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A reciprocidade entre oportunismo e reação

Luiz Inácio e sua pupila Dilma decidiram, no final de março, dar um novo nome para a usina nuclear de Angra I, no Rio de Janeiro, que passará a se chamar "Usina Presidente Ernesto Geisel". Segundo a crônica política publicada espremida entre outras notas curtas da revista Veja, eles rebatizaram a usina a pedido do oligarca Edson Lobão.

Foi exatamente quando Geisel encabeçava o gerenciamento militar no Brasil que Luiz Inácio ganhou fama com sua liderança pelega no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.

Com a homenagem que agora rende ao sanguinário general, ajuda a dissipar a ilusão de que o ex-sindicalista feito gerente semicolonial do Brasil traiu o seu povo; na verdade, nunca esteve ao lado dele. Agora mesmo, quando o canal de notícias Globo News resolveu abrir o microfone para que os velhos gorilas destilem sua verborragia anti-povo, o general Leônidas Pires Gonçalves, ex-chefe do DOI-Codi do Rio de Janeiro e do Comando Militar do Sul, disse que nunca considerou Luiz Inácio um inimigo: "Eu sou muito justo. O que é um subversivo para nós? Subversivo é um homem antissistêmico. O presidente Lula sempre foi entressistêmico. Ele fazia parte de um segmento democrático que se chama sindicato. Então, ele nunca foi subversivo no meu ponto de vista". São as homenagens que os inimigos do povo fazem entre si, cada qual vestindo sua farda ou fantasia.

Lucros proporcionais às fraudes

E segue a farra dos banqueiros, monopolistas, parasitas das riquezas produzidas pelo povo trabalhador. Quanto a um dos maiores em todo o planeta, o ianque Goldman Sachs, o anúncio de um aumento recorde dos lucros se deu de maneira quase concomitante à notícia de que seus chefes estão metidos em uma grande fraude.

O Goldman Sachs registrou no primeiro trimestre de 2010 lucros nada menos do que 91% maiores do que no primeiro trimestre de 2009. Entre janeiro e março, o banco teve lucro líquido de US$ 3,46 bilhões. Trata-se de uma verdadeira afronta às massas pauperizadas de todo o planeta que um punhado de banqueiros se apropriem de tanta riqueza enquanto os deserdados da terra sofrem com o desemprego e a precariedade generalizada das condições de vida imposta pela devastação empreendida pelo capital.

Ao mesmo tempo, veio à tona a informação de que o Goldman Sachs, um dos bancos que receberam recursos públicos no pacote de socorro aos magnatas acertado por Bush e Obama à época da transição de chefia na administração do USA, mascarou burradas cometidas pelos seus operadores em negociatas envolvendo hipotecas subprime (de alto risco de inadimplência), justamente o tipo de produto financeiro apontado pelos entendidos nas artimanhas do mercado de capitais como o grande vilão da crise que este podre sistema ora atravessa.

Trapalhadas desnudam picaretagem eleitoral

Vai-se aproximando mais um processo eleitoral farsesco e a chamada "pré-campanha" com vistas ao sufrágio que se avizinha já começou, com Dilma e Serra se oferecendo ao imperialismo e às classes reacionárias locais como os principais candidatos a gerenciar o velho Estado.

Enquanto a direita (declarada), o oportunismo e quaisquer variações das forças anti-proletárias e anti-camponesas ainda não se digladiam nas urnas, o grupo dos quatro maiores institutos de pesquisa do Brasil vão dando cabeçadas uns contra os outros ao apresentarem resultados conflitantes de suas sondagens em um curto espaço de tempo.

Enquanto o Instituto Datafolha, do grupo Folha da Manhã, anunciou Serra subindo nas intenções de voto com nove pontos percentuais de distância para Dilma, o Vox Populi (contratado por um sindicato pelego) deu empate técnico entre Dilma e Serra. A diferença entre os dois resultados ficou além da margem de erro de uma e de outra sondagem. Como explicar?

Depois, o Instituto Sensus divulgou números dando empate de fato entre os dois políticos. Tudo isso em um intervalo de menos de quinze dias. Sem querer, Ibope, Datafolha, Sensus e Vox Populi mostram que não há metodologia de pesquisa que dê conta de atribuir qualquer espécie de cientificidade, mesmo a das pesquisas de campo, às corridas eleitorais marcadas pelas mentiras, pela demagogia e pela contra-propaganda para tentar convencer o povo de que boa mesmo é a democracia burguesa, a do tipo ilusória, aquela que funciona mediante acordos entre gangues partidárias e militares, industriais e as potências imperialistas.


Em desespero, gerência da Grécia tenta frear especulação financeira


As manifestações se intensificaram em Atenas, no 1º de Maio

Pressionada pelos chefes das potências européias e acossada pelas massas em rebelião, a gerência grega que se arvora "socialista" tentou correr atrás do prejuízo mediante mais uma panacéia na forma de canetada. Após a agência ianque de "classificação de risco" Standard & Poor's ter rebaixado o país em seus pareceres muito respeitados entre os capitalistas mais sanguessugas, os manda-chuvas da Grécia decidiram proibir a prática de short selling , estratagema de multiplicação fácil de capital que consiste em pegar ações de empresas emprestadas a fim de vendê-las e recomprá-las pouco tempo depois a um preço mais baixo, pagando aos proprietários originais uma porcentagem dos lucros obtidos com a negociata.

Trata-se de uma espécie de relação de agiotagem entre cobras-criadas muito comum no mundo da jogatina financeira que tanto manipula as riquezas geradas pelo proletariado e demais classes trabalhadoras para concentrá-la nas mãos justamente dos parasitas do povo, cuja farra nas bolsas agravou na Grécia os efeitos da crise gral de superprodução, como ora se observa. Agora, os chefes das potências européias e os gerentes do capitalismo grego articulam "medidas de emergência" para tentar mitigar o caos econômico, dentre as quais esta fanfarrona tentativa de frear a especulação financeira que lhes serve tão bem em condições ideais de temperatura e pressão. O povo grego, entretanto, não engoliu este que também foi um esforço de fazer crer que os financistas também estão pagando o pato.

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