FMI requisita precarização global

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"Povos da Europa, levantem-se!", gregos tomam Parthenon durante protestos

A crise do sistema de exploração do homem pelo homem se aprofunda ainda mais, e um sinal incontestável dos tempos que correm é a disposição dos chefes das potências para arrochar severamente as massas trabalhadoras que vivem sob sua própria jurisdição direta, penalizando "suas" classes populares com políticas antipovo cujo grau de severidade que se anuncia assemelha-se àquele normalmente reservado às massas das semicolônias.

Trocando em miúdos, é a precarização generalizada das condições de vida chegando às classes populares da América do Norte e da Europa, que ainda gozam de direitos e garantias há tempos já ceifados ou jamais alcançados na grande maioria das nações asiáticas, africanas e sul-americanas, apesar do histórico de vigorosas lutas dos trabalhadores nessas regiões contra o patronato, os oportunistas e os monopólios. É exatamente isso o que vem requisitando o FMI, evidenciando mais um espasmo agonizante do capitalismo ora em sua fase terminal.

No apagar das luzes do mês de junho, o famigerado fundo divulgou um relatório segundo o qual o crescimento da economia capitalista global poderia chegar a 2,5% ao longo dos próximos cinco anos (uma taxa modesta, mas espetacular diante da realidade de bancos falidos e monopólios sem crédito) caso o USA e os demais países ricos "reduzam seus déficits orçamentários mais profundamente do que estão planejando", o que na prática significa dizer que a sobrevida das oligarquias financeiras e industriais das metrópoles depende do aprofundamento das suas políticas fascistas voltadas para dentro, acelerando o processo já em curso de nivelamento por baixo da situação das classes trabalhadoras no norte e no sul do mundo.

Outra recomendação do FMI no mesmo relatório para os mandachuvas do planeta foi para que requisitem aos gerentes da semicolônias que "impulsionem o consumo doméstico", em uma clara profilaxia para tentar remediar a indisfarçável crise de superprodução ora em curso.

Ameaça de gerenciamento militar

O que se observa no mundo nos últimos dois anos, com as dificuldades econômicas espalhando-se como um rastilho de pólvora entre paióis, são desdobramentos desta grande crise sistêmica e profunda do imperialismo que o FMI e demais algozes da classe trabalhadora há tempos vêm tentando gerir. Assim foi a crise financeira no USA em 2008, assim é a crise monetária que assola a Europa neste exato momento.

A origem deste mais recente estopim está na ordem dada pelos industriais alemães no auge do colapso anterior, e repassada por sua capataz, Angela Merkel, de que cada um dos países da Zona do Euro deveria ficar responsável, a partir daquele momento, por suas próprias dívidas, sem a cobertura do Banco Central Europeu, que desde então está ocupado exclusivamente em socorrer os bancos do eixo franco-alemão.

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Protestos contra precarização na Grécia

Em 2009, entretanto, alguns países da Europa Central não conseguiram pagar o que suas gerências empenharam junto aos próprios banqueiros franceses e alemães. O FMI entrou em cena, interveio, e empurrou o caos monetário com a barriga. Mas neste ano a situação se agravou com a constatação de que a Grécia estava mergulhada em um déficit orçamentário astronômico. O FMI entrou em cena novamente, e solicitou à gerência grega que levasse a cabo um pacote de "austeridade" para fazer as massas trabalhadoras do país pagarem os juros cobrados pelos credores baseados nas potências da Europa do capital. O mesmo vem sendo feito em outros países europeus na mesma situação, nomeadamente Portugal, Irlanda, Itália e Espanha.

Diante da resistência dos povos destes países a deixar passar as medidas fascistas requisitadas pelo FMI, os poderosos da Europa agora engrossam a ameaça. O porta-voz dos banqueiros e industriais europeus, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, insinuou no final de junho que se as políticas antipovo não puderem ser implementadas pela via parlamentar, "na Grécia, Espanha e Portugal a democracia pode desaparecer", anunciando assim a possibilidade de a Europa do capital encomendar uma rodada de gerenciamento militar dentro da própria União Europeia.

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