Retirada: única saída para ocupações do USA

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As resistências armadas, políticas e culturais no Afeganistão e no Iraque seguem fazendo os invasores recuarem em suas duas principais frentes de ocupação, a despeito da crônica jornalística e militar ditada desde o Pentágono e pela Casa Branca, que busca minimizar os revezes do imperialismo. As vigorosas ações contra os invasores, cada vez mais frequentes, ou são escondidas pelo monopólio da imprensa, ou são denegridas com a palavra de sempre: "terrorismo". O único chefe militar que se atreveu a admitir as profundas dificuldades nas ocupações do USA, o general Stanley McChrystal, foi defenestrado pelo chefe Obama do comando das tropas no Afeganistão, que só no mês de junho registraram mais de cem baixas.

Junho foi o mês mais sangrento para a ocupação imperialista do Afeganistão desde que Bush deu a ordem para o envio dos marines para a Ásia Central. Acuado, o USA, agora sob Obama, se alterna entre enviar mais soldados e trocar o comando de tempos em tempos, como a diretoria dos clubes de futebol mudam de técnico quando o time está perdendo, ainda que o novo contratado venha de resultados piores ainda em outro clube. Senão, vejamos: em maio de 2009 o general David McKiernan deu lugar a McChrystal, que agora está sendo rendido por David Petraeus, ex-comandante dos invasores no Iraque, que nem chegou perto de conseguir evitar que suas tropas fossem, e ainda venham sendo, rechaçadas pela resistência local.

E por falar nisso, em junho o governo fascista da Espanha tentou sabotar uma conferência internacional de solidariedade à resistência no Iraque realizada na cidade de Gijón, na região das Astúrias. Conferência esta que, segundo um dos sete delegados do Tribunal Mundial do Iraque que estiveram presentes, contou com o respaldo da população asturiana e teria a participação de três representantes da frente de resistência à ocupação ianque naquele país. Até meados de maio havia a promessa do ministério espanhol das Relações Exteriores aos organizadores do evento de que os vistos para os iraquianos não seriam negados.

A gerência de José Luis Zapatero, entretanto, voltou atrás logo após uma visita do vice-gerente do USA, Joe Biden, a Madrid, no final de maio, na qual por certo houve uma solicitação de boicote à conferência de apoio à luta do povo no Iraque, além de agradecimentos públicos ao apoio espanhol à ocupação no Afeganistão.

Regime fundado na corrupção e na pilhagem

Como desculpa esfarrapada para a sabotagem, o monopólio dos meios de comunicação forjou uma justificativa da gerência Zapatero, apontando o fato de que as famílias de alguns organizadores espanhóis da conferência vinham sendo ameaçadas de morte por milícias formadas por mercenários pagos pelo imperialismo, às quais o Estado espanhol parece respaldar, em vez de combater.

Mesmo sem os representantes iraquianos, a conferência aconteceu e seus participantes redigiram um comunicado do qual sobressaem novas denúncias do uso de urânio empobrecido e fósforo branco por parte do USA no Iraque. As armas químicas dos ianques vêm provocando abortos e defeitos de nascimento, malformações genéticas, câncer e está contaminando o meio ambiente. O comunicado dizia mais:

"O atual regime iraquiano está sustentado completa e absolutamente na ocupação; é um regime iraquiano construído sobre a corrupção e a pilhagem, sobre o sectarismo e a divisão étnica da sociedade imposta pela própria ocupação e que agora ameaça aniquilar algumas das minorias e transformar o Iraque em uma Abu Ghrabi [prisão ianque construída na cidade com mesmo nome no Iraque de onde vieram imagens de torturas e humilhações aos presos políticos do imperialismo]. Além disso, sete longos anos de ocupação destruíram o Estado iraquiano, sua economia, seus sistemas educativos e de saneamento e a infraestrutura iraquiana, e ameaça destruir o que sobrou do tecido social iraquiano".

E, acima de tudo, a resistência iraquiana reafirmou sua inapelável posição fundamental, a única solução possível para o imperialismo ora em profundas dificuldades: a "total e incondicional retirada de todas as tropas e mercenários do Iraque e o pagamento de compensações pelos danos da invasão e da ocupação".

Resistência no Afeganistão e Iraque massacra tropas invasoras
Patrick Granja
Afeganistão
No dia 27 de junho, nove dos 500 soldados noruegueses integrantes das forças de invasoras da Otan no Afeganistão foram mortos durante uma missão na província de Faryab, no norte do país. Este foi o maior ataque insurgente contra as tropas norueguesas desde o início da invasão ao Afeganistão.

O dia 10 de julho será por sua vez lembrado por muito tempo pelo exército ianque, como o dia em que a resistência afegã desferiu um dos mais pesados ataques contra suas tropas assassinas. Ainda durante a madrugada, mais de 500 insurgentes atacaram vários comboios de soldados ianques no sul do país, matando seis invasores. Já pela manhã, na província oriental de Khost, um ataque a bomba contra um carro da OTAN deixou dois militares mortos. Em outro ataque, bombas foram disparadas contra um posto do exército afegão na província de Zabul, deixando vários soldados feridos.

No dia 14 de julho, quatro soldados das tropas da OTAN foram mortos em um ataque da resistência no sul do Afeganistão. Somente entre os dias 13 e 14 de julho, 12 soldados americanos e ingleses foram mortos pela resistência em diversos ataques. No mais contundente, um soldado do exército iraquiano se voltou contra um comboio do regimento britânico Gurkha, matando três soldados.

Iraque
No dia 24 de junho, em três ataques a bomba da resistência na cidade de Mossul, 390 quilômetros ao norte de Bagdá, cinco policiais e dois soldados ianques morreram, e outros nove ficaram feridos. No mesmo dia uma bomba explodiu no sul da capital Bagdá, próximo a duas patrulhas da polícia, matando dois policiais e ferindo outros quatro.

No dia 13 de julho, um ataque a bomba da resistência iraquiana na Praça de Aden, distrito santuário xiita de Kadhimiya, no norte da cidade, matou cinco soldados ianques, dentre eles um general identificado como Khodr. No mesmo dia, outros dois ataques foram efetuados pelos insurgentes contra o clube de oficiais do exército em Al-Hurriya, no noroeste de Bagdá, matando dois policiais e três militares; e contra um oleoduto no distrito de Rashidiyeh. O oleoduto liga a refinaria de petróleo Baiji à usina de Dora, um ponto de junção vital para a rede de abastecimento de petróleo do norte do Iraque em torno dos campos de Kirkuk.

No dia 18 de julho, um ataque a bomba da resistência iraquiana contra um comboio da milícia Filhos do Iraque, apoiada pelos ianques, deixou 45 milicianos mortos. O grupo Filhos do Iraque foi criado em 2007, com o apoio das tropas invasoras para vigiar áreas sunitas no país, contando hoje com um contingente de 72 mil homens.

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