Na virada do ano, Obama escolhe seu mais novo alvo

A- A A+

Segundo consta, no último dia 25 de dezembro o jovem nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab tentou e não conseguiu explodir um avião de passageiros da companhia aérea ianque Delta Airlines nas proximidades do aeroporto de Detroit. Umar acabou preso.

Logo após o ataque frustrado, o oligopólio internacional da mídia tratou de insuflar o clima para mais uma agressão do complexo militar-industrial ianque, desta vez no Iêmen, onde Umar teria sido treinado por uma célula local da organização Al Qaeda e onde o exército do USA já ganhara trânsito livre concedido pelos chefes locais, inclusive realizando incursões e promovendo uma chacina de véspera do Natal na província de Chabwa, em um ataque que foi devidamente relegado a segundo plano pelas agências de notícias a serviço do projeto colonial ianque. Uma semana antes, outras 30 pessoas foram massacradas na província de Abyan, no sudeste iemenita.

Antes do episódio dentro do avião da Delta Airlines, e fazendo rufar os tambores da guerra, o jornal New York Times já dizia que o Iêmen é um "Estado instável com múltiplos riscos à segurança e um compromisso incerto de combater extremistas que vêem no Ocidente seu principal inimigo". Dito e feito: a exemplo do que Bush fez em 2001 com os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, quando o USA tomou os episódios como mote para lançar uma nova e gigantesca ofensiva imperialista batizada com o nome fantasia de "guerra contra o terror", o ataque frustrado do nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab foi instrumentalizado pela administração Obama para lançar as bases para uma nova frente de ocupação imperialista. Se naquela feita Bush desencadeou uma "guerra infinita" do USA contra os povos do mundo, agora Obama a leva adiante — a despeito da máscara e do discurso da "mudança" — ensaiando uma nova ocupação depois de ter reforçado o efetivo ianque no Afeganistão e de prolongar indefinidamente a permanência das tropas invasoras no Iraque.

Com os ianques voltando-se para o Iêmen, confirma-se também a receita de expansão das ocupações apenas a países chefiados por elites prontas a colaborar com o imperialismo, tendo em vista que, por hora, o USA não tem coragem de entrar em países como o Irã ou a Coréia do Norte, onde os senhores da guerra do Pentágono sabem muito bem que enfrentarão dificuldades que talvez não consigam ultrapassar. Ao lado da Arábia Saudita, o Iêmen é o grande aliado do USA na região estratégica da Península Arábica. Em outras palavras: esta nação foi transformada em Estado títere dos interesses ianques por sua petromonarquia vende-pátria. Há mais de um ano a CIA já treina as forças de repressão iemenitas em táticas contra-revolucionárias. Em agosto, o senador ianque militarista e sionista Joe Lieberman já dizia: "O Afeganistão é a guerra do presente, mas o Iêmen pode ser a guerra do futuro".

O episódio do quase ataque ao avião estadunidense no Natal é transformado agora por Obama e sua trupe em pretexto para endurecer o discurso e as ações no Iêmen, e assim partir para garantir o domínio da margem norte do Golfo de Aden e da margem ocidental do estreito de Bab Al Mandeb, porta de saída do mar Vermelho. Era também o pretexto que os cabeças da Doutrina Obama queriam para que o exército do USA, sob nova direção, pudesse enfim promover massacres mundo afora sem se preocupar com o ronrom dos pacifistas que ainda ecoavam as mentiras em torno de uma administração ianque diferente das demais, ou seja, não-imperialista. Quase que repetindo as palavras de Bush ainda sobre os escombros do World Trade Center, Obama apareceu para falar do episódio envolvendo o nigeriano Umar dizendo que não medirá esforços para "capturar os envolvidos e fazer-lhes pagar por suas ações".

No dia 30 de dezembro começou a circular a notícia de que o USA e as autoridades iemenitas procuravam alvos para o início das "represálias" de Obama. Veio à tona a existência prévia de um acordo entre a administração imperialista e a monarquia vassala do Iêmen que permite ao exército ianque utilizar imediatamente, e ao seu bel prazer, mísseis cruzeiro, caças ou aviões não tripulados contra alvos em seu território. Pelos termos desse acordo, os ianques não vão divulgar seu papel em termos de espionagem e sabotagem no Iêmen, nem tampouco informações sobre a provisão de armas para o exército iemenita. É a máscara de Obama caindo por terra à medida que o imperialismo em agonia faz novas investidas para, em vão, tentar salvar a própria pele.

E os arautos do imperialismo vão cimentando o terreno para os tanques passarem. Em meados de janeiro, quando os massacres aqui e ali começaram a ser noticiados como justas respostas das "forças de segurança" iemenitas supervisionadas pelo USA, foi amplamente repercutida no monopólio dos meios de comunicação que opera no Brasil uma "análise" da emissora oficialesca britânica BBC sobre o Iêmen. Pura propaganda colonial reproduzida de bom grado pelos lambe-botas. Evocou-se os conhecidos motivos para justificar mais uma ocupação, resumidos todos na frase: "O país [Iêmen] está indo para o inferno". Ante a escassez de desculpas para justificar as ofensivas pela partilha do mundo, eis o nível de argumentação alcançado pelos relações-públicas dos projetos de dominação. A Grã-Bretanha proibiu a aterrissagem de vôos vindos do Iêmen. As embaixadas do USA, Inglaterra, Alemanha e França fecharam as portas no início de janeiro, alegando que a Al Qaeda ameaçava "interesses" seus no país, mas logo depois reabriram. Por trás dessas medidas à primeira vista meramente administrativas estão chefes imperialistas fazendo rufar os tambores de mais um crime contra mais um povo do Oriente Médio.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja