Prender: palavra de ordem da reação

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Durante o G20, no Canadá, prisões arbitrárias
aconteceram nas manifestações em Londres

É uma lei que "pegou": a clientela do sistema penal aumenta na razão direta do agravamento da ofensiva do capital sobre o mundo do trabalho. Trata-se do Estado policial e penal mostrando os dentes e mordendo o povo trabalhador como contrapartida lógica à progressiva supressão dos seus direitos e garantias – e dos seus empregos – e da própria incapacidade das gerências políticas para prover o mínimo de bem-estar. São as classes dominantes e o oportunismo usando a polícia e a penitenciária como verdadeira política habitacional do capitalismo em decomposição – algo como um imenso programa "Minha Cela, Minha Vida" –, com a qual se pretende gerenciar as massas desempregadas ou precarizadas e sua crescente rebelião. Em tempos de crise, falência dos Estados e agigantamento dos levantes populares, "prender" é mais do que nunca a palavra da reação.

Veja o caso das prisões em massa na esteira das enchentes no nordeste. Só nas cidades de Rio Largo e União dos Palmares, mais de 50 pessoas foram presas acusadas de terem realizado saques. Já o fato de que o garrafão de 20 litros de água chegou a ser vendido por R$ 15 na mesma União dos Palmares após as enchentes, três vezes mais caro do que o preço normal, é algo que está sendo encarado pelas "autoridades" e pelo monopólio dos meios de comunicação apenas como manifestação da lei capitalista da oferta e da procura. Ao todo, foram mais de 200 pessoas mandadas para atrás das grades em Pernambuco e Alagoas depois que a água baixou. Incapaz de mandar comida e médicos, o podre Estado brasileiro mandou a polícia.

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Durante a cúpula do G20, realizada em Toronto, no Canadá, no final de junho, mais de 850 manifestantes foram silenciados pela via da detenção. Foram encarcerados porque protestavam contra os conchavos entre os poderosos do mundo. O governo canadense colocou 20 mil policiais e usou também o exército para dar conta da rebelião. Quatro carros da polícia foram incendiados. Bancos foram justamente atacados pela multidão. Na África do Sul, país que recebeu a Copa do Mundo nos meses de junho e julho, a sanha punitiva se voltou contra o povo pobre alijado da festa futebolística dos ricos.

Na Copa, os tribunais de exceção da Fifa

Na África do Sul, a todo-poderosa Federação Internacional de Futebol, a Fifa, exigiu que a gerência de Jacob Zuma criasse dezenas de "tribunais especiais" para "julgar crimes relacionados à Copa", o que na verdade funcionou como um dispositivo de exceção utilizado para mandar pobres para a cadeia por meio de julgamentos sumários e aplicação imediata de penas absolutamente desproporcionais. Dessa forma,  um homem foi condenado por uma dessas 53 cortes a passar cinco anos trancafiado em uma prisão porque teria furtado o celular de um turista europeu. Outra pessoa pegou longos 15 anos de xadrez porque teria roubado a câmera de um fotógrafo estrangeiro que estava servindo na África para o monopólio da imprensa.

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Em Toronto, Canadá, houve enfrentamento nas ruas conta o G20,
onde 850 manifestantes foram presos

Os "tribunais da Fifa" custaram o equivalente a US$ 5,7 milhões de dólares aos cofres do velho Estado sul-africano ainda segregacionista. É dinheiro de impostos levantado junto ao proletariado negro para servir aos desmandos da Fifa e dos patrocinadores da Copa, que requisitaram o acirramento da ordem que vigora na África do Sul, a despeito da bajulação hipócrita ao conciliador Mandela: a ordem da oligarquia branca.

A Fifa e as transnacionais ligadas ao esporte exigiram que mendigos e prostitutas pobres fossem retirados das ruas, e chegaram a solicitar a suspensão temporária da criminalização da prostituição para que seu serviço terceirizado de turismo sexual pudesse "importar" para a África do Sul escravas sexuais com exame negativo de HIV (ver nesta edição de AND). Não passou por qualquer dos seus "tribunais especiais" o caso do assassinato de Jimmy Mohlala, o membro do Comitê Organizador da Copa do Mundo morto a tiros após denunciar a corrupção entre o Congresso Nacional Africano, partido de Zuma e Mandela que gerência a África do Sul para os monopólios, e grandes empreiteiras contratadas para erguer os estádios da Copa.

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