Obama manda e Luiz Inácio obedece

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Em meados do último mês de maio Luiz Inácio foi ao Irã acompanhado do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, negociar com a administração de Mahmoud Ahmadinejad uma "saída diplomática" para a "crise" do programa nuclear iraniano. "Crise" esta iniciada não por Teerã, mas sim por Washington, que ameaça com sanções econômicas e bombardeios a nações soberanas que não acatem a ordem de renunciar ao direito de ter a bomba atômica para se defender, como o USA quer. E foi exatamente o que o USA quis, e mandou, que Luiz Inácio foi lá cumprir, como fiel escudeiro do imperialismo que há tempos o gerente da semicolônia vem mostrando ser.

Obama, como Bush, Clinton e todos os demais chefes imperialistas, admite apenas que as potências capitalistas aliadas (França, Grã-Bretanha e Israel), as semicolônias cooptadas (Paquistão) e os concorrentes mais poderosos no processo de partilha do mundo, os que têm "poder de dissuasão" (China e Rússia), tenham arsenais nucleares.

Quanto aos Estados que querem a bomba para se defender em meio ao rufar dos tambores de mais uma guerra imperialista, como a Coreia do Norte e sobretudo o Irã, tenta-se evitar a todo custo que eles mantenham qualquer espécie de manejo de materiais radioativos, acusando-os de serem Estados "terroristas". Isso quando a demagogia nuclear não é mero pretexto para o imperialismo manter alvos estratégicos permanentemente sob a mira. No léxico da dominação, a negação do direito de ter se transforma em "esforço pela não-proliferação". E a demagogia é tamanha que tenta-se fazer passar em brancas nuvens o fato de que só o USA, que mobiliza exércitos pelo globo sob o álibi de evitar o uso de "armas de destruição em massa", até hoje explodiu uma, ou melhor, duas, bombas atômicas, em 1945, no Japão, matando mais de 200 mil pessoas apenas no ato da explosão.

Neste contexto, Luiz Inácio, "o cara" entre os serviçais do imperialismo, foi acionado por Obama para embrenhar-se em um esforço para "convencer" o Irã a submeter-se à vontade das potências nucleares.

A parte que não estava no script

Quando Luiz Inácio saiu do Irã com o acordo embaixo do braço, houve a certeza de que havia cumprido ordens dos poderosos do mundo, e que assistíamos ali mais uma tentativa do gerente brasileiro para se qualificar junto às potências para assumir um posto de confiança nas instituições da geopolítica (a política do imperialismo) após passar o bastão da gerência do velho Estado brasileiro em janeiro de 2011. O cenário era claro, embora não houvesse provas concretas.

A prova veio no dia 20 de maio, quando o jornal Folha de S. Paulo publicou a íntegra de uma carta endereçada por Obama a Luiz Inácio com um passo-a-passo do que o imperialismo queria que seu capacho-mor fosse fazer em Teerã. Acobertado pelo pacifismo mais picareta, e alardeando uma falsa "neutralidade" do Estado brasileiro, cumpriu à risca o roteiro que chegou da Casa Branca duas semanas antes de a "Declaração de Teerã" ser assinada: Obama pediu que Luiz Inácio convencesse Ahmadinejad a enviar urânio para ser enriquecido fora do Irã, e assim ficou combinado; Obama pediu que Luiz Inácio fizesse com que o Irã atendesse as determinações da Agência Internacional de Energia Atômica, e assim se fez.

Depois de tudo acertado, o USA colocou em prática a parte que não estava no script, rejeitando o acordo mediado por Luiz Inácio, dando por esgotado o "caminho diplomático" da relação das potências com Ahmadinejad no que tange à questão do programa nuclear iraniano e avançando com uma nova rodada de sanções ao povo iraniano no Conselho de Segurança da ONU. De lambuja, os chefes ianques já deram o primeiro passo para incluir o Brasil na lista de alvos identificados sob o pretexto de serem "ameaças", o que foi feito no exato instante em que Hillary Clinton disse que o acordo do Brasil com o Irã "deixou o mundo mais perigoso", lançando as bases para agressões imperialistas à nossa nação no futuro, caso seja necessário para pôr as mãos em nossos recursos energéticos, aquíferos e minerais. Por enquanto, com o Estado semicolonial brasileiro gerenciado por lacaios, não é.

Não é também a primeira vez que Luiz Inácio tenta parecer protagonista quando não passa de pau-mandado. Foi assim, por exemplo, quando a gerência petista recebeu a ordem de injetar dinheiro no FMI, e Luiz Inácio se gabou dizendo que o Brasil havia virado credor do famigerado fundo. Foi assim também quando a gerência petista foi convocada pelas potências a dar a sua parte para ajudar a gerência da Grécia a pagar juros bancários, e Lula, com o fervor demagógico exacerbado, disse que era o povo brasileiro ajudando o povo grego.

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