Imposto sobre bancos, tentativa de aplacar as massas

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As frações das classes dominantes da Grã-Bretanha estão em "pé-de-guerra". Aproxima-se mais um sufrágio que irá definir quem, entre os ditos "trabalhistas" (de Tony Blair e Gordon Brown) e os "conservadores" (pupilos diretos de Margareth Thatcher), irá ficar com o direito de ir pedir a benção da rainha para comandar o imperialismo britânico pelos anos subsequentes. Como concordam em quase tudo o que importa, os ataques eleitoreiros de parte a parte se concentram em acusações de corrupção e de má gestão, ou seja, na típica demagogia visando ludibriar os mais crédulos no evangelho da democracia burguesa, mas também visando a liderança da corrida de sempre para se mostrar mais confiável perante o poder econômico e os poderosos de toda estirpe. Um dos pontos de absoluta concórdia entre as velhas gangues, entretanto, é uma novíssima empulhação: a proposta de um imposto internacional sobre bancos.

A empulhação em si subjacente à proposta de taxar as instituições financeiras por sua própria existência é a de que o dinheiro arrecadado iria compensar os "contribuintes" pela recente transferência em larga escala de recursos públicos para os cofres dos maiores bancos do mundo, a fim de salvar o capital monopolista da ruína generalizada, e também criar um "fundo de seguros contra eventuais quebras" para "proteger" os cidadãos quando chegar a hora de novas crises capitalistas de superprodução.

O que não se diz ao distinto público é que este "seguro" contra catástrofes financeiras significará um salvo-conduto para mais especulação, para mais assunção de riscos na farra financeira global e, logo, para comprometer irresponsável e criminosamente, de uma forma ou de outra, as riquezas produzidas pelas massas trabalhadoras.

Daí a mentira do postulante a chefe do imperialismo britânico David Cameron quando diz que sua promessa eleitoreira de um imposto internacional sobre bancos "não será muito popular no meio bancário, mas é algo necessário". Certamente os banqueiros não irão abraçar esta causa em público com o entusiasmo de outras, como a dos próprios "pacotes de socorro" dos quais ora desfrutam, mas sabem muito bem que este tributo que se anuncia lhes é bastante funcional.

Cameron, ora líder da oposição britânica, arvora-se o xerife que irá pôr ordem na casa do sistema financeiro internacional, mas faz isso apenas para tentar acumular intenções de voto, porque sabe bem que o povo vê nos banqueiros alguns dos seus maiores inimigos. Este é também o porquê de a administração Gordon Brown ter encampado com fervor a ideia demagógica de um fundo anti-quebradeira financiado com tributos pagos pelas próprias instituições financeiras lesa-povo.

No início de abril, Brown saiu a cornetear que "as maiores potências mundiais estão próximas de um entendimento" sobre uma taxa mundial sobre os bancos, cacarejando que "a relação entre os bancos e a sociedade tem de mudar". Mas as massas trabalhadoras não engolem estas tentativas picaretas da situação e da oposição eleitoreiras de aplacar a indignação e a rebelião que se avolumam no rescaldo da crise sistêmica deste capitalismo moribundo. O arranjo vem sendo acertado por Grã-Bretanha, França, Alemanha — as maiores potências da Europa do capital —, e pelo USA, e a decisão final será comunicada aos gerentes das semicolônias que integram o chamado G20, senão na convocatória de junho, em cúpula que será realizada no Canadá, no mais tardar na de novembro, agendada para acontecer na Coréia do Sul.

Devem estar realizados os oportunistas que se aninham em certos grupelhos da falsa esquerda europeia, que há anos reivindicam junto às administrações dos Estados burgueses a criação de um imposto sobre os movimentos internacionais do capital especulativo, a Taxa Tobin, estratagema inócuo proposto inicialmente por James Tobin, ianque laureado com o famigerado prêmio Nobel de Economia em 1981. A diferença da Taxa Tobin para o imposto sobre os bancos é apenas de ênfase e método, nunca de classe.

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