Insurreição popular na Bolívia: Governo é forçado a anular acordos com o FMI

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La Paz -
Medidas impostas pelo FMI, que previam aumento de impostos — inclusive sobre os salários — privatizações e inúmeras restrições ao setor social, anunciadas na quarta-feira, 12 de fevereiro, pelo presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozadas, tiveram que ser anuladas três dias depois, devido aos vigorosos protestos populares em diversos pontos do país. O movimento constitui um duro revés para o USA, que tenta manter sob seu controle econômico e militar todo o continente latino-americano.

Nem tudo está saindo como os tiranos querem. Na Colômbia, as guerrilhas já dominam mais da metade do país. Na Venezuela, apesar de várias tentativas de golpe de Estado, Hugo Chávez é, ainda, presidente. No Brasil, cresce a luta das massas contra a miséria e a dominação imperialista. Na Argentina, em dezembro de 2001, uma insurreição popular derrubou cinco presidentes em poucos dias. Agora, é a vez da Bolívia.

Todo latino-americano, apesar do monopólio dos meios de comunicação e da aparente neutralidade, já percebeu que o Banco Mundial e o FMI são dominados pelos ianques. O corrupto presidente Lozada, tinha anunciado laconicamente que os impostos sobre os salários aumentariam de 4% a 10%, que seria privatizada a distribuição de água e realizados cortes profundos no setor social. Após dois dias de aparente calma, deu-se a explosão de massas que tomou proporções de uma insurreição popular. Em La Paz, o povo assaltou o Palácio Presidencial. O Palácio do vice-presidente, outros doze edifícios, dois ministérios, cinco sedes do partido no poder, um presídio e um centro comercial foram incendiados. Dezenas de lojas, um importante depósito, o Hotel da Cidade de La Paz, o escritório da Alfândega e bancos foram pilhados. Mais de 25 pessoas morreram nos enfrentamentos.

O presidente e o governo, primeiro decidiram pela intervenção do exército, depois fugiram para lugar ignorado. A crise segue na Bolívia e novas explosões podem ocorrer, pois as causas da miséria e das profundas mazelas sociais que atingem o país ainda estão vivas.
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