nos projetos de dominação. É a mesma lógica utilizada para fazer do G20 instrumento para alcançar os objetivos da tríade USA, União Européia e Japão. Isso fica muito claro quando se observa as manobras "secretas" das potências imperialistas quanto ao que se chama de "esforços para conter as alterações climáticas".

É o caso do chamado "texto dinamarquês", arranjo que os poderosos querem emplacar, e segundo o qual as potências ficariam livres para poluir o mundo de acordo com as demandas do grande capital industrial, enquanto se criaria um novo instrumento de dominação: um fundo para "ajudar" as semicolônias a reduzirem seus níveis de emissões de gases de efeito estufa (irrisórios se comparados aos do USA, por exemplo) que seria gerido por ninguém menos do que o Banco Mundial, velho conhecido dos povos da Ásia, África e América Latina exatamente por gerir fundos que financiam a opressão.     

Luiz Inácio e Dilma participam dos conluios

É o caso também da estratégia do imperialismo ianque — que conta com a prestimosa colaboração de ongs ambientalistas como o Greenpeace — de censurar o alto nível de emissões de carbono da China, omitindo descaradamente o fato de que os magnatas do USA construíram lá boa parte das suas fábricas.


Confronto entre manifestantes e a polícia no dia 16

Mas a demagogia como estratégia política não é uma exclusividade das potências capitalistas, muito menos quando a "bandeira verde" está metida na história. O gerente semifeudal Evo Morales, por exemplo, andou se valendo desta questão para cacarejar hipocritamente em defesa dos povos pobres do mundo. Ele disse que os ricos deveriam pagar a "dívida ecológica" em vez de cobrar a dívida externa, mas sua gerência na Bolívia continua satisfazendo os desejos das potências imperialistas.

Outros que esbanjaram fanfarronices "verdes" foram o próprio Luiz Inácio e sua candidata para lhe suceder na gerência da semicolônia Brasil, Dilma Roussef. O primeiro enviou sua ministra-candidata a Copenhague a título de "liderar a equipe de negociadores" nas conformações com as potências, mas o objetivo real é fortalecê-la para o embate eleitoreiro marcado para outubro próximo com os representantes de outros grupos das elites brasileiras que desfilarão em mais um sufrágio farsesco organizado pelo velho Estado em parceria com o poder econômico em nosso país.

No dia 12 de dezembro, a polícia dinamarquesa prendeu de uma só tacada quase mil pessoas que participavam de um grande protesto contra o teatro demagógico dos chefes imperialistas e das semicolônias em Copenhague. Os manifestantes foram humilhados, sendo obrigados a permanecer até quatro horas sentados no asfalto gelado do inverno nórdico. A ação foi "legitimada" por uma lei aprovada recentemente pelo parlamento da Dinamarca que autoriza a "prisão preventiva" por até 12 horas. É isso: as providências que partem dos burocratas e chefes políticos do sistema opressor ou são pró-monopólios, ou são anti-povo. O meio termo que dizem querer alcançar em convescotes como este organizado pela ONU na capital dinamarquesa não passa de uma ilusão mal vendida, desmascarada ao primeiro sinal de mobilização popular.

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