Notas

Morador de Acari é assassinado pela PM

No dia 5 de janeiro, policiais civis novamente invadiram a favela de Acari, no subúrbio do Rio, e atingiram com oito tiros o aposentado Ébis Peixoto da Silva. Muito revoltado, seu filho, Édson Peixoto da Silva, de 43 anos, acusou a polícia de entrar na favela em pleno início da manhã — quando é intensa a circulação de moradores — e, intencionalmente, atirar contra o senhor de 69 anos.

— Eles tiraram as balas com luvas de borracha. Jogaram as luvas na saída do beco e obrigaram um rapaz que trabalha numa loja de material de construção a levar o corpo num carrinho de mão até a viatura deles — denuncia o operário, sabendo que nada será feito pelo Estado, comprometido em aplicar a justiça burguesa a favor dos ricos e de seus cães de guarda e contra os pobres e suas famílias.

— É óbvio que o que aconteceu com meu pai não foi um acidente, mas como somos pobres, isso nunca vai dar em nada. Não vai ser resolvido, meu pai vai ser só mais um número. Ele nunca foi bandido, sempre trabalhou de carteira assinada. Eu pago impostos, os salários deles, para matarem meu pai? Não foi um acidente — acusa o homem, ainda muito abalado.

PAC ataca comerciantes do Complexo do Alemão

Moradores da rua Joaquim de Queiroz, na favela da Grota — uma das 19 que compõe o Complexo do Alemão — estão sendo ameaçados pelo Programa de Aceleração do Crescimento, idealizado por Luiz Inácio e implementado no Rio pelos gerentes de turno Paes e Cabral. Segundo comerciantes da região, a prefeitura ameaça demolir cerca de 400 estabelecimentos para alargar a rua, o que os próprios moradores desaprovam.

— Nós conhecemos o pessoal que tem comércio aqui. Não queremos essa obra, não porque não achamos que vá trazer melhorias, mas porque não queremos ver nossos vizinhos perderem seu ganha-pão. Antes de fazer uma obra em algum lugar, deveriam perguntar se os moradores querem, porque aqui, nós não queremos e mesmo assim eles vão fazer. Isso é ditadura — afirma a manicure Marilene Pereira, de 48 anos. O que ela não sabe é que, segundo o secretário de habitação, Jorge Bittar, construtoras e prazos devem ser contemplados antes dos moradores.

— O PAC já firmou contrato com construtora. Eu tenho prazo para concluir essas obras. Quem não aceitar as indenizações terá seus equipamentos apreendidos — esbravejou o secretário do PT, que ofereceu indenizações miseráveis para passar por cima dos estabelecimentos com os conhecidos tratores do "choque de ordem".

— Não podem tirar a minha única fonte de renda. Não preciso de dinheiro de indenização, preciso ter onde trabalhar. Se eles querem tirar a gente daqui, deviam criar um centro comercial em local movimentado e que abrigasse todos os comerciantes, até mesmo os barraqueiros e os inquilinos de loja que não tem condição de comprar uma. E quem tem que aceitar a indenização vai receber muito pouco. Ela não corresponde ao valor comercial do estabelecimento, o que vai nos impedir de comprar outro espaço para trabalhar. Isso é um absurdo — lamenta o comerciante Jaílton da Fonseca, de 39 anos.

Paes ameaça tirar a casa de 12 mil trabalhadores

E não é só o comércio em áreas pobres que o secretário de Paes, Jorge Bittar quer destruir, seguindo as ordens do chefe. Segundo ele, até 2012, 119 favelas que ocupam uma área de 2,34 milhões de metros quadrados — um espaço equivalente ao bairro do Leblon — também vão ser demolidas. Dentre as comunidades ameaçadas estão a do Horto (Jardim Botânico), a Indiana (Tijuca), a da CCPL (Benfica), a do Metrô (Maracanã), a Vila Autódromo (Barra) e a Vila Taboinhas (Vargem Grande). No total, 12.196 casas serão destruídas.

Mesmo assim, os trabalhadores prometem resistir. Na comunidade CCPL, moradores dizem que, desde 2008, a prefeitura promete espaço em assentamentos próximos e indenizações, mas até agora a única discussão que tem avançado é referente às demolições.

— O pessoal do Sérgio Cabral foi ao presídio Bangu 1 exigir do chefão do tráfico aqui de Manguinhos, que ele nos ameaçasse para não resistirmos às demolições. Caso contrário, ou seja, se alguém resistisse, ele seria enviado para o presídio de segurança máxima de Catanduvas, onde está preso o Fernandinho Beira-mar. Na semana seguinte, os moradores que vão perder a casa receberam uma carta do presídio ameaçando quem ousasse resistir. Resumindo, com medo, ninguém fez nada. Tem muita construtora, empresário, gente poderosa envolvida nisso. Nós não podemos bater de frente com um governo mafioso que nem esse — denuncia uma moradora que não quis se identificar.

Essa declaração mostra do que este gerenciamento corrupto é capaz para colocar suas metas em prática e favorecer seus aliados estratégicos. Um Estado que diz aterrorizar favelas para combater traficantes, alia-se ao tráfico, quando o assunto é atacar ao povo com todas as forças.

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