Segue a crise dos monopólios e do grande capital financeiro

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Em meados de novembro, os arautos da mentira do fim da crise se fingiram de espantados quando veio de Dubai a notícia de que os gerentes locais imploravam uma prorrogação de pelo menos seis meses para pagar dívidas do emirado árabe. O irracional sistema internacional reprodutor de capital fictício se debateu em desespero, as bolsas caíram e o óbvio bateu à porta: o capitalismo segue agonizando.

O banco francês Société Générale, por exemplo — o mesmo onde se deu a maior fraude bancária da história, há cerca de dois anos — segue funcionando normalmente, e recentemente distribuiu entre seus clientes mais abastados um relatório alertando sobre o risco de a atual crise geral de superprodução relativa capitalista deslizar para um colapso econômico de grandes proporções nos próximos dois anos.

A razão da derrocada apontada pelo Société Générale em sua espécie de "manual de sobrevivência para ricos em um mundo burguês agonizante" é que a dívida pública das maiores potências imperialistas alcançará em 2010, em média, o patamar de 100% do seu PIB, sendo que no Japão a proporção deve chegar a 200%. Isto significa que tudo o que for produzido no ano que vem terá que ser revertido para a compensação desta dívida, e marca a quase duplicação do endividamento imperialista em 20 anos.

Grande parte deste salto de endividamento se deve à esbórnia financeira promovida pelos Estados das potências imperialistas para salvar os maiores bancos do mundo da bancarrota, entre eles o próprio Société Générale, no qual o governo da França injetou bilhões de euros e sobre o qual o chefe francês Nicolas Sarkozy chegou a dizer que defenderia dos "predadores".

No dia 30 de novembro surgiu a notícia de que 30 megabancos e megasseguradoras de todo o mundo passariam a ficar submetidos a uma "supervisão internacional", mais especificamente sob a orientação do "Conselho de Estabilidade Financeira", grupo de gerentes da crise criado pelas potências e semicolônias agrupadas no G20. A turma do "não criemos pânico" diz que se trata de uma medida preventiva, mas na verdade é um arranjo emergencial e desesperado bolado perante um cenário de aprofundamento das condições para o colapso preconizado com pesar pelo Société Générale.

Gerindo a crise com desfaçatez

Enquanto as potências vão cuidando dos banqueiros que financiam seus monopólios, seus monopólios vão cuidando de repartir o mundo entre si em áreas mais ou menos delimitadas de rapina, exploração e opressão. A crise levou ao acirramento da corrida imperialista na América Latina, por exemplo, com as transnacionais ianques e européias retalhando a região ao gosto de suas necessidades de expansão e sob o acobertamento das gerências políticas oportunistas e das classes dominantes que vivem dos espólios do entreguismo.

Para as massas trabalhadoras, as consequências de tudo isso não tardam em aparecer. As projeções mais conservadoras — as oficiais — vêm dando conta de que em 2010 a pobreza aumentará em 7% no continente sul-americano, o que significa que mais 39 milhões de pessoas terão suas condições de vida deterioradas até abaixo da tal "linha da pobreza", marca estabelecida pelas instituições do imperialismo para fins de gerenciamento das estatísticas sobre a devastação econômica do mundo.

No mesmo dia em que esses dados começavam a circular, o monopólio dos meios de comunicação que opera no Brasil optou por dar mais destaque a um pronunciamento do gerente do Banco Central, Henrique Meirelles, na Fiesp, quando ele cacarejou sobre "geração de empregos" e "benefícios" que as políticas da gerência petista estariam trazendo para o povo brasileiro, e sobre os "sucessos do país no combate à crise financeira".

Meirelles falava para empreiteiros na 8ª edição do Congresso da Construção (Construbusiness). Na platéia estava gente da Camargo Corrêa, empresa do ramo da construção civil que, agora se sabe, no esteio das negociatas de José Roberto Arruda, chegou a gastar quase US$ 1 milhão em dinheiro para financiar ilegalmente campanhas eleitoreiras de políticos da sua confiança. E assim as elites dirigentes dos velhos Estados semicoloniais vão tentando gerir a crise sistêmica como podem: com embromação, corrupção e desfaçatez.

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