Há 131 anos Stalin aterroriza a reação

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Em AND 51, abril de 2009, publicamos uma resenha do livro O Jovem Stalin, do filho de banqueiro Simon Sabag Montefiore, de 2007. O mesmo autor, em 2003, publicou Stalin: a corte do Czar Vermelho. Os dois livros somam 1388 páginas de difamação a um dos maiores líderes da humanidade.


Momento de puro carinho entre Stalin e sua filha Svetlana

O mais antigo parece um manual de xingamento, o nome de Stalin vem sempre acompanhado de dois ou três adjetivos difamatórios. Segundo o autor sua missão era ir além da explicação tradicional de Stalin como um enigma, louco ou gênio satânico, tornando-o um personagem mais íntimo mas não menos repelente. Ou seja, deixa claro seu objetivo desde as primeiras páginas: o de jogar lenha na fogueira onde tentam queimar a memória de Stalin. Nos dois livros, afirma que consultou fontes recentemente descobertas. Perdoe-nos o leitor pela repetição da matéria anterior, mas, "Ora, por que os revisionistas haveriam de esconder tais preciosidades se elas seriam tão úteis para caracterizar o monstro? Isto seria naturalmente cereja no sorvete do relatório secreto de Kruschov traidor, o responsável pela detratação de Stalin e a restauração capitalista na União Soviética", AND 51.

Da mesma forma que na matéria anterior não creio necessário responder cada afirmação de cada capítulo, o que seria longo e tedioso. Bastam algumas passagens do prólogo para demonstrar o caráter do livro. Algumas legendas das fotos também merecem nota.

Montefiore caracteriza os dirigentes do PCUS da época como magnatas, expressão várias vezes usada. Sua intenção é simplesmente detratar, lançar insinuações e calúnias, sem se preocupar muito com a consistência do que fala. Estes "magnatas", como o próprio livro retrata, viviam todos no Kremlin, em apartamentos outrora ocupados por autoridades e mordomos czaristas. Que magnatas são esses que não vivem em suas mansões? Que falar da península dos ministros em Brasília? E o autor não faria mal se perguntasse ao papai banqueiro se ele concordaria, se fosse ministro, em morar em um apartamento anexo ao prédio de governo e dormir em cama de campanha, como fazia Stalin quando trabalhava até tarde. O raciocínio do Politburo, no entanto, era outro. Por que construir casas novas, ou ocupar mansões expropriadas dos verdadeiros magnatas, se o Kremlin possuía apartamentos confortáveis e se a proximidade facilitaria o trabalho. Logicamente que para o autor isso ou era mordomia, ou era uma tentativa de Stalin de "vigiar sua corte". Tanto faz, desde que seja algum motivo escuso. Em outra passagem diz que o fanatismo de Stalin era "semi-islâmico". Essa é boa, na década de 50 provavelmente Saddam ou Bin Ladem seriam taxados de comunistas a soldo de Moscou, mas como hoje os muçulmanos estão sendo mais difamados, Stalin virou xiita.

Outra acusação "contundente" que visa questionar o equilíbrio de Stalin é a hipocondria. O autor afirma que "um hipocondríaco inquieto que sofria de amidalite crônica, psoríase, dores reumáticas em seu braço deformado e algidez, resultado do exílio na Sibéria". Segundo um autor um tanto mais confiável e renomado, Aurélio Buarque de Holanda, hipocondria é "Afecção mental em que há depressão e preocupação obsessiva com o próprio estado de saúde. O doente, por efeito de sensações subjetivas, julga-se preso a condições mórbidas na realidade inexistentes....". Ora, se o próprio Montefiore afirma que Stalin sofria das doenças e buscava tratamento para elas onde está a hipocondria? Possivelmente ameaçava os médicos com deportação para a Sibéria se não concordassem com o diagnóstico. Essa possibilidade deve ter passado desapercebida ao nosso filhote de banqueiro, senão a teria insinuado para depois desdizer deixando apenas como uma suposição inocente como faz diversas vezes nos dois livros.

Sobre a relação de Stalin com os filhos também é destilada boa dose de veneno. Citaremos dois exemplos. Primeiro, uma briga com seu filho Vassili por ter se aproveitado do nome Stalin, que era seu codinome no Partido durante a clandestinidade e que continuou usando depois. Certamente não é correto tentar usar o nome do pai para conseguir qualquer privilégio, como tantos lulinhas, bushinhos e por aí vai. Repreendê-lo era o correto a se fazer, mas o difamador de plantão trata o caso como vaidade de Stalin. Acusa ainda Stalin de ter inventado o próprio nome. De fato, usar nome que não o de registro é uma atitude que dificulta muito a repressão. Logicamente, o autor preferiria um POSDR, depois PCUS bem comportado como qualquer Pecedobê ou PCbrasileiro, com fichas de afiliação com fotos e endereços, tudo que facilitasse a Okhrana (polícia czarista).

O outro exemplo na relação com os filhos aparece em uma legenda de uma foto de Svetlana (filha de Stalin). A foto foi enviada a Stalin e este a devolveu com um bilhete afirmando que a expressão não era apropriada para uma menina da idade dela. Se tal fato acontecesse com Obama, Blair ou outro reacionário este teria sido elogiado como um pai zeloso, tentando preservar a infância da filha mas isso não se aplica a um "monstro dominador" como Stalin.

Quanto ao suicídio da esposa de Stalin, Nádia, há várias insinuações sobre a causa. Traição de Stalin, a própria esquizofrenia de Nádia, mas a acusação mais impressionante é que a morte da esposa determinou que Stalin ficasse "ainda mais sanguinário". "A vingança por esse fracasso pessoal desempenhou um papel no terror vindouro, quando alguns dos convidados daquela noite iriam liquidar os outros?" .

Montefiore poderia escrever mais um volume, pois trilogias estão em moda e dão muito dinheiro, se bem que isso não seja problema para um banqueiro. O título poderia ser "A infância sinistra do carniceiro da Geórgia". Nele Stalin poderia ser acusado de colocar sal nas costas dos sapos, amarrar bombas no rabo do gato, mandar executar um cachorrinho que não abanou o rabo para ele e de bater, ou mandar bater, nos meninos mais novos. Poderiam ser descobertos novíssimos documentos que também passaram desapercebidos por Kruschov e sua gente.

Mais uma vez repetindo a matéria anterior, mesmo porque a conclusão não poderia ser outra, nem toda a difamação do mundo impedirá a marcha dos povos em sua luta contra o imperialismo e, no caminho, outros Stalins certamente surgirão.

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