Greve geral dos rodoviários em BH - Categoria em luta atropela a conciliação

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A greve foi aprovada no domingo, dia 21 de fevereiro, em uma assembléia geral repleta de trabalhadores. A aviltante proposta patronal de 4,5% de reajuste foi rechaçada pelos rodoviários que exigiam 37%, redução da jornada de trabalho para seis horas diárias, fim da compensação de horas extras e o fim da circulação de ônibus sem cobradores.

Em artigo publicado em AND nº 56, o dirigente da Liga Operária Gerson Guedes Lima afirmava: "A ofensiva do colaboracionismo tem sido nefanda para a classe operária. O movimento sindical chegou ao fundo do poço em seu processo de apodrecimento, transformou-se numa organização de tipo mafiosa, num balcão de negócios e todo tipo de práticas corruptas e degeneradas. O próprio Sindicato dos Rodoviários de BH, que por muitos anos foi porta-voz de posições classistas combativas ao lado da Liga Operária, sofreu grande golpe com a passagem da maioria de sua direção para o pântano, filiando-se na Nova Central".

Com o aprofundar dessa luta em meio à categoria, havia uma grande expectativa: em outro momento, o movimento já deveria ter estourado. As jornadas de luta dos rodoviários, quando o sindicato atuava junto à Liga Operária, iniciavam-se com mobilizações já nos meses de dezembro e janeiro.

A cidade parou

Na manhã do dia 22 de fevereiro Belo Horizonte parou. As estações de ônibus Diamante, Barreiro e Vilarinho, localizadas em bairros proletários da capital ficaram completamente paralisadas.

Na madrugada, dezenas de ônibus tiveram seus vidros quebrados ao tentarem sair das garagens.

— Esse é um tradicional aviso aos fura-greves e reflexo da revolta dos trabalhadores e usuários do transporte. A maioria dos usuários do transporte se solidarizou com os grevistas, pois também sentiam que são submetidos ao mesmo arrocho salarial — ressaltou Gerson Lima.

A greve continuou parcialmente nos dias 23 e 24. Motoristas, cobradores, despachantes e mecânicos fizeram combativos piquetes. Durante o movimento cerca de cinco mil policiais militares foram mobilizados para reprimir os grevistas e escoltar ônibus com fura-greves pela cidade. Mais de vinte trabalhadores foram presos por participarem do movimento.

O Tribunal Regional do Trabalho — TRT, por decisão do desembargador Caio Luiz de Almeida Vieira de Mello, determinou a suspensão imediata da greve sob pena de multa diária de R$ 300 mil, o bloqueio das contas bancárias dos sindicatos e entidades ligadas a eles e a apreensão de veículos das entidades.

— Após a decisão do TRT, em reunião entre patrões e trabalhadores, o desembargador apresentou a mesma proposta patronal: 4,36% de reajuste. Representantes do sindicato dos rodoviários disseram que acatariam a determinação, mas que a decisão final sairia de uma assembléia marcada, de última hora, para a noite — pontuou Gerson Lima.

Frouxidão é rechaçada

— Mais de quinhentos rodoviários vindos dos piquetes e mobilizações se manifestaram com gritos e palavras de ordem. "A greve continua!". Mas apenas os dirigentes do sindicato e da Nova Central puderam falar e fizeram todo esforço para acabar com a greve. Um diretor do sindicato chegou ao ponto de afirmar que teriam que obedecer ao juiz, caso contrário todos diretores e os trabalhadores seriam presos. Vaias foram a resposta dos trabalhadores que puxaram em coro: "Greve! Greve! Greve!". Em expressiva votação, os trabalhadores atropelaram a determinação da direção do sindicato — recordou Gerson Lima.

Em entrevista a uma emissora de rádio, Antônio da Costa Miranda, presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores — MG, dava declarações evasivas dizendo que "já havia explicado aos trabalhadores que não havia como prosseguir", defendia as mesas de negociações entre as cúpulas da Federação dos Rodoviários e a classe patronal, e lamentava: "como os trabalhadores queriam continuar a greve, não tinha jeito", que se continuasse assim haveria demissões, que o "sindicato seria multado".

Trabalhadores avançam e direção sindical recua

A segunda etapa da greve ocorreu no último 15 de março. Com a mesma decisão da primeira etapa da luta, os trabalhadores rodoviários se lançaram com combatividade e mostraram que não se intimidaram com a determinação reacionária do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais e ameaças da patronal.

Antes de decidir pela capitulação total da greve, a direção do sindicato chegou a reduzir a reivindicação de reajuste salarial de 37% para 12%, proposta que também foi rejeitada pelos grupos monopolistas Setra-BH e Sintram, representantes da classe patronal.

Novamente, apesar da disposição de luta da categoria, a direção do sindicato dos rodoviários afrouxou e suspendeu a greve para novas negociações. Os empresários do monopólio do transporte, em uma última reunião, chantagearam o sindicato com o abandono das negociações e solução da questão no dissídio coletivo. A este ponto alguns sindicatos de rodoviários que participavam em jornada unificada com Belo Horizonte, conforme sua tradição oportunista, abandonaram o movimento aceitando o embuste patronal de 6,5% de reajuste e a "não retirada de direitos"— denunciou o dirigente da Liga Operária.

Liga conclama a continuar a luta

No dia 16 de março, o informativo do sindicato e Nova Central intitulado: "Desembargador ameaça os trabalhadores a demissão por justa causa" sinalizou o encerramento da greve para debater "novas estratégias de luta".

Desde o início das mobilizações dos rodoviários, a Liga Operária lançou apelos aos trabalhadores conclamando pela "greve geral até a vitória", alertando contra a utilização da luta pela patronal para reajustar as tarifas e também contra as atitude vacilantes da direção do sindicato.

— É necessário uma direção do sindicato firme e combativa que lute e não se agache com as ameaças do juiz, dos patrões e da polícia. O caminho para arrancar o aumento salarial é enfrentar e derrotar o monopólio do transporte coletivo. Condenamos a postura reacionária do desembargador Caio de Mello. Os trabalhadores disseram nas assembléias uma grande verdade: 'que moral tem um juiz que ganha mais de R$ 20 mil por mês para decretar que os trabalhadores não podem fazer greve para melhorar seu salário?' Cresce a revolta em meio aos trabalhadores. Somente o caminho da luta classista e combativa poderá arrancar os direitos para as classes trabalhadoras — concluiu Gerson Lima.

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