Máquinas paradas, fábrica ocupada

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Operários da UTE-Pecém I reivindicam melhores condições de trabalho

Termelétrica do Pecém em greve

Em 9 de agosto os operários da construção da Usina Termelétrica de Energia Pecém (UTE-Pecém I), em São Gonçalo do Amarante – CE, paralisaram as obras reivindicando melhores condições de trabalho.

Um comunicado do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem em Geral – Sintepav-CE anunciou a adesão de 3.200 operários ao movimento.

As obras da UTE-Pecém I fazem parte do PAC e são empreendidas por um consórcio formado pela MPX, do grupo EBX controlado pelo empresário e grande burguês Eike Batista, e pela EDP, grande empresa portuguesa de energia. Mas apesar da publicidade eleitoreira do dito "programa de aceleração", os operários denunciam o descumprimento do acordo coletivo, celebrado em abril último.

Os operários reivindicam isonomia salarial entre todos os trabalhadores das empresas envolvidas nas obras, o cumprimento das folgas de campo e o pagamento integral das horas-extras.

O Tribunal Regional do Trabalho - 7ª Região, que decidiu em favor dos patrões declarando a greve ilegal, determinou uma multa ao Sintepav-CE, "no caso de continuidade da paralisação ou impedimento no acesso ao canteiro de obras".

Os operários não se intimidaram com a ameaça patronal e mantiveram a paralisação até o dia 17 de agosto, quando foi selado um acordo entre os trabalhadores e as empresas. Os patrões comprometeram-se em pagar a Participação nos Lucros e Resultados - PLR, que até então nunca havia sido paga, a conceder um dia a mais de folga de campo e a oferecer aos funcionários a possibilidade de incluir familiares no plano de saúde empresarial com desconto de 14% por dependente.

Mesmo após selado o acordo, cerca de 1.500 operários fizeram um novo protesto, manifestando insatisfação com a contraproposta patronal e deram mostras de que novas mobilizações se avizinham nos canteiros de obras da UTE-Pecém I.

Metalúrgicos da Hitachi deflagram greve

No dia 13 de agosto os 360 metalúrgicos da Hitachi, em São José dos Campos - SP, entraram em greve reivindicando o pagamento imediato da Participação nos Lucros e Resultados.

A empresa que produz aparelhos de ar-condicionado propôs o pagamento de R$ 2.400 em duas parcelas de R$ 1.200. Esta proposta foi recusada pela assembleia dos funcionários que reivindicam R$ 3 mil, sendo R$ 2 mil na primeira parcela.


Há sete anos trabalhadores ocupam fábrica da Flaskô

Os trabalhadores da Flaskô, que ocupam a fábrica desde 2003, realizaram um protesto em frente à Procuradoria Seccional do Ministério da Fazenda, no Centro de Campinas - SP. A manifestação era contra a execução das dívidas da empresa que ultrapassam R$ 80 milhões, herdadas dos antigos donos da Flaskô. Com as execuções estão sendo penhorados máquinas e equipamentos, o que inviabiliza a continuidade do funcionamento da fábrica.

Ocupação após calote patronal

No dia 12 de junho de 2003, trabalhadores da fábrica de materiais plásticos Flaskô, após três meses sucessivos de calote nos seus salários e diante do inevitável fechamento da empresa, ocuparam e assumiram o controle da fábrica e desde então são eles que controlam a produção e administram a fábrica.

O interventor federal Rainoldo Uessler, nomeado para assumir a fábrica durante a crise em 2003, foi escorraçado pelos trabalhadores em uma assembleia geral.

"Ele saiu com o terno amarrotado. Teve que receber uns sopapos para se tocar", declarou Aldemir Tavares, coordenador de vendas da fábrica ocupada ao portal Uol em 31 de julho de 2009.

Os trabalhadores da Flaskô estimam que o faturamento da fábrica gire em torno de R$ 180 mil: R$ 60 mil destinados à energia elétrica, R$ 60 mil para a matéria-prima e outros R$ 60 mil para a folha de pagamento.

Estatização é a reivindicação

O protesto de agosto último diante da Procuradoria da Fazenda faz parte do movimento para impedir que 97% do faturamento da Flaskô seja usado para pagar a dívida com a União. O maior credor da Flaskô, atualmente, é a Fazenda Pública, ou seja, o Estado, que é quem move a maioria dos processos de execução.

Durante a manifestação, uma comissão de trabalhadores foi recebida por procuradores do Ministério da Fazenda em Campinas, que se comprometeram a agendar uma reunião com procuradores de São Paulo e Brasília para avaliar a situação.

A principal reivindicação dos trabalhadores é que o governo federal assuma o controle destas empresas e as estatize, mantendo o emprego de todos os funcionários que hoje ocupam a Flaskô.

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