A farsa da 'segurança nuclear'

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Os chefes do coletivo de potências e de um punhado de semicolônias mais estratégicas para os interesses do imperialismo atenderam à convocatória do USA e viajaram para Washington em meados de abril para participarem de um convescote batizado de "Cúpula de Segurança Nuclear". Foram tantas as falácias inócuas e tão ensaiados os discursos dos gerentes de turno que o encontro poderia muito ter se chamado "Cúpula da Demagogia Nuclear".

O anfitrião, Obama, tentou posar de pacificador do mundo. Logo ele, que responde por todas as milhares de covas abertas recentemente no Oriente Médio e na Ásia Central por conta das violentas e covardes ofensivas coloniais de exércitos invasores armados até os dentes, e sob sua batuta. Mas, com tamanha desfaçatez, o chefe de turno do imperialismo ianque não tem por objetivo se qualificar para receber mais uma vez o prêmio Nobel da Paz; a tal cúpula foi convocada para que o USA informasse à "comunidade internacional" as bases de sua nova estratégia nuclear, calcada eminentemente na chantagem e no terrorismo, voltada contra países que figuram entre os alvos ianques no novo e profundo processo ora em curso de repartilha do mundo.

Em suma, a "Cúpula de Segurança Nuclear", à qual Luiz Inácio deu a sua fanfarrona contribuição – clamando hipocritamente pela erradicação de todos os arsenais atômicos do globo – não passou de uma grande farsa. Mais uma. A trapaça central reside no fato de que justamente os poderosos que empurram o mundo para a guerra são os que enchem a boca para falar de um mundo mais seguro.

Senão, vejamos:

  • Obama acaba de assinar com o gerente russo Medvedev um acordo alardeado como "histórico" pelo monopólio da imprensa. Histórico, talvez sim, mas não porque a redução de ogivas acertada entre o USA e a Rússia com pretensões imperialistas denota que suas administrações de turno estão preocupadas com a sobrevivência dos povos do mundo, mas porque marca mais um arranjo do tipo que a história mostra ser de praxe na iminência de grandes guerras pela partilha do mundo. Assim, o documento subscrito pelo chefe Obama e pelo gangster Medvedev visa não exatamente um mundo mais seguro ante o poderio de destruição em massa sob o controle de um e de outro — mesmo porque a quantidade de bombas que permanecerão ativas segue sendo suficiente para mandar o planeta pelos ares. Ao contrário: este entendimento pontual entre o USA e a Rússia precisa ser compreendido como mais um passo das composições durante o rufar dos tambores da guerra.
  • A nova doutrina nuclear de Obama, anunciada quase que simultaneamente à assinatura do tratado com a Rússia, abre a possibilidade concreta de ataques com bomba atômica a países como o Irã e a Coreia do Norte, nações soberanas que estão longe de se assemelharem a repúblicas populares, mas cujas classes dominantes ora se interpõem à estratégia de dominação do USA lançada por Bush após os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, e continuada, agravada por Obama, ainda que sob as máscaras da conciliação e da pacificação. Ao Irã e à Coreia do Norte as potencias negam o direito de se proteger das ofensivas imperialistas com armas nucleares, enquanto a Israel — Estado beligerante, fascista, cúmplice e protegido do USA — concede-se a regalia de sequer informar à ONU o número de ogivas de que dispõe.
  • Enquanto Obama assinava o acordo com a Rússia e dizia promover a "segurança nuclear", surgiu a notícia de que o Pentágono está desenvolvendo uma nova arma de destruição em massa: um míssil capaz de atingir alvos em qualquer lugar do planeta em menos de uma hora, batizado pelos senhores da guerra ianques de "Ataque Global Imediato". O álibi para a fabricação de uma arma desse naipe é o mesmo dos últimos anos: o terrorismo e "outros inimigos".

É bom lembrar que os Estados socialistas nunca explodiram armas nucleares (exceto em testes), ao contrário do USA, que, não obstante a "Cúpula de Segurança Nuclear" que promoveu, acena com a intenção de não se fazer de rogado para realizar novos ataques atômicos em nome do seu projeto de dominação planetária. Quanto à questão mais abrangente das armas de destruição em massa, o histórico recente das potências capitalistas é de mentiras e falsificações (de relatórios, de inspeções e que tais) com o objetivo de pavimentar a estrada para a invasão dos seus exércitos. Foi assim com o Iraque do presidente Saddam Hussein. Como no Irã e na Coreia do Norte o campo de batalha se desenha mais árduo para o imperialismo, Obama está anunciando que se reserva o direito de detonar sobre os povos destas nações as primeiras bombas atômicas do século XXI.

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