Editorial - A bancarrota da "social democracia" brasileira

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Em seu 4º Congresso, realizado entre os dias 19 e 21 de fevereiro, o PT anunciou oficialmente a candidatura de Dilma Roussef à sucessão de Luiz Inácio. Nada que não fosse já sabido há muito tempo por todos, já que Dilma vinha sendo apresentada assim, principalmente ao fazer a propaganda das "realizações" do governo e em inauguração de obras. Este é o propósito continuísta do oportunismo petista e sua corriola de escudeiros, entre eles o revisionista PCdoB.

Oficializada a candidatura (por parte da sigla), Dilma estampou as capas das principais revistas e jornais do monopólio da imprensa, que ao mesmo tempo em que exaltaram o "amadurecimento" da sigla — que se capacitou para gerenciar os interesses do imperialismo, do latifúndio e da grande burguesia nativa — , "adverte" de que deve manter domesticados os chamados "radicais do PT" assim como fez seu tutor, como condição para a "sociedade" continuar confiando em sua "seriedade". Esse puxão de orelha foi dado através da crítica a um suposto programa de governo retoricamente "estatizante", o qual, por sua vez, expressando a posição reformista oportunista de uma "esquerda" submissa existente no PT que, ao fim e ao cabo, é-lhe extremamente funcional para vender certa imagem que ainda lhe convém.

Antes de oficializar a candidatura, entretanto, Luiz Inácio tratou de assegurar que depois de oito anos na gerência do Estado, não haveria ataques contundentes dos setores fascistas mais empedernidos. Para tanto, selou o novo pacto de traição oportunista com os torturadores e assassinos criminosos de guerra — como AND revelou na edição 62 — enquanto trata de aprofundar a criminalização do movimento camponês, intensificando formidavelmente o que já vinha aplicando desde o primeiro dia de seu mandato, numa demonstração de que nada mudou em relação ao seu apoio incondicional ao latifúndio.

Não que isso seja novo, uma vez que essa é a postura de Luiz Inácio como um compromisso que fez para assumir a gerência do velho Estado. Já no discurso de posse de seu primeiro mandato declarou haver espaço no Brasil para o "agronegócio, para a agricultura familiar e para a "reforma agrária", o que, obviamente, só poderia significar na prática um encorajamento à reação. Sem perder tempo e oportunidade, desde o Judiciário e contando com a contemporização e justificativa do gerente de turno, desencadeou a mais articulada campanha para deslegitimar a luta pela terra, de criminalização do movimento camponês e de repressão mais sistemática contra seus setores mais combativos.

Com tudo já entregue ao imperialismo e dadas todas as garantias às classes dominantes nativas de que nada no sistema de Estado e de governo será mudado para beneficiar o povo, mais uma vez o oportunismo tentará vender o pragmatismo petista para as massas, fazendo um discurso pretensamente radical, mas principalmente da propaganda sistemática baseada na manipulação das estatísticas.

A campanha eleitoral, entretanto, que já de em vento em popa sob o signo plebiscitário, pretende criar a artificial polarização entre um ensejado "lulismo" e o "projeto neoliberal privatizante" do PSDB e aliados. Essa é a principal aposta do oportunismo petista. Não lhe resta outro plano, tática e estratégia que a comparação quantitativa de feitos e realizações, já que ambos o projetos descansam sobre uma mesma base real: a política serviçal ao imperialismo, ou seja, "neoliberalismo" puro. A tarefa não é tão fácil,   já que o próprio FHC, há mais de dez anos, não perde qualquer oportunidade para declarar que entre PT e PSDB a única diferença é a disputa pelo poder.

Na verdade, com a ascensão das diferentes forças políticas social democratas (PSDB e PT) ao gerenciamento do Estado no país, por trás da disputa de mediocridades que se resume o processo eleitoral — e que seus contendores não se atrevem a confessar — além dos afãs de poder pessoal, é a feroz disputa pelo butim do Estado entre camarilhas e grupos de poder, a pugna entre velhos testas de ferro e candidatos a novos, enfim a luta encarniçada entre os vendilhões da pátria politicamente corretos.

Já está em campo a batalha de números, estatísticas e indicadores sociais maquiados, que durante todo o mandato personificou em Luiz Inácio o continuísmo como coisa nova. Tudo impulsionado pelas bolsas esmola distribuídas a conta-gotas nos grotões mais miseráveis e estratégicos do ponto de vista eleitoral, o PAC, o endividamento das massas na ilusão do crédito fácil, enquanto direitos e conquistas   dos trabalhadores e aposentados são retirados um a um, e as intromissões nos assuntos internacionais que valeram a Luiz Inácio a comenda de "estadista global" brindada pelo clube de gerentes imperialistas de Davos.

Em seu desígnio de oportunista, Luiz Inácio, de "candidato da reforma agrária",   erigiu-se a garoto propaganda do agronegócio, promovendo usineiros a heróis do desenvolvimento e os camponeses a meros vilões do atraso. Durante duas décadas antes de seu triunfo eleitoral, foram as massas camponesas que serviram ao PT e a Luiz Inácio, através da comoção e invocação heróica de não poucos militantes assassinados no campo, que lhe deram o prestígio popular que o projetou.

Com a candidatura de Dilma e sua predicação pragmática, os 8 anos de gerenciamento petista e 16 da social democracia brasileira, a satisfação dos imperialistas, a alegria de banqueiros e latifundiários atestam uma vez mais a que veio esta força e joga por terra as máscaras com que busca encobrir-se, sejam elas o canto de sereia da modernidade ou a cantilena reformista de desenvolvimentismo. A bancarrota e desmascaramento ideológico do oportunismo só confirma a necessidade, para a conquista de um Novo Brasil, do caminho revolucionário das massas populares, da aliança operário-camponesa e da direção proletária.  

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