Frevo em concertos pelo mundo

A- A A+

Ritmo pernambucano, alegre, quente, o frevo é uma corruptela de ferver. Com a intenção de mostrar sua beleza e riqueza fora da folia do carnaval, a SpokFrevo Orquestra se apresenta em concertos pelo Brasil e exterior, tocando frevo de terno e gravata, em sinal de respeito ao gênero, para uma plateia sentada, em teatros imponentes no mundo inteiro. Porém, não abandona sua principal característica ligada aos festejos populares, e continua animando as ruas de Recife.

http://www.anovademocracia.com.br/68/12-a.jpg

A orquestra surgiu há quatorze anos em Pernambuco, primeiramente com o nome de Banda Pernambucana, formada para acompanhar o conterrâneo Antônio Nóbrega em suas apresentações.

— A montamos para fazer um trabalho de laboratório, de estudos mesmo. Antônio Nóbrega muito nos enriqueceu e abriu as portas para podermos andar com as nossas próprias pernas. O acompanhamos pelo Brasil e pelo mundo, sempre observando que lá fora os músicos tinham mais liberdade com sua música, enquanto aqui não tínhamos isso com o frevo, ficando presos ao período do carnaval — conta maestro Spok, diretor musical, arranjador e saxofonista do grupo.

Nascido na cidade do Recife, Pernambuco, tendo suas primeiras aparições no século XIX, o frevo tem por característica seu ritmo acelerado. É uma marcha acelerada. Costuma-se dizer que é uma criação de compositores alegres, que gostam de música de andamento ligeiro. Associada ao carnaval, não costuma encontrar espaços no decorrer do ano.

— O frevo surgiu no meio do povo, para que ele pudesse se divertir. E acabou ficando restrito ao folião, e tudo que acontece durante o carnaval, ficando esquecido o resto do ano. Passamos então a sonhar que essa música ganhasse uma proporção maior, crescesse, independente de um artista ou momento. Que pudesse falar por si própria, porque tem conteúdo para isso — explica.

Inaldo Cavalcante de Albuquerque, o maestro Spok, é um amante do frevo. A frente da orquestra, a partir de 2003 acabou conseguindo realizar seu sonho de liberdade para o gênero, desvinculando-o do carnaval e executando-o em qualquer lugar e época do ano.

http://www.anovademocracia.com.br/68/12-b.jpg

— Nossa proposta principal é mostrar o frevo como algo mais do que trilha sonora para o carnaval pernambucano, dando um tratamento cuidadoso a ele, com arranjos modernos, harmonias e improvisações inteligentes. É música popular executada por uma orquestra completa, tendo os músicos liberdade de expressão. Um trabalho com uma consciência estética e musical muito grande — declara.

— Não costumamos usar pessoas dançando ou cantando nas apresentações em teatros e festivais, porque queremos ver o frevo apreciado, ouvido simplesmente, como se faz com o jazz americano, por exemplo. Ele, assim como o choro, é música instrumental brasileira que nada deixa a desejar à do resto do mundo — acrescenta.

Segundo Spok, quando resolveram tocar um frevo mais bem trabalhado para uma plateia sentada e calada, queriam que as pessoas prestassem atenção no ritmo como arte e linguagem musical. Não é um 'pula-pula' qualquer. Tem qualidade. Contudo, continua apresentando bailarinos e cantores em outras ocasiões, como bailes carnavalescos, por exemplo, e outras festas populares.

Sem que pudesse impedir, os companheiros do grupo resolveram adotar seu apelido como nome da orquestra.

— A princípio não gostei muito dessa ideia, mas a maioria queria, e tive que aceitar (risos). Atualmente somos dezessete componentes: quatro sax — dois altos e dois tenores — quatro trompetes, quatro trombones, bateria, pandeiro e baixo — diz  o maestro.

Conquistando o mundo

A orquestra tem participado de concertos no Brasil e no mundo, fazendo duas turnês para a Europa por ano. Mês passado, esteve na França, onde tocou em festivais. E já está marcado uma nova turnê para lá em outubro próximo.

— Temos  nos apresentado em lugares imponentes e festivais de jazz da Europa, sempre com casas lotadas, e participando de programas de rádio e televisão por lá. O ritmo pernambucano vem conquistando povos de outras nações. Ficamos honrados ao perceber que nossas constantes viagens por outros continentes tem contribuído para isso — fala com alegria.

A plateia europeia, em silêncio, aprecia a execução do frevo para no final aplaudir intensamente, comprar discos e até mesmo pedir partituras, no caso de pessoas com conhecimento musical, mostrando que vale a pena o esforço. A orquestra também já se apresentou na África do Sul, Índia, China e Tunísia.

Faz parte do repertório da orquestra composições do próprio maestro Spok, em parceira com João Lyra:  Passo de anjo, Lágrima de folião e Mexe com tudo, de Livino Ferreira, também gravada por Pixinguinha; Frevo Sanfonado de Sivuca, Nino, o pernambuquinho, do maestro Duda; Ponta de lança, de Clóvis Pereira; Frevo aberto, de Édson Rodrigues.

Em 2006 a orquestra regravou o primeiro disco e lançou um DVD e o CD Passo de Anjo, gravado ao vivo em um teatro de Recife. Recentemente, lançou o CD duplo 100 anos de frevo, sendo um somente instrumental, contendo frevos de rua, e outro cantado, com a participação de Antônio Nóbrega, Geraldo Azevedo, Claudionor Germano , Silvério Pessoa, entre outros.

— Foram grandes as conquistas que tivemos até agora, o que nos dá condição para continuar o trabalho, percebendo que estamos no caminho certo quando fazemos algo pela nossa cultura brasileira. Hoje me vejo tocando de terno e gravata a música do povo, provando mais uma vez a riqueza dos folguedos populares, e me orgulho disso — conclui maestro Spok.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja