Notas

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Mário Alves e Carlos Marighela, heróis do povo brasileiro

Luiz Carcerelli

Em 4 de novembro de 2009 contaram-se 40 anos do assassinato de Carlos Marighella e em 16 de Janeiro deste ano contam-se também 40 anos do assassinato de Mário Alves pelos órgãos de repressão durante o gerenciamento militar-fascista. Marighella foi metralhado no carro e Mário Alves foi torturado até a morte, um dia depois de sua prisão. Estes dois têm lugar de honra no panteão dos heróis do povo brasileiro. Tiveram muito em comum na sua história de militância, tanto em sua determinação e desprendimento revolucionários como nos erros cometidos. Baianos de nascimento, rodaram o país cumprindo as tarefas que a revolução lhes impunha. Ambos dirigentes comunistas, tiveram papel destacado na reorganização do Partido Comunista do Brasil durante o Estado Novo, tendo participação ativa na Conferência da Mantiqueira (agosto de 1943). Talvez seu erro mais grave, que determinou outros, foi o fato de terem dado ouvidos à cantilena revisionista de Kruschov, renunciando ao papel decisivo de Stalin como timoneiro da luta dos povos e, posteriormente, não terem percebido o papel do Presidente Mao Tsetung.

Isto os levou a combater ao lado de Prestes, contra a tentativa de reconstrução do Partido Comunista do Brasil em 1962, quando Maurício Grabois, Pedro Pomar e outros dirigentes travaram luta ferrenha contra o revisionismo incrustado na direção. Pouco tempo depois perceberam que a direção comandada por Prestes e Giocondo Dias havia capitulado e também romperam com o PC Brasileiro. O mesmo erro de compreensão, no entanto, os impediu de encontrar o caminho correto. Mário Alves entendia a importância do partido revolucionário para dirigir a luta enquanto Marighella propunha a ação imediata de grupos armados. Os dois criticavam um “stalinismo” da direção do PCBrasileiro e não se apropriaram das teses sobre a Guerra Popular Prolongada do Presidente Mao Tsetung.

Pese o fato de não terem conseguido levar cabalmente a luta contra o revisionismo, foi isso que os motivou a romper com a direção capitulacionista e, sem dúvida, seus assassinatos provaram que estavam entre aqueles que a reação sabia que se continuassem vivos poderiam, mais à frente, corrigir seus erros e tocar a luta revolucionária até a vitória.


A Nova Democracia no Brasil e no Chile

Em dezembro último tivemos a satisfação de receber na sede de AND, no Rio de Janeiro, a cordial visita dos companheiros da equipe de redação do periótico popular-revolucionário chileno Nueva Democracia .

 

A grata reunião entre os membros das equipes de redação foi possível não somente por nossos jornais possuírem o mesmo nome, mas fundamentalmente pela proximidade entre nossas linhas editoriais, análise de classe e o mesmo propósito de fazer da imprensa um instrumento de luta das massas por sua libertação.

Durante a estadia dos companheiros de Nueva Democracia no Rio de Janeiro tivemos a oportunidade de apresentar de forma detalhada nossa linha editorial e nossa metodologia de trabalho. Visitamos o morro Chapéu-Mangueira para que pudessem travar conhecimento direto com as massas pobres e trabalhadoras das favelas do Rio de Janeiro, muitas vezes retratadas em nossos artigos. Os companheiros demonstraram durante a sua passagem enorme interesse pela realidade do nosso país e fizeram inúmeras perguntas sobre a vida e luta dos trabalhadores brasileiros da cidade e do campo. Da mesma forma nos forneceram um relato completo sobre a luta do povo chileno.

Durante uma tarde inteira, pudemos debater mais profundamente o conteúdo e forma do nosso trabalho. Descobrimos que muito do que fazemos no brasil também é feito pelos companheiros chilenos, como as brigadas de agitação e propaganda do jornal em meio aos trabalhadores.

A passagem dos companheiros chilenos pelo Brasil e sua visita a AND foi saudada entusiasticamente por todos os membros da nossa equipe de redação. Ela serviu para reforçar os laços entre nossos veículos de imprensa e para aprofundar nossos vínculos com Nueva Democracia que, de certo, no futuro renderão colaborações editoriais mútuas entre os nossos jornais.

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