Editorial - Na farsa eleitoral não há limites para o cinismo e a mentira

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Na reta final da campanha para o primeiro turno, a farsa se evidencia sobremaneira na disputa entre os dois principais candidatos. Os tucanos, inclusive, tal como os petistas, utilizam-se franqueadamente da imagem de Luiz Inácio, como continuador de Cardoso, para capitalizar a candidatura de Serra. São elogios rasgados e melosos ao operário-padrão do FMI.

Tanto Serra como Dilma se desdobram em juras de amor ao capital financeiro internacional, asseguram que nada mudará na política econômica emanada de Washington desde sempre, nem nos programas caritativos e localizados do receituário do Banco Mundial e demais agências do imperialismo, etc.

Notadamente na área da "segurança pública", a disputa parece ser a de quem é o mais fascista, destacando-se a proposta de Dilma de espalhar o modelo das Unidades de Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro para todos os bairros pobres do Brasil e também para o campo.

Em seguidas entrevistas, Dilma mandou o recado à direção do MST, de que não tolerará "desordem" no campo, acenando com a nacionalização também da genocida operação "Paz no Campo", levada aos seus últimos termos no Pará no fim de 2007 e início de 2008, com a prisão, tortura, perseguição e assassinatos contra os camponeses pobres do estado. Claro, este recado não é mais que acenos para tranquilizar os latifundiários e verdadeira diretiva aos seus agentes nos aparelhos do judiciário e das forças policiais para radicalizarem suas ações contra o movimento camponês de forma geral, especialmente contra sua parte mais combativa. À corporativizada e oportunista direção do MST, que se desdobra em sua campanha eleitoral, já está assegurada a continuidade e ampliação da presença de seus quadros no aparelhamento das estruturas e órgãos do Estado, tais como MDA, INCRA, etc.

De qualquer forma, embalada pela contrapropaganda oficial das "realizações" da gerência oportunista e pela popularidade de Luiz Inácio, Dilma desponta nas pesquisas de intenção de voto, que mostram a tendência de sua eleição ainda no primeiro turno. Este dado, ainda que duvidoso, dada a baixa confiança que merecem estas pesquisas encomendadas, mostra que realmente Luiz Inácio preparou tudo para eleger "o poste", como havia prometido.

Por outro lado, mostra ainda a total incapacidade de o PSDB e demais siglas de "oposição" serem de oposição, uma vez que não têm ninguém capaz de atrair a mínima simpatia, e muito menos programa de governo diferente do PT e sua frente eleitoreira novamente reunida.

Mas, afinal, o que está realmente em jogo? A disputa de fato se concentra na escolha de qual grupo de poder ocupará a gerência do Estado nos próximos anos, já que tanto o PT e sua frente eleitoreira quanto PSDB e seus apoiadores, representam as mesmas classes sociais que dominam o Estado e lhes dão o seu caráter, quais sejam, a grande burguesia e o latifúndio ligados ao imperialismo, principalmente ianque.

Ou seja, na verdade, não há mudança nenhuma em jogo, a não ser para esses grupos e seus apaniguados e para as frações da grande burguesia, a burocrática e a compradora, que se revezam na recepção dos maiores privilégios das políticas do Estado, mas que estão unidas quando o assunto é sugar as riquezas da nação, explorar e reprimir o povo brasileiro. Ambas as frações, inclusive, estão bem representadas nos dois blocos que hora disputam o pleito.

Nesse ponto, o oportunismo de PT, Pecedobê e outras siglas menores são particularmente nefastos, porque a todo momento vendem a ilusão da mudança e cometem os mais descarados atos de traição nacional, sempre com rostos sorridentes, mas aprofundando as políticas fascistas, antipovo e anti-operárias, que nem mesmo os tucanos foram capazes de realizar em seus anos na gerência do Estado.

Mas, enfim, como temos afirmado, o oportunismo se capacitou para exercer essa função e conquistar a confiança do imperialismo, que agora utiliza Luiz Inácio como instrumento nas intrigas e preparação das futuras agressões e rapinas nas semicolônias mundo afora.

O certo é que a atual gerência do velho Estado vai aos limites do possível para garantir uma certa estabilidade econômica que sirva como mais uma propaganda eleitoral, embora seja cada vez mais difícil esconder os rombos nas contas externas do Brasil, que ameaçam ser a porta de entrada da atual crise financeira mundial no Brasil. No fim de agosto, o monopólio dos meios de comunicação já alertava para o pior mês de julho desde 2002, em se tratando do superávit primário.

Enquanto isso as massas seguem padecendo das tragédias decorrentes da vida num país semifeudal e semicolonial. São as enchentes por falta de estrutura nas cidades, os hospitais em escombros, as escolas em ruínas, o transporte público humilhante, o salário mínimo de fome, o monopólio genocida da terra, a previdência roubada, os direitos trabalhistas cassados... São essas também as coisas que os candidatos dizem há mais de um século que vão mudar, melhorar, dar um jeitinho, mas seguem prometendo, sem nunca cumprir.

Porém, sua tarefa de engabelar as massas fica cada vez mais difícil. Assim como cresce o movimento camponês e o clamor por uma revolução agrária para destruir o latifúndio, crescem os protestos cada vez mais violentos nas cidades grandes e pequenas contra a miséria e a repressão, cresce também o número de eleitores que percebem que não há democracia nenhuma nas eleições de dois em dois anos, que nada mudará e que é preciso manifestar sua indignação, deixando de ser eleitores, se recusando a escolher o feitor que empunhará o chicote durante mais alguns anos, se recusando a ser responsabilizado pelas "más escolhas" e pela corrupção endêmica neste velho Estado.

Aí se eleva a consciência de que a solução para esse problema não se encontra sob a velha "democracia" burguesa — democracia para as classes dominantes e ditadura para o povo —, mas numa Nova Democracia, que represente de fato a democracia para as amplas massas e que será construída passo a passo através da luta contra o velho Estado, o latifúndio, a grande burguesia, o imperialismo e tudo que eles representam.

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