Atirar num elefante - Mais um capítulo do holocausto do povo palestino

Em dezembro de 2008 o jornalista espanhol Alberto Arce se dirigia para a Faixa de Gaza a fim de filmar a dramática rotina ali vivida. Mas, pouco antes da sua chegada, Israel proibiu a entrada de organizações de ajuda humanitária e da imprensa estrangeira. Era evidente a iminência de uma grande ofensiva.

http://www.anovademocracia.com.br/67/15-a.jpgLonge de desistir, ele e sua equipe burlaram o bloqueio e conseguiram entrar em Gaza dez dias antes do ataque para registrar o horror do bombardeio e a posterior invasão terrestre do sádico exército sionista na denominada "operação chumbo fundido".

O documentário que Alberto Arce assina, junto ao palestino Mohammad Rujailah lançado com o título em inglês To shoot an elephant traz provas incontestáveis da violação dos direitos do povo palestino e dos tratados internacionais. Fica evidente que, diferentemente do declarado, o objetivo de Israel nunca foi atacar o Hamas, mas semear o terror no povo de Gaza:

– Bombas são disparadas de navios, aviões e helicópteros atingindo residências, hospitais e instalações da ONU. 

http://www.anovademocracia.com.br/67/15-b.jpg– A toda hora chegam crianças gravemente feridas.

– Mesmo sendo seu uso proibido, vemos as bombas de fósforo branco explodindo, diferenciando-se das outras pela intensa luminosidade. A equipe chega até uma casa atingida por uma destas bombas há três dias. Ao mexer nos restos do artefato, volta a incendiar-se. Jogam um balde de água, mas o fogo sempre volta com força. Dói só de imaginar o efeito deste material em contato com a pele.

– As equipes de resgate do Crescente Vermelho (equivalente à Cruz Vermelha) são alvo prioritário dos ataques.

http://www.anovademocracia.com.br/67/15-c.jpgOs jornalistas das grandes redes e das agências de notícias internacionais que cobrem as guerras que o imperialismo dissemina pelo mundo, tem cunhado o termo embedded, algo traduzível como embutido, para descrever como atuam. Eles ficam 'embutidos', apenas acompanhando as tropas invasoras, e assim nunca recolhem o ponto de vista da resistência nem muito menos do povo atacado. Outros aguardam, confortavelmente instalados em hotéis, os informes de algum coronel ianque para escrever suas 'crônicas da guerra'. 

Arce veste a 'pele do lobo' do que deve ser o trabalho mais perigoso do mundo. Ele entra em uma das ambulâncias do resgate. Enquanto a maioria das pessoas foge para se proteger na hora do bombardeio, os médicos, enfermeiros e motoristas das ambulâncias do Crescente Vermelho vão para a linha de frente. As sequências filmadas são impressionantes. A viatura percorre as ruas, ademais da sirene um fundo sonoro de explosões e disparos, até que umas pessoas pedem para que resgatem um corpo. Quando os socorristas saem da ambulância e se aproximam da vítima, são atingidos por uma rajada de metralhadora. Um deles é atingido, consegue voltar à ambulância e saem em disparada para atendê-lo. Mais tarde um dos médicos de maior experiência em socorro, que vemos no filme planejando os auxílios, é assassinado em serviço. 

http://www.anovademocracia.com.br/67/15-d.jpgNo hospital caem duas bombas. Não existe proteção possível, apenas afastar os balões de oxigênio para evitar maior risco de explosão. A toda hora chegam feridos. Os meios disponíveis são muito limitados em face da gravidade das vítimas. Duas meninas chegam destroçadas. Os médicos examinam, mas não tem jeito, só podem enrolá-las respeitosamente em uma mortalha branca. Outras vítimas têm salvação e vão sendo retirados os estilhaços, mesmo sem anestesia.

Nas ruas as pessoas fogem sem rumo. O som das aeronaves de ataque e do fogo de artilharia é constante. As entrevistas sofrem pequenas interrupções cada vez que, ante um som, as pessoas tentam adivinhar se a bomba vai cair próxima. O povo revoltado clama por ajuda, solidariedade, justiça...  

O documentário pode ser acessado pelos programas de compartilhamento de arquivos da internet. Mas não é pirataria. Os realizadores o tem colocado a disposição do público gratuitamente.

– Esta é uma denuncia de violação dos direitos humanos. Nunca poderíamos pensar em ganhar dinheiro com uma coisa dessas – declararam.

http://www.anovademocracia.com.br/67/15-e.jpgRecentemente Arce, ao ser entrevistado, se disse decepcionado pelo fato de que, mesmo tendo conseguido filmar uma série de crimes de guerra cometidos por Israel, isso não tenha tido nenhuma consequência. Talvez ele tenha dito isso principalmente pela impaciência própria da sua juventude e pela urgência da causa. Possivelmente ele esperasse que, ante a contundência das imagens, organismos como a ONU, a 'grande imprensa' e a 'comunidade internacional' tomassem alguma medida. Deles nada virá se não forem pressionados, transbordados pela opinião pública. Mas, sem dúvida, seu documentário tem servido para conscientizar e somar forças a mobilizações de solidariedade, como a recente 'flotilha da liberdade' atacada em um ato terrorista ordenado pelo governo de Israel. As consequências virão pela mobilização popular solidária entre os povos e pelo apoio à resistência até a expulsão dos sionistas das terras palestinas. E isso crescerá cada vez mais.

No dia em que a história contar a saga vitoriosa do povo palestino, a 'operação chumbo fundido' será um capítulo dos mais dolorosos e o documentário de Arce terá seu valor reconhecido como registro histórico e pelo efeito multiplicador que causou.

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