Notas da Revolução Agrária

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A carranca de proa da reação no campo

Em abril último, a presidente do covil de latifundiários denominado Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu (senadora do DEM-TO), enviou ao governo federal um projeto de plano nacional "para combater as invasões de terra". Leia-se: a institucionalização da criminalização e matança de camponeses.

Este ato faz parte de uma ação coordenada pelo latifúndio e veio acompanhada do lançamento de uma campanha arquirreacionária já em veiculação e com planos de expansão para rádios e TV batizada de "vamos tirar o Brasil do vermelho", em alusão ao "abril vermelho" promovido pelo MST.

Mas engana-se quem pensa que a senadora-latifundiária e seus afins se limitam a atacar o MST. Um dos lemas da dita campanha é: "invasão de terra é crime". Ou seja, coloca todo o movimento camponês na condição de criminoso.

Para a execução de seus planos sinistros, a presidente da CNA requisita nada mais nada menos que a Força Nacional de Segurança e a Polícia Federal para comandarem a repressão no campo. E para tal, não poupou saliva em sua defesa amundiçada: "Quando um grupo de cidadãos (aqui falando dos latifundiários) fica desprotegido, ele se protege sozinho, e então acaba fazendo bobagem. Agora, quando alguém se mete na sua terra, mas o Estado está em ação, não é preciso fazer bobagem." [Kátia Abreu em entrevista ao portal UOL em 14 de abril de 2010].

"Bobagem": é essa a qualificação dada pela senadora para a perseguição, tortura e matança de camponeses.


Rondônia

Ativista camponês é assassinado em Nova Mamoré

No dia 21 de março o camponês Dercy Francisco Sales, o "Mané" foi encontrado morto em seu sítio na linha 6 no município de Nova Mamoré.

Dercy foi um dos fundadores do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Buritis e junto com outras famílias iniciou a tomada das terras griladas por grandes latifundiários na região de Nova Mamoré que resultaram na criação do distrito de Jacinópolis, uma cidade inteiramente feita por camponeses.

Dercy, que já havia sido preso e torturado junto de seus irmãos Sebastião e Alcélio em 2007 durante uma operação das polícias militar e civil na região, estava mobilizando famílias para uma nova tomada de terras.

Seus companheiros denunciam que sua morte foi causada por mais um ataque dos bandos de pistoleiros a serviço do latifúndio na região.


Cacique Tupinambá encarcerado por liderar tomadas de terra

Cacique Babau, líder Tupinambá

No dia 10 de março o cacique Rosivaldo Ferreira da Silva, conhecido como Babau, foi preso em cerco da Política Federal à aldeia de Serra do Padeiro, em Ilhéus. Antes de ser preso o cacique resistiu combativamente durante 3 horas.

Após sua prisão, Babau foi transferido para Superintendência da Polícia Federal em Salvador.

Ele é acusado por dirigir diversas tomadas de terras no estado da Bahia e "agir com violência" contra o latifúndio. Sob sua direção, os tupinambá da Serra do Padeiro retomaram no ano passado a Fazenda Santa Rosa, localizada na BR 101, Zona do Rio das Calheiras, e outros 5 latifúndios.

No dia 12 de março Babau foi visitado pelo subsecretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Perly Cipriano, e o diretor de Defesa dos Direitos Humanos, Fernando Matos. Parentes do cacique e outros índios, além de algumas entidades dos chamados "direitos humanos" denunciaram que o cacique foi vítima de tortura durante a prisão.

Em abril último, Babau e seu irmão Givaldo Ferreira da Silva, outra importante liderança tupinambá, foram arbitrariamente transferidos para a penitenciária Federal de segurança máxima de Mossoró - RN.

O Conselho Indigenista Missionário denuncia que essa transferência é uma represália contra os líderes indígenas devido à recente "vitória judicial conquistada pelo povo tupinambá há poucos dias em um tribunal de Brasília, que garantiu a propriedade de suas terras tradicionais, que tinham sido invadidas por latifundiários e políticos da região".*

Organizações populares e de defesa dos direitos do povo vêm denunciando as arbitrariedades contra as lideranças tupinambá e desenvolvem a campanha por sua imediata libertação.

*O Tribunal Regional Federal, 1ª Região, de Brasília, que assegurou a permanência dos Tupinambás na posse de suas terras tradicionais, antes invadidas por latifundiários e políticos da região.


CPT divulga novos dados da matança no campo

O relatório de Conflitos no Campo 2009, publicado pela Comissão Pastoral da Terra — CPT em 15 de abril último, revela que ocorreram 25 assassinatos e 71 denúncias de tortura contra camponeses em nosso país no ano passado. Cabe sempre ressaltar que esses dados estão sempre abaixo da matança em curso no campo.

O relatório ainda aponta que as tentativas de assassinato aumentaram de 44 em 2008 para 62 em 2009; as ameaças de morte subiram mais de 50%, saltando de 90 para 143. E o número de camponeses torturados de 6, em 2008, para 71 no ano passado.

As expulsão de famílias através de despejos violentos e ataques de pistoleiros e bandos paramilitares saltou de 9.077 para 12.388. As ameaças feitas por pistoleiros contra as famílias camponesas aumentou de 6.963 para 9.031.

Ademais da política sanguinária de terror no campo levada a cabo pelo Estado burguês-latifundiário em todo o país, o número de tomadas de terra cresceu de 252 (em 2008) para 290 (em 2009), confirmando mais uma vez a lei de ferro da história que diz: onde há opressão, há resistência.

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