O artista que serve ao povo

Atendendo ao convite do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos — Cebraspo e da Liga dos Camponeses Pobres — LCP o cartunista Latuff visitou algumas áreas camponesas em Rondônia, conviveu com os camponeses, ouviu seus depoimentos e denúncias que foram retratados em artigo publicado na edição 59 de AND. Após sua passagem por Rondônia, Latuff escreveu uma poesia e enviou aos seus amigos camponeses.

TRIBUTO AO CAMPONÊS
Carlos Latuff

Surge na paisagem
um camponês de passagem
fitando a fazenda sem fim.

Em seu peito não há paz.
É sua convicção que o faz
caminhar decidido assim.

Pra que você entenda
o ódio dele pela fazenda
só sendo pobre enfim.

Solitário, o lavrador avança.
Um cavaleiro contra o castelo
tendo a foice como lança.

Os pistoleiros acham graça
enquanto deslizam cartuchos
pros seus rifles de caça.

Mas o camponês não estava sozinho.
Do horizonte que parecia deserto,
mais pessoas a caminho.

O sorriso do capataz,
agora então se desfaz.

O ímpeto do povo
que derrubou grades e portões,
fez cair também
os jagunços valentões.

Chega a polícia e seus pelotões
cujas fardas camufladas
só não camuflam as intenções.

Mas o camponês que enfrenta
malária e onça parda,
não tem medo de bicho
nem de jagunço de farda.

A terra que antes fôra
prostituída pelo fazendeiro,
volta agora as mãos do povo
seu destino verdadeiro.

Dela agora brotam lares
alimentos e esperança.
Porque não é questão de esperar,
quem luta é quem sempre alcança.

Os alunos da Escola Popular da Área Raio do Sol enviaram correspondência a Latuff na qual figurava esta poesia.

O restante da carta dos caponeses pode ser lido no blog da redação de AND.

Tributo ao artista
(Júnior)

Surge lá em casa
um carioca de farda.

Em seu peito há paz
é sua convicção que o faz
desenhar com tanta perfeição.

O artista avança
tendo o lápis e papel
como lança.

Sua imaginação
vai além do que alcança
do seu olhar não escapa nada
nem a borboleta azulada.

O sorriso que aqui já existia,
Agora que você veio:
"Só alegria".

Disso eu posso afirmar:
"do Latuff ninguém esquecerá".

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