Alagoas e Pernambuco após as terríveis enchentes

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O povo se reerguerá da destruição
com suas próprias forças

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Vista aérea do município de Barreiros - AL

Após os temporais que castigaram duramente os estados do Nordeste em meados de junho, particularmente Alagoas e Pernambuco, restou uma terra arrasada: destruição, mortes, desaparecidos, desabrigados, desalojados.

Em Pernambuco as enchentes deixaram 20 mortos, 26.797desabrigados (pessoas que perderam a casa), 157.124 desalojados (pessoas que tiveram de abandonar suas casas). Cerca de 11.400 casas foram danificadas ou destruídas, 2.103 quilômetros de estrada também ficaram comprometidas, bem como como 79 pontes. 59 municípios pernambucanos foram afetados. Nove deles decretaram  estado de calamidade pública (situação em que existem danos consideráveis à saúde da população e aos serviços públicos em sua totalidade). Outras 30 cidades decretaram situação de emergência (situação em que há problemas graves causados por desastres mas o município ainda julga poder contornar estes danos com suas próprias capacidades).

Em Alagoas, o número de desabrigados ultrapassou os 28 mil. São 74.515 desalojados e 37 mortos. 69 pessoas estão desaparecidas. 17 municípios alagoanos decretaram estado de emergência e 15 de calamidade pública. Nas regiões mais afetadas, pontes, ruas e redes de eletrificação foram quase que totalmente destruídas. A cidade de Branquinha, a 65 km da capital Maceió foi praticamente varrida do mapa: escolas, postos de saúde, hospitais, prédios públicos, tudo foi arrasado pela força das águas.

Áreas camponesas, recentemente tomadas do latifúndio, foram atingidas e centenas de famílias tiveram as plantações destruídas.

A população local, atordoada com as graves consequências das enchentes, mal se recupera da perda de todo seu patrimônio e já é vítima de outros golpes. Em Atalaia, município a 48 quilômetros da capital Maceió há denúncias de que um galão de 20 litros com água mineral, que normalmente custaria R$ 4,00 estava sendo vendido a R$ 16,00 após a tragédia. Um botijão de gás era vendido a R$ 70,00. Uma situação insustentável para quem perdeu o pouco que possuía e terá de reconstruir toda uma vida.

Milhares de famílias procuram abrigo durante as incessantes chuvas e risco de novas enchentes ou mesmo enquanto suas casas ainda encontram-se submersas. Os abrigos são incapazes de comportar toda massa afetada. Famílias começam a reconstrução de suas casas e removem os entulhos a procura de documentos e pertences que possam ter sobrevivido às águas e à lama.

No dia 29 de junho o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome anunciou o envio de R$ 100 milhões para os municípios atingidos pelas chuvas nos Estado de Pernambuco e Alagoas. Um pequeno remendo para a enorme ferida aberta nesses dois estados. O que cabe é indagar: se havia dinheiro para reparar, por que não havia para evitar essa catástrofe anunciada?

Tragédia recorrente

As enchentes não são novidade nesses dois estados. Ocorreram grandes cheias e enchentes nesses rios nos anos de 1969, quando cerca de mil pessoas morreram. No rio Mundaú, um dos que transbordaram na última ocasião, ocorreram enchentes em 1987, 1988 e 2000. Em maio do ano passado pelo menos 44 pessoas morreram e 380 mil ficaram desabrigadas nas mesmas áreas afetadas pelas últimas chuvas.

Segundo os estudos de Valmir Alburquerque Pedrosa, professor de mestrado em Recursos Hidrídicos da Universidade Federal de Alagoas (UFA), os "moradores das nove cidades cortadas pelo rio Mundaú, na zona da mata de Alagoas, estão acostumados a erguer os móveis nas épocas mais chuvosas. O transbordamento do Mundaú, tido por especialistas como um dos principais responsáveis pela tragédia no Nordeste brasileiro, é freqüente." (portal ig.com.br em 23 de junho de 2010)

O professor ainda acrescenta que "as enchentes são recorrentes. A população já está acostumada a ver água dentro de casa, só não que ela leve a casa" e ainda ressalta que "de 10 em 10 anos, estudos mostram que o Mundaú apresenta tendência para catástrofes como essa." (portal ig.com.br)

Ainda de acordo com o especialista, "mesmo sabendo do risco iminente de novas cheias na região, nada foi feito para conter a fúria do Mundaú. Não é novidade (…) mas ele nunca sofreu uma obra de infra-estrutura para diminuir os impactos da chuva", afirma Valmir Albuquerque (portal ig.com.br).

Baixam as águas, cresce a repressão

Assim que o nível das águas começou a descer, Integrantes da Força Nacional de Segurança foram deslocados para Pernambuco e Alagoas para exercer a repressão das massas.

Nem bem as famílias começaram a reconstrução, deu-se início às rondas das forças de repressão. Com o discurso de "evitar os saques", montaram barreiras e começaram a revistar pessoas.

A Força Nacional deverá permanecer nos estados inicialmente durante dois meses.

Repete-se no nordeste brasileiro o mesmo que no USA após a catástrofe do furacão Katrina, quando ainda debaixo d'água as massas empobrecidas foram barbaramente cercadas e reprimidas pelo Estado ianque. O mesmo no Haiti após o terremoto, quando teve multiplicada a invasão militar com tropas ianques, entre outras. O Chile, com os toques de recolher e as ruas tomadas por tanques após os terremotos no começo deste ano.

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